Casal “hacker” rouba 25 bilhões em bitcoins e se ferra por planilha de Excel na nuvem

Roubo bilionário, ostentação e prisão pelo FBI. Enredo completo vai virar documentário do Netflix

Imagine aplicar um golpe avaliado em 25 bilhões de reais, viver como uma celebridade por cinco anos e ser pego por um erro amador como compartilhar uma planilha do Excel online.

Parece sinopse de filme, mas não é. Essa é a história do “Casal dos Bitcoins”, que foi preso nesta semana nos Estados Unidos. Aliás, essa história é tão cheia de plot twists, de reviravoltas, fatos curiosos, que vai virar até mesmo uma série da Netflix.

Tudo começou em 2016, nos Estados Unidos. Foi nesse ano que hackers roubaram mais de 119 mil Bitcoins de uma empresa chamada Bitfinex. Na época a criptomoeda valia bem menos do que hoje e o golpe era apenas milionário, cerca de 70 milhões de dólares. Os ladrões nunca foram encontrados e o crime se tornou um dos grandes mistérios das criptomoedas. Porém, após anos de investigações o FBI chegou a um nome, ou melhor, dois: um casal que vivia uma vida cheia de glamour e ostentação nas redes sociais. Ilya Lichtenstein e Heather Morgan teriam passado todos esses anos lavando esse dinheiro, ou seja, transformando as criptomoedas roubadas em dinheiro limpo para viver uma vida de rei.

Por conta do crime, as criptomoedas entraram em uma espécie de lista negra. Ou seja, nenhuma Exchange poderia comercializá-las, nem para compra e nem para venda, em uma tentativa de encontrar a origem, mas nem assim a polícia obteve resultados. É aí que entra em cena a engenhosidade do plano. As Bitcoins foram divididas em pequenas partes, e essas pequenas partes trocadas por outras moedas e até mesmo por gift cards para serviços como Uber ou jogos de PlayStation, além de ouro e até NFTs. 

Mais de 4 anos depois do crime o dinheiro começou a ser movimentado e foi aí que as autoridades viram que havia alguma coisa acontecendo, com os rastros deixados levando a um homem de 34 anos, o próprio Ilya Lichtenstein, e sua esposa Heather Morgan, de 31 anos. Aliás, aqui vale frisar que esse é um casal nada convencional. Ilya Lichtenstein é um russo naturalizado norte-americano que foi um dos fundadores de uma startup de blockchains. Um sujeito visto como calmo, reservado e a até aí tudo bem. Porém, sua esposa, Heather Morgan, sempre adorou um holofote, ser o centro das atenções.

Autoentitulada “Crocodilo de Wall Street” e bastante ativa nas redes sociais, ela construiu para si uma imagem de especialista em investimentos. E mais: ela chegou até mesmo a esc rever para a revista Forbes, uma das publicações mais importantes do mundo financeiro, ensinando como evitar cair em golpes de cibercriminosos. Além disso, ela tentou se lançar como rapper, sob o nome de Razzlekhan, produzindo músicas e clipes nas redes sociais. 

Ela chegou também a dar palestras ensinando sobre como criar uma carreira no mundo virtual e até mesmo a como ser penetra em eventos e festas exclusivas. A lista de conselhos dela inclui crachás falsos, gorjetas e até mesmo roupas que façam você se passar por segurança. E não para por aí: graças às suas habilidades e jeito descolado, ela viajou o mundo, aprendeu idiomas e até mesmo criou uma empresa para ensinar outras empresas a melhorarem seu discurso na hora de apresentar propostas e vender produtos. Mas claro, sempre ostentando no processo, mantendo um estilo de vida muito longe do ideal para alguém que roubou cerca de 4.5 bilhões de dólares.

Lembrando que crimes perfeitos não existem, e uma hora a casa cai. E o bizarro é que a casa deles caiu da forma mais amadora possível. Se por um lado a Heather chamava atenção de todas as formas, ostentando e mantendo o casal em evidência, o seu par, Ilya Lichtenstein, um especialista em blockchain, cometeu um erro básico: ele armazenou um arquivo de Excel com senhas e endereços das suas carteiras virtuais na nuvem. O FBI já suspeitava deles, conseguiu um mandado virtual e assim chegou até o arquivo, colocou um super computador em ação e conseguiu descriptografar rapidinho a senha. O resultado: Não deu outra, acharam a carteira para onde estava indo o dinheiro do golpe.

Moral da história: se você for cometer um crime online, não salve um arquivo que entrega o ouro na nuvem.

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Na verdade, eu espero que você não cometa crime nenhum, mas que saiba que é importante se proteger. Por mais seguro que esses sistemas sejam, se está na nuvem, pode ser acessado por alguém, ainda mais no caso das autoridades. Não há nada mais seguro do que manter dados sensíveis offline.

São tantas piadas prontas nessa história!!! Imagina a audiência para setar o valor da fiança do casal. O juiz define a fiança em U$ 1 bilhão de dólares e o casal responde: aceita bitcoins? ?

Outro ditado antigo diz que roubar um banco é fácil, difícil é não ser pego. Mesmo na era digital, parece que essa máxima continua sendo real. É muito dinheiro pra esquentar e você fica muito visado.

Por causa do estilo do crime, o casal vem sendo chamado de “Bonnie e Clyde das Criptomoedas”, em uma referência a uma história real de um casal que nos anos 30 viajava pelos Estados Unidos assaltando postos de gasolina, bancos e matando quem cruzasse seu caminho. Essa história ficou tão famosa que Bonnie e Clyde viraram filme na década de 60, um sucesso de bilheteria que foi indicado a 10 Oscars, com uma regravação em 2019. Só procurar aí no Netflix pelo filme Estrada sem Lei, blz?

E já que estamos falando de Netflix, claro que os caras não perderam tempo - se bem que ficou fácil né, convenhamos. Essa história toda tem todos os elementos para uma série: assalto bilionário, hackers, lavagem de dinheiro, ostentação, é quase um roteiro pronto. E A Netflix também pensa assim, tanto que já está planejando uma série documental sobre o tema. E se você pensa que tudo isso é um spoiler e que o final você já sabe, veja bem: tem mais coisa no ar.

As autoridades conseguiram encontrar apenas parte do dinheiro. Uma grande parcela ainda continua desaparecida e não se sabe nem mesmo se eles foram os responsáveis pelo ataque hacker ou se o casal foi apenas fachada de um golpe muito maior. 

Há muitos mistérios ainda para serem revelados e esperamos que até o lançamento da série nós possamos ter mais respostas sobre o golpe do século.

E se você gosta do tema lavagem de dinheiro, aproveito e deixo aqui uma dica: Ozark! Essa série do Netflix mostra uma família que foge de Chicago e vai morar no Lago Ozark, próximo a Kansas City, tendo como atividade de fachada ser dono de Cassinos, Funerária e outras formas de lavar dinheiro e sumir com corpos para a máfia mexicana. Uma verdadeira história de anti-heróis bastante em evidência em Hollywood, e que mostra como uma família inteira se afunda cada vez mais em mentiras, crimes e tretas variadas. Muito bom. Vale conferir.

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Jacson Boeing

Apaixonado por tecnologia, gadgets e pelo universo geek em geral, Jacson Boeing é sócio-fundador e Editor do Adrenaline, onde desenvolve um trabalho de bastidores, desenvolvendo parcerias e formas criativas de dominar o universo! Fora os sonhos ambiciosos, também ajuda no desenvolvimento de pautas e escreve esporadicamente sobre tecnologia, além de viajar para cobrir in-loco alguns eventos internacionais considerados importantes dentro da estratégia de expansão do Adrenaline.

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Wikerson Landim

Jornalista desde 2003, atualmente é Editor dos sites Mundo Conectado e Adrenaline. Em quase duas décadas, foi editor de diversos sites de tecnologia, games e entretenimento, além de produtor de conteúdo para sites corporativos. Nas horas vagas assume o volante para dirigir caminhões no Euro Truck e em todos os jogos de corrida que surgirem pela frente.

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