Ficção científica ou realidade? Cientistas criam bolha de dobra e velocidade da luz poderá ser superada

Mas por enquanto nada de nave espacial, apenas em nanoescala - e em laboratório

Imagine poder viajar pelo espaço, de um planeta para outro, superando a velocidade da luz. No mundo real isso ainda não é possível, mas esse sempre foi um sonho de engenheiros espaciais e escritores de ficção científica. Será que algum dia conseguiremos essa façanha? Com o sucesso das missões da Space X, de Elon Musk, e da Blue Origin, de Jeff Bezos, o tema viagem espacial está novamente em evidência e se depender de pesquisadores norte-americanos, parece que será possível estabelecer um novo marco. Eles descobriram por acaso uma espécie de bolha de dobra, que teoricamente permitiria que naves espaciais superassem a velocidade da luz.

Mas antes de entrarmos na bolha de dobra, é preciso entender alguns conceitos:

  • Não existe nada mais rápido no universo do que a velocidade da luz. De acordo com a Física moderna, nada pode ser capaz de superar a marca dos 300 mil quilômetros por segundo – ou 299.792 quilômetros por segundo para ser mais exato.
  • A Teoria da Relatividade, formulada por Einstein, mostrou que a relatividade é restrita, ou seja, eventos que ocorrem simultaneamente em um referencial de tempo não são necessariamente simultâneos em outro referencial. O filme Interestelar, de 2014, ilustra bem isso: uma hora viajando para um planeta próximo a um buraco negro equivale a 7 anos na Terra.

Isso colocado, será que existe um jeito de ir mais rápido do que isso sem violar as leis da Física?

Velocidade de dobra a todo vapor

É aí que entra em cena a dobra espacial ou velocidade de dobra. Esse conceito se popularizou na série de TV Star Trek, também conhecida no Brasil como Jornada nas Estrelas, que estreou no final dos anos 60. Para poder chegar aonde homem nenhum jamais esteve, em Star Trek as naves utilizam os chamados “motores de dobra”. Eles “dobram”, ou comprimem a matéria a frente da USS Enterprise - e outras naves - fazendo com que essas naves se desloquem a velocidades muito maiores no espaço. Para se ter uma ideia, na série a dobra 9,6 – ou 9 vezes a velocidade da luz – é a mais alta possível.

Ok, mas se isso é ficção científica, como se aplica no mundo real?

As dobras espaciais são estudadas há muito tempo. Em 1994 o físico Miguel Alcubierre publicou um artigo científico defendendo a ideia de que as viagens em velocidade de dobra que vemos em Star Trek são mesmo possíveis.

Mais recentemente, pesquisadores norte-americanos financiados pela DARPA – a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa – descobriram de maneira acidental uma “bolha de dobra”. Nos estudos eles conseguiram identificar uma nanoestrutura capaz de gerar uma densidade de energia de vácuo negativa. Traduzindo, uma bolha de dobra em nanoescala.

Colocando isso de uma forma ainda mais simples: é como se o espaço à frente da nave se contraísse, e o espaço atrás se estendesse, fazendo com que o espaço passe pela nave – e não que a nave passe pelo espaço. Só que para produzir isso seria preciso gerar uma espécie de energia negativa – e ninguém sabe como gerar isso. Ou melhor, não se sabia.

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Os testes vão continuar e se tudo der certo teremos a possibilidade de que objetos em nanoescala possam viajar em dobra, ou seja, em velocidades mais altas do que a velocidade da luz.

E nos voos espaciais, quando isso será possível? Não vai ser tão cedo. Isso porque ainda que teoricamente isso seja possível, a quantidade de energia necessária para que um objeto do tamanho de uma espaçonave possa viajar em dobra é imensa e ainda não encontramos um jeito de fazer isso. Por isso, o primeiro passo são os testes em nanoescala.

E não é só isso. Com as tecnologias que existem na atualidade, o corpo humano não suportaria viajar na velocidade da luz, pois seríamos esmagados pela força G. Nós suportaríamos, no máximo, pouco mais do que metade disso.

A pesquisa é um pequeno passo para os cientistas, mas um grande passo para a humanidade. Espero que eu entre para a história com essa frase. 

Ainda por muitos e muitos anos a velocidade de dobra para viagens espaciais vai continuar sendo coisa só de ficção científica mesmo.
 

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Jacson Boeing

Apaixonado por tecnologia, gadgets e pelo universo geek em geral, Jacson Boeing é sócio-fundador e Editor do Adrenaline, onde desenvolve um trabalho de bastidores, desenvolvendo parcerias e formas criativas de dominar o universo! Fora os sonhos ambiciosos, também ajuda no desenvolvimento de pautas e escreve esporadicamente sobre tecnologia, além de viajar para cobrir in-loco alguns eventos internacionais considerados importantes dentro da estratégia de expansão do Adrenaline.

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