Rover chinês revela o que realmente era a "Cabana na Lua"

Apesar do tumulto na internet, Yutu 2 mostrou em nova foto que se tratava apenas de uma rocha

No fim de 2021, a agência espacial chinesa CNSA compartilhou uma imagem que chamou muita atenção na internet. Uma imagem tirada pelo rover Yutu 2, um robô chinês que está na Lua para a exploração do satélite natural da Terra.

Em sua chegada, o robô tirou uma foto que gerou uma grande discussão na internet porque muitas pessoas olharam para ela e ficaram extremamente curiosas para saber o que era aquele ponto que se sobressaía na linha do horizonte.

Para alguns, aquela era uma estação espacial revelada por acaso, outras chegaram a afirmar que era uma cabana na Lua.

Teve gente, inclusive, dizendo que esta teria sido uma foto postada por engano pela agência chinesa. Seguindo a dúvida de diversas pessoas, a agência moveu o rover até o ponto de interesse. E agora, finalmente sabemos o que era e definitivamente não é uma cabana. Era justamente o que a maioria esperava, uma rocha.

Neste vídeo comento vários aspectos curiosos e interessantes sobre esse assunto envolvendo a agência chinesa e as principais dúvidas acerca desse tema. Comento os planos da China na exploração da Lua, detalhes sobre o Rover Yutu 2 e também falo sobre o lado escuro da Lua, local onde o robô chinês está explorando.


Missão Chang’e 4 e Yutu 2

O ponto básico que precisamos entender é: tem um robô da China na Lua. E além disso, onde ele está e por quê. Qual é o motivo de ele estar lá? 

Em dezembro de 2018 a China deu início à missão Chang'e 4 com o objetivo de explorar o Lado Escuro da Lua.

Está é uma região que acredita-se ter recebido um antigo evento de colisão, o que teria formado uma grande cratera por lá. Uma região hoje conhecida como Bacia de Aitken, com cerca de 13 quilômetros de profundidade e 2500 quilômetros de diâmetro.

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E essa bacia tem várias outras crateras formadas por outros impactos de asteroides. Esse é um lugar que até não tinha sido investigado de perto por uma agência espacial, então a China queria chegar lá e ver o que tinha. A ideia de mandar o robô Yutu é simples, apesar de ter uma execução extremamente complexa.

O objetivo principal era medir a composição do solo no local, mas há ainda vários outros a serem cumpridos com o rover por lá.


Lado escuro da Lua

O que é este tão falado lado escuro da Lua onde está o rover chinês?

O lado escurolado oculto. ou lado mais distante da Lua se refere na verdade a um lado que a gente não vê da Terra. Olhando daqui vemos sempre a mesma face da Lua. E o lado escuro é escuro? Na verdade não, ele recebe luz solar assim como o outro lado visível daqui.

E para entender melhor isso precisamos entender a rotação gravitacional do nosso satélite.

A Lua tem um ciclo de dias assim como a Terra, o sol nasce e se põe, pensando do ponto de vista de lá. Um dia na Lua é equivalente a 30 dias terrestres, contanto um período escuro e um período claro, como é o nosso conceito de dia por aqui.

Então cerca de duas semanas claras e duas semanas escuras. Demoram 30 dias nossos para completar um dia lunar.

E é levando isso em consideração que o Yutu 2 faz sua recarga de energia. Quando é dia ele aproveita a luz solar pra abastecer suas energias com seus painéis de captação de energia solar. E do contrário, quando é noite, ele fica paradinho a temperaturas que podem chegar a 170 graus abaixo de zero.

E é aí que a gente vemos as fases da Lua, daqui da Terra. Porque basicamente a rotação da Terra com a Lua e a luz do Sol se encaixam em ciclos gravitacionais que resultam nisso.

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A gravidade da Terra força a Lua a voltar sua face para cá enquanto ambos giram e recebem luz solar.

Mas tudo isso pra dizer que sim, o termo lado escuro é fraco, lado oculto ou lado mais distante fica melhor e é onde o rover chinês está neste momento.


Descobertas do Rover Yutu2

E aqui entra um detalhe importante e curioso. A comunicação do lado distante da Lua com a gente é mais difícil justamente por ser mais distante e não ser diretamente apontada para cá. Também até então ninguém tinha conseguido enviar dados daquela região.

Para conseguir isso, os chineses colocaram um satélite para orbitar a Lua, ele recebe os dados colhidos e os envia para o nosso planeta.

Bom e o que se descobriu até agora? Outro ponto interessante de ir a uma cratera profunda na Lua é conseguir ter uma medida justamente mais profunda das camadas da crosta, conseguindo identificar melhor sua composição.

E você pode se perguntar, mas também não daria para colher parte do solo de lá e trazer para cá para que pudesse ser analisada? Bom… sim.

Isso foi feito pela missão Chang’e 5, lançada no dia 23 de novembro e que aterrissou por lá no dia primeiro de dezembro de 2020. Ela já voltou de lá com 2kg de amostras.

Só que a Chang’e 5 esteve na região mais próxima e não na mais distante como a Chang'4 responsável por enviar Yutu 2.

E só pra esclarecer, esse ato de pegar material da Lua já foi feito também pela União Soviética e pelos Estados Unidos. Nossas primeiras informações precisas sobre o solo lunar foram tiradas destes estudos da corrida espacial vivida na época da Guerra Fria. E nós sabemos que ela é composta em sua maioria por ferro, silício, cálcio, alumínio e outros elementos. Vale ressaltar, é claro, que a quantia de cada elemento também varia de acordo com cada região.

Os chineses também conseguiram utilizar um radar para ler as camadas da Lua.

O radar utilizado dez a leitura de uma primeira camada de terreno fino de 12 metros de profundidade, formado por rochas antigas amassadas por meteoros e corroídas pelo efeito da radiação solar.

Uma segunda camada de cerca de 24 metros formada por rochas de meio metro e dois metros de comprimento.

E mais abaixo, até a região onde o radar conseguiu penetrar, a cerca de 40 metros , existe um terreno misto com camadas de terra fina e rochas.


Os planos da China na Lua

A China está fazendo grandes investimentos para a exploração espacial e tem divulgado seus planos para uma parceria com a Rússia. A ideia dos dois países é montar uma base por lá até 2030.

Esse plano, no entanto, não inclui pessoas num primeiro momento, primeiro será feita uma preparação de terreno para depois serem enviados astronautas para o solo lunar.

E falando em possibilidades, vale lembrar que há água por lá. Mas água não simplesmente, gelo. Isso nos polos, onde a incidência de raios solares é bem menor.

O gelo em questão foi encontrado dentro das crateras dos polos e os cientistas esperam poder utilizá-lo para transformá-lo em água para fazer combustível . Apesar de parecer um futuro distante, a exploração desse gelo permitiria que a Lua virasse um ponto de parada central de exploração espacial.


Mas e a cabana na Lua?

Agora que a gente já sabe a história por trás da cabana, acho que vale a reflexão sobre como esta imagem foi vista por algumas pessoas.

07/01/2022 às 17:40
Notícia

"Cabana" na lua encontrada por rover chinês era jus...

Imagem registrada pelo rover Yutu 2 de "cubo" gerou especulações nas redes

Imagine que você faz investimentos de bilhões em tecnologia. Você estuda por décadas o espaço, faz simulações, testes controlados, um foguete, uma sonda, faz um lançamento em direção à Lua, pousa com segurança suando frio, consegue investigar o solo, transmite uma imagem à Terra e faz uma postagem mostrando para outros humanos. O resultado? As pessoas olham para a imagem e apontam uma cabana lunar, que nunca existiu.

E tudo bem. Até certo ponto. Isso porque há um limite trágico, já que algumas pessoas simplesmente negaram a informação com o argumento de: vocês acham que a China está falando a verdade?

Algumas pessoas simplesmente preferiram acreditar que aquela rocha na verdade é uma cabana. E com certeza a agência chinesa lidou com a situação com muito bom humor, brincou dizendo que realmente desvendaram o mistério dela, realmente é uma nave abandonada”, uma base alienígena.

O Rover Yutu 2 continua por lá investigando e assim que tivermos mais informações relevantes sobre o assunto voltamos por aqui para compartilhar com vocês.

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Neri Neto

O universo geek faz parte do dia a dia, da vida, deste jornalista. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Neri Neto é responsável por conteúdos diversos no Mundo Conectado. Ele adora tecnologia, cinema, games e descobriu ainda na infância que a linguagem dos vídeos seria perfeita para falar de tudo que ama.

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