Usamos (e destruímos) um Mi Watch, o "Apple Watch" da Xiaomi

Foi bom enquanto durou? Contamos nossas impressões!

Recebemos um tempo atrás o Mi Watch, relógio inteligente da Xiaomi com um alvo claro em mente: fazer frente ao Apple Watch e agradar quem quer um relógio inteligente mas não quer entrar no ecossistema da Apple e, principalmente, encarar o preço do Watch da empresa da maçã.

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05/04/2020 às 17:40
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Mi Watch: tiramos da caixa o clone do Apple Watch e mostramos...

Não é tão simples conectar a versão chinesa do vestível, veja como fazer

Usamos o relógio da empresa chinesa por aproximadamente três semanas e vamos contar todas as impressões que conseguimos extrair da experiência até quando destruímos o produto. Não é um procedimento padrão incluir o "drop test" em vestíveis, mas é algo que acontece, especialmente em um gadget que manipulamos tanto. Mas além de não se dar bem com o chão, o que mais achamos do Mi Watch? Vamos ao resto da análise!

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Começando pelo básico, o Mi Watch é um relógio inteligente completo. Ele vai bem mais longe que outros produtos que estamos acostumados a associar com a marca, como a Mi Band. Isso impacta bastante em suas capacidades, no seu design e no seu preço.

Principais especificações:

- Tela de 1,78 polegadas AMOLED, 368 x 448, Corning Gorilla Glass
- Processador Qualcomm Snapdragon 3100
- 1GB de RAM, 8GB de armazenamento
- Suporte a eSIM- Bateria de 570 mAh- NFC
- GPS, sensor de batimentos, luminosidade, barômetro, bússola, acelerômetro, giroscópio, proximidade
- Materiais: liga de alumínio e pulseira de silicone
- Peso: 55 gramas

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Começando pelo design, ele é um relógio um pouco mais parrudo, com construção em metal, um vidro com acabamento curvado e um tanto exposto (a tragédia parece anunciada...) e dois botões, um no estilo coroa e outro tradicional. O botão coroa pode ser usado para rolar as informações da tela, enquanto o botão é usado como atalho, além de ser possível navegar pela interface com comandos de toque na tela.

O display é belíssimo, com alto contraste do AMOLED e também uma resolução suficiente para imagens com ótima definição. A pulseira original é de silicone e tem boa qualidade, além de ser confortável de usar. A Xiaomi optou por usa um estilo de encaixe tradicional de pulseira de relógios, então não deve ser muito trabalhoso achar uma que combine com seu estilo.

No design e no hardware a empresa acertou, com um belo relógio e com ótimo desempenho

Em resumo: o hardware convence. Além do belo visual e o capricho nos acabamentos, o chip Snapdragon 3100 sobra em performance e o relógio é muito responsivo. Mas um bom gadget é uma mistura de hardware e software, e agora os problemas vem forte.

Estamos testando uma versão chinesa, sendo que a versão global até já foi confirmada por um representante da empresa, e até temos outros movimentos indicando que a empresa está preparando essa versão, mas ainda não foi lançado uma versão para o ocidente.

Isso significa que o Mi Watch de nossos testes traz várias dificuldades para quem tenta usá-lo fora da China. O primeiro inconveniente vocês viram em nosso vídeo de unboxing e primeiras impressões, que acabou virando um tutorial de como configurar a pulseira, algo que envolve até baixar apks para funcionar.

Passado esse perrengue, passamos a lutar com a localização do produto. Apesar de estar disponível a língua inglesa, a verdade é que muitos dos apps embarcados simplesmente não funcionam em outra língua que não seja o mandarim. Resultado é que várias funcionalidades como o app de exercícios, uma das telas iniciais com múltiplas notificações e widgets, além outras várias coisas que nem sei o que são, ficam impossíveis de usar. 

Aqui vai então a primeira e crucial informação pra quem está de olho nesse relógio: melhor esperar a versão global, pois a versão chinesa tem um impacto grande demais na experiência do consumidor, inutilizando vários serviços e apps. O app de exercícios, por exemplo, simplesmente não carrega o mapa dos deslocamentos rastreados pelo GPS, por exemplo.

Vários serviços não operam corretamente no Brasil

Várias outras coisas também ficam inutilizados. A configuração do eSIM é algo pouco acessível, então é ainda mais difícil quando falamos de um produto que nem foi adaptado para o mercado brasileiro. Assim como a interface do relógio, os comandos por voz não funcionam em nossa língua. Outra funcionalidade do produto que é o pagamento por aproximação, obviamente, também fica de fora.

Aqui é bom destacar que isso não é uma limitação da versão chinesa do produto, apenas. Mesmo que a Mi Watch ganhe uma versão global, é pouco provável que vejamos uma localização para o mercado nacional, já que a Xiaomi não atua mais diretamente por aqui, somente por terceiros.

Isso impacta no terceiro problema e para mim a última pá de terra nesse produto: ele é baseado no "defunto" Google Wear OS. O sistema da Google para vestíveis nunca decolou, e faz tempo que parceiras relevantes como Samsung e Huawei abandonaram o barco e partiram para sistemas operacionais próprios. A baixa disponibilidade de apps junto com as vendas pífias de relógios com esse sistema fazendo ecossistema em torno do Wear OS ser um beco sem saída faz anos, e a Xiaomi parece ser uma das poucas jogando suas fichas por aqui.

E é aí o ponto crítico desse produto. A Xiaomi tem peso para criar apps que faltam e encorpar o ecossistema e tornar esse relógio um produto mais completo no mercado chinês, mas a empresa não vai usar sua relevância para compensar essas deficiências adaptando seus apps pensando no mercado nacional. Na melhor das hipóteses, pode buscar algo em mercados como a Eurásia, mas é altamente improvável que vejamos parecerias com bancos nacionais para implementar pagamentos por proximidade, ou planos de telefonia para habilitar o eSIM.

No fim, a quantidade de funcionalidades que se perdem por falta de adaptação ao nosso mercado, fazem com que faça muito mais sentido comprar produtos mais básicos que fazem o que a Mi Watch consegue no país. Como há poucos apps no Wear OS, o eSIM não funciona, o NFC também não, além de comandos por voz sem compatibilidade em nossa língua, no fim do dia faz mais sentido comprar um modelo como uma Amazfit GTR/GTS, se quer um belo relógio que exibe notificações e monitora exercícios, ou parta para modelos como a Samsung Galaxy Watch LTE. Ele é mais caro, mas tem boa parte dessas funcionalidades operando no Brasil.

Mesmo com a chegada da versão global do Mi Watch, fica difícil ter certeza de quantas funcionalidades realmente vão estar disponíveis para uso por aqui

 

E para encerrar, a forma com o destruímos o vestível. Resistência é um tópico relevante em um dispositivo que vamos carregar sempre conosco, e exposto, não em uma mochila. O falecimento do gadget aconteceu em uma queda da altura da cama, pouco menos de um metro, quando ele aterrisou com a tela para baixo com uma das quinas e resultando na destruição do display.

Difícil atestar ou não a falta de resistência de um produto baseado apenas em um acidente, porém é relevante considerar que já tenho uma quantidade relevante de relógios inteligentes testados, com vários deles tomando trombadas contra a parede ou mesmo caindo no chão, e esse é o primeiro a ser destruído durante os testes, o que me deixa bastante inseguro sobre sua durabilidade.

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Diego Kerber

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

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