O que acontece agora com os celulares da Huawei? E como fica o futuro da empresa?

O que acontece agora com os celulares da Huawei? E como fica o futuro da empresa?

Explicamos como a ordem executiva pode afetar os aparelhos

[+update]: Recebemos o posicionamento oficial da Huawei no Brasil, que é:

Todos os smartphones existentes do portfólio Huawei, ou seja, aqueles que já foram vendidos e aqueles que estão atualmente à venda e em estoque, podem ser usados normalmente e não serão afetados. Além disso, esses dispositivos podem continuar a usar e atualizar serviços do Google, como o Google Play, o Gmail, etc. Da mesma forma, esses produtos continuarão recebendo atualizações dos patches de segurança do Google e poderão atualizar, sem nenhum problema, todos os aplicativos disponíveis no Google Play, incluindo todos os aplicativos de terceiros.

Aproveitando a atualização no assunto, temos também um vídeo falando dessa disputa entre o governo americano e a empresa chinesa.

[+texto original]:

Com a ordem executiva americana trazendo um impacto gigantesco para a Huawei, surge a dúvida de como fica a empresa chinesa e seus aparelhos já que até mesmo a Google está na lista de empresas que irão participar desse bloqueio à gigante chinesa.

20/05/2019 às 09:02
Notícia

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Para os donos de aparelhos da empresa, como os recém-lançados no Brasil Huawei P30 Pro e Huawei P30 Lite, não há com o que se preocupar: os aparelhos continuarão funcionando normalmente, inclusive recebendo atualizações de software com recursos importantes, como melhorias de segurança e novas funcionalidades.

O problema surge principalmente para novos aparelhos. A Google  está impedindo a Huawei de passar pela certificação do Compatibility Test Suite (CTS), processo em que a empresa americana homologa aparelhos e disponibiliza seus serviços. Sem o CTS, um aparelho não recebe a suíte de aplicativos da Google, com apps como YouTube, Gmail, Chrome, Calendário, e vários outros elementos centrais da experiência com o sistema Android, como a loja de aplicativos Google Play.

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Aparelhos continuarão recebendo atualizações e funcionaram normalmente

O Android é um sistema de código aberto e livre, então pode ser implementado sem necessidade nenhuma do certificado da Google, porém é evidente o impacto negativo na experiência com o sistema se ele chega sem aplicativos tão essenciais para o funcionamento do Android, mesmo sendo possível instalá-los posteriormente de forma manual, pelo usuário.

Não é à toa que a empresa vinha trabalhando em um sistema operacional próprio, antecipando a escalada de tensões com o governo americano. No mercado chinês o impacto é muito menor, já que os aplicativos da Google já são barrados pelo governo chinês, sendo substituídos por softwares locais e com controle intenso da administração em Pequim.

As sansões aplicadas à Huawei deve impedir seu crescimento no mercado de smartphones

Apesar dos aparelhos atualmente no mercado ainda receberem atualizações, isso não significa que impactos deixarão de existir. A Huawei também deixou de ser uma empresa parceira do desenvolvimento do Android, e com isso não terá mais acesso a versões beta do sistema. Sem poder ter esse acesso antecipado às novas implementações do sistema da Google, a empresa perde muita agilidade no desenvolvimento e adequação de sua interface, a EMUI, os novos lançamentos da Google.

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Esse golpe atinge em cheio as ambições da empresa chinesa de se tornar a maior fabricante de celulares ainda em 2019. Além do software, o próprio hardware está em risco, já que múltiplas fornecedoras de chips também não estão mais realizando a venda de suprimentos para a Huawei. Mesmo considerando seus possíveis estoques, a empresa deve ficar eventualmente sem componentes para fabricar novos modelos, e mesmo possuindo alguns modelos próprios de chips como o SoC, caso da linha Kirin, e ser uma referência em modem e 5G, é irrealista imaginar que a empresa consiga fazer sozinha todos os hardwares necessários para fabricação de um celular.

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A Huawei é uma gigante na área de telecomunicações, atuando muito além da venda de celulares. A empresa é uma das principais concorrentes pelo crescente mercado do 5G, e esse impedimento de negociações imposto pela ordem executiva também deve dificultar a expansão nesse segmento crucial para o futuro da empresa e também do mercado de tecnologia como um todo. A pressão americana, porém, não é novidade, com os Estados Unidos desencorajando o uso de tecnologias da Huawei na implementação do 5G alemão. Apesar do lobby, o órgão de regulamentação da telecomunicação alemã manteve a participação da Huawei na disputa pela construção da rede 5G no país.

A disputa entre a Huawei e o governo americano é uma importante cruzada da administração Trump contra a empresa chinesa. Os Estados Unidos acusam a Huawei de roubar segredos comerciais, ignorar sansões ao governo iraniano e também atuar espionando em favor do governo chinês, acusações que inclusive já levaram à prisão de um executivo da empresa

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Diego Kerber

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

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