Uber: documentos vazados mostram violação de leis e pressão a governos

Informações foram vazados por um lobista que integrou a equipe da Uber entre 2014 e 2016

Uber: documentos vazados mostram violação de leis e pressão a governos
Créditos: archzine.fr

De acordo com informações obtidas dos documentos vazados por um lobista chamado Mark MacGann, que integrou a equipe da Uber entre 2014 e 2016 (e publicado pelo The Guardian, jornal diário britânico), a empresa cometeu diversos tipos de abusos contra os motoristas da plataforma e violou a lei de vários países. Mais de 124 mil documentos foram analisados, e as investidas que serão explicadas afetaram também os serviços de táxis, os principais concorrentes por muitos anos.

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Travis Kalanick, cofundador da empresa, foi o administrador no período analisado. Durante o início da expansão comercial do seu modelo de negócios por aplicativo, segundo informações compartilhadas pela mídia internacional, a companhia de transporte privado urbano violou diversas leis ao cortejar figuras públicas e autoridades locais, com o objetivo de obter vantagens. Altos executivos da companhia confessaram recentemente essas informações.

MacGann, para o The Guardian, afirmou:

“A abordagem da empresa nesses lugares era essencialmente quebrar a lei, mostrar o quão incrível era o serviço da Uber e depois mudar a lei. Meu trabalho era passar por cima das autoridades da cidade, construir relações com o mais alto nível do governo e negociar. Foi também para lidar com as consequências”.

Outra informação divulgada pelo lobista é a confirmação da implementação da tecnologia conhecida como “Heaven” (“Paraíso” em uma tradução livre e literal), ou simplesmente “God View”. Com essa ferramenta, seria possível o monitoramento de usuários do aplicativo em tempo real, em qualquer parte do mundo que o serviço estivesse disponível. A Uber informou, por comunicado, que esse tipo de instrumento foi descontinuado em 2017, e complementou dizendo que “nunca deveria ter sido utilizado”.

(Travis Kalanick / Créditos: Reuters/Lucas Jackson)

Privacidade dos usuários não foi respeitada

A privacidade dos passageiros poderia ser um problema, mas muitos governos interpretaram a entrada da empresa nos seus respectivos mercados com positividade. O app era considerado uma opção de trabalho flexível, e que poderia ajudar na reestruturação de economias que superaram crises financeiras. Porém, problemas relevantes foram registrados na França, durante a presidência de François Hollande — entre 2012 e 2017

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O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, não tinha um bom relacionamento com o lobista, e o ameaçou de prisão, caso não deixasse de atuar no país; contudo, Emmanuel Macron, atual Presidente da França, mas ministro da economia no período destacado, era considerado um forte aliado da Uber. As informações demonstram que trocas de mensagens entre Macron e MacGann existiram, e que reclamações sobre “batidas no escritório”, e até reclamações de proibições dos serviços em Marselha, foram registradas.

Travis Kalanick, cofundador da empresa, teria afirmado que, mesmo se fossem recebidos com agressividade, “valeria a pena, uma vez que a violência garantiria o sucesso”.

A seguir, os taxistas franceses realizaram manifestações contra a concorrência considerada desleal, mas elas pouco impactaram os executivos locais. Ainda seguindo o vazamento, o cofundador da Uber, Kalinick, teria minimizado os alertas de preocupação dos seus funcionários, com a possibilidade dos motoristas da sua companhia serem hostilizados, se comparecerem em um protesto de taxistas na França. O homem teria afirmado que, mesmo se fossem recebidos com agressividade, “valeria a pena, uma vez que a violência garantiria o sucesso”.

Após a divulgação dessas informações, um porta-voz de Travis Kalanick afirmou: “(o cofundador) nunca sugeriu que a Uber deveria tirar vantagem da violência em detrimento da segurança do motorista” — e complementou dizendo que qualquer informação que afirmasse que ele estaria envolvido em uma atividade como essa seria “completamente falsa”.

O vazamento continuou, e mostrou que Macron persistiu com o seu projeto de auxiliar o aplicativo em seu período como ministro — oferecendo acesso facilitado aos membros da Uber aos membros da sua equipe. A figura política teria chegado a afirmar que “havia feito um acordo secreto com seus oponentes no gabinete francês”.

(Mark MacGann / Créditos: icij.org)

Atual presidente dos EUA também foi citado

O atual chanceler alemão, Olaf Scholz, teria sido outra autoridade que o lobista, MacGann, se reuniu. Então prefeito de Hamburgo, insistiu que os motoristas recebessem um salário mínimo, e se opôs às ideias propostas pela companhia de transporte privado. Até o atual Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, quando ainda era vice de Barack Obama, teria se encontrado com Kalanick durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.

Posteriormente, Biden chegou a afirmar que um CEO daria a milhões de trabalhadores: “liberdade para trabalhar quantas horas quiserem, gerenciar suas próprias vidas como quiserem”. E não só Biden foi citado como uma figura relevante no encontro de Davos. Ex-comissários da União Europeia, e o então primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assim como o ex-chefe de governo irlandês, Enda Kenny, foram igualmente ressaltados.

Voltando para o presente, a Uber vale mais de US$ 43 bilhões, e é responsável por mais de 19 milhões de viagens diariamente em suas áreas de atuação. Durante a sua jornada, superou totalmente, e até mesmo substituiu, o serviço de táxi em mais de 40 países que precisou se reinventar nas últimas décadas.

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(Emmanuel Macron / Créditos: Reuters)

Uber enfraqueceu táxis como modelo de negócio

Mesmo sabendo que os seus modelos de negócios iniciais não eram sustentáveis a médio e longo prazo, por meio de um financiamento com capital de risco, a companhia subsidiava as viagens consideravelmente tática responsável por atrair novos motoristas para a plataforma, e também chamando a atenção de novos passageiros.

Com todas as táticas que usou ao longo dos anos, conseguiu diminuir a atuação dos táxis, e usou todos os artifícios possíveis para pressionar os governos a reescreverem as leis — ajudando na atuação do modelo de trabalho por aplicativos que, nos últimos anos, se espalhou por muitos países. Em 2016, foi planejado um gasto estimado em mais de US$ 90 milhões, destinado para o lobby e às relações públicas para suprimir reações que poderiam atrapalhar os projetos traçados.

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Caso não fosse possível agir dentro da lei, a tática consistia em procurar caminhos não oficiais para alcançar os resultados. Outra medida exposta foi a tentativa de moldar debates políticos, com pagamentos aos acadêmicos relevantes para as discussões sobre este tópico, para que produzissem pesquisas que apoiassem as afirmações da Uber, sobre os supostos benefícios do seu modelo econômico.

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Fonte: theguardian.com, veja.abril.com.br, icij.org

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