8 em 10 brasileiros confrontariam o parceiro se encontrassem um programa espião no celular

Uso de spywares e práticas de perseguição estão relacionadas com violência doméstica

8 em 10 brasileiros confrontariam o parceiro se encontrassem um programa espião no celular
Créditos: Reprodução

Uma das conclusões mais alarmante do estudo “Stalking online em relacionamentos” da Kaspersky é que 83% dos brasileiros confrontariam seu/sua parceiro(a) caso descubram que estão sendo espionados no celular. Para as especialistas ouvidas pela Kaspersky, esta situação pode motivar a violência doméstica, e por isso é desencorajada. A melhor solução é buscar apoio jurídico e policial para garantir uma proteção física e digital consistente

25/05/2022 às 08:20
Notícia

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Stalking tem relação com violência doméstica

A preocupação com a situação é válida, pois o mesmo estudo já mostrou a relação direta entre o stalking (perseguição) digital — que é um crime — e a violência doméstica, além de indicar que as mulheres são as principais vítimas. No entanto, o entendimento entre as especialistas ouvidas pela Kaspersky é que esse confronto com o parceiro (abusador) em um contexto de monitoramento não-consentido poderá aumentar as chances de uma violência doméstica ocorrer.

“Os casos de abuso doméstico que pude acompanhar mostram que a escalada da violência ocorre toda vez que a vítima tenta uma resistência ou tenta interromper esse ciclo. Normalmente é um “basta”, “vou embora” ou “quero me separar”. Esse tipo de confronto faz a agressão subir um ou mais degraus. Neste contexto, ao imaginarmos o desconforto do abusador ao ser descoberto e, ao mesmo tempo, ter que explicar suas ações, podemos afirmar com um certo nível de confiança que haverá uma agressão, possivelmente física”, contextualiza e explica Raquel Marques, presidente da Associação Artemis (que atua na prevenção e erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres) e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade de São Paulo.

Já a delegada de polícia com atuação especializada em crimes digitais e violência contra mulheres, Milena Lima, aponta uma curiosidade que o estudo não abordou. “Sempre vemos abusadores “justificando” uma agressão no sentido de que a vítima provocou a situação ao confrontá-lo e que ele não queria agredi-la. Temos que combater essa narrativa machista e criminosa, pois a vítima normalmente está em uma situação de fragilidade, quando, na verdade, a lei a protege em todas as situações de vulnerabilidade, independente se ela iniciou ou não eventual discussão não havendo justificativa para ofensas físicas ou verbais.”

A pergunta sobre se a pessoa confrontaria o(a) parceiro(a) foi feita de maneira objetiva. Já em outro questionamento, o estudo examinou, de maneira geral, o que as pessoas fariam caso encontrassem um app espião no celular. Os resultados no Brasil mostram que 55% deletariam o programa, 47% investigariam o caso e falariam com o abusador e 33% procurariam na internet o que fazer. As atitudes de “procurar ajuda” aparecem apenas depois, sendo que 23% buscariam ajuda técnica, 21% a polícia e 20% um centro de apoio.

Como agir em casos de stalking no celular?

“O direito trabalha com base em fatos que podem ser comprovados e, neste sentido, as vítimas precisam saber que, ao apagar o programa de monitoramento, ela está jogando fora a prova cabal que sustentará o crime de perseguição (stalking). Para documentar o delito, as vítimas podem ir a um cartório especializado e solicitar uma ata notarial ou comparecer a uma delegacia de polícia. Mesmo que não haja equipe técnica, um escrivão pode preservar as evidências, certificando o que for vistoriado, pois ele tem fé pública. Outra opção é procurar uma assistência especializada para fazer uma preservação técnica ou até mesmo um parecer”, orienta Milena.

Além do suporte jurídico e policial, é importante lembrar que a vítima vive uma situação de vulnerabilidade e precisa de apoio emocional. “As vítimas ainda podem procurar a Defensoria Pública do seu Estado ou um Centro de Assistência Social para procurar orientação — além de um advogado. Há também organizações voluntárias que prestam atendimento especializado às vítimas de violência contra a mulher, porém o ecossistema atual não consegue atender a demanda. O trabalho da Associação Artemis visa justamente colaborar com a ampliação desse ecossistema de apoio. O destaque da pesquisa aos problemas do stalking e do abuso doméstico — além de muito bem-vindo — mostra a necessidade de ampliar os investimentos dessas estrutura de apoio”, destaca Raquel.

A pesquisa “Stalking online em relacionamentos” foi realizada a pedido da Kaspersky pela empresa de pesquisa Sapio de forma online em setembro de 2021 e abrangeu um universo de 21 mil participantes de 21 países, incluindo o Brasil. A motivação da empresa na realização deste estudo e sua posterior divulgação também está relacionada com o segundo aniversário da Coalizão Contra o Stalkerware —entidade que visa combater esta ameaça digital na qual a Kaspersky é cofundadora.

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Felipe Freitas

Felipe Freitas é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mas, segundo quase todo mundo, tem cara de quem fez Sistemas. Começou nos jogos com o SNES do seu tio, nunca passou da parte da montanha em Legend of Legaia e adora jogos com histórias bem feitas. Não perde a chance de fazer uma Jojo Pose.

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