Paquistão registra calor histórico de 49º graus em maio

A tendência é que eventos como esse se tornem cada vez mais frequentes

Paquistão registra calor histórico de 49º graus em maio
Créditos: Inézio Machado

A primavera de 2022 no hemisfério norte trouxe uma onda de calor extremo para a Índia e o Paquistão. Essa onda de calor iniciou em março e persiste até agora, em maio. 

Vários recordes diários e mensais de temperaturas máximas foram quebrados em muitos lugares. Termômetros atingiram a temperatura de 49ºC e esse calor veio acompanhado por um clima extremamente seco. Teoricamente, ondas de calor recordem geralmente coincidem com a seca, pois sem umidade, o solo seco aquece ainda mais sem o resfriamento da evaporação. Pelo menos 90 mortes já foram relatadas até agora, e esse número tende a aumentar

Trabalhar ao ar livre tem sido uma tarefa extremamente desafiadora. O efeito desse calor extremo sobre a agricultora já é significativo. As perdas da produção de trigo já são estimadas em 35% em áreas do norte da Índia. Com as exportações ucranianas do produto em queda por conta da guerra, a Índia tinha planos de aumentar sua exportação própria, mas infelizmente não conseguiu.

No Paquistão, o calor causou inundações por conta de um lago glacial que derreteu, destruindo uma grande ponte e vários edifícios, incluindo usinas de energia.

A World Weather Attribution aplicou uma análise usual ao calor até o final de abril para responder algo sobre como esse calor se relaciona com as mudanças climáticas. O objetivo não é dar um veredito final sobre esse se esse evento climático foi de fato causado pelas mudanças climáticas globais. Ao invés disso, os estudos se concentram em saber se podemos esperar ver mais ou menos desse padrão climático em um clima superaquecido. 

Esse estudo foi limitado à cobertura diária de dados registrados de temperatura de 1979 em diante para a área destacada em verde. Para estimar o efeito das mudanças climáticas, pesquisadores usaram uma grande coleção usual de modelos climáticos, incluindo simulações com e sem emissões de gases de efeito estufa causados pelo homem.

A partir dos dados históricos, o calor de março a abril registrado esse ano é estimado em uma probabilidade anual de 1%, o que é popularmente chamado de “evento de 100 anos”. Entretanto, nas simulações do modelo de um clima pré-industrial com 1,2ºC graus mais frio, o calor extremo seria em cerca de 3.000 anos. Em outras palavras, as mudanças climáticas tornaram essa onda de calor 30x mais provável.

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Em simulações de modelos de aquecimento futuro, se o mundo aquecer mais 2.0ºC, essa onda de calor se tornará 8x mais provável, o que significa que podemos esperar ver algo semelhante praticamente todas as décadas. Esses resultados não são exatamente uma surpresa, tendo em vista que as ondas de calor extremo estão entre as tendências mais claras causadas pelas mudanças climáticas.

A Imagem ao lado mostra a temperatura da superfície terrestre sobre a Índia. A World Weather Attribution destaca a necessidade de adaptações para salvar vidas naquelas regiões. Além da disponibilidade limitada de espaços com ar condicionado, cerca de metade da população desses países trabalha ao ar livre.

Várias cidades na Índia e no Paquistão já possuem “Planos de Ação de Calor” que incluem o plantio de árvores, telhados frios, alertas de eventos, centros de resfriamento com água e fornecimento de recursos aos hospitais para cuidar das pessoas. Esforços como esse se tornarão cada vez mais importantes à medida que as ondas de calor continuarem aumentando sua frequência e intensidade.

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Via: Arstechnica
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Tainan Toldo

Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina. Viciado em tecnologia, internet e mundo pop. Redator e Social Media no Mundo Conectado e no Adrenaline.

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