Funcionários das lojas Apple estão se organizando via Android para ter um sindicato
Créditos: Apple/Reprodução

Funcionários das lojas Apple estão se organizando via Android para ter um sindicato

Funcionários reivindicam melhores salários e condições de trabalho

Nem tudo são maçãs suculentas no pomar da gigante da tecnologia, Apple. A empresa dona do iPhone, o smartphone mais popular do mundo e que é avaliada em 3 trilhões de dólares, parece estar numa situação bem ruim quanto aos seus colaboradores do varejo.

Funcionários das mais de 270 lojas que estão em solo estadunidense - mais da metade das 500 lojas que a empresa tem espalhadas pelo mundo - reclamam de salários baixos, que não condizem com a inflação atual, entre outras demandas quanto ao ambiente de trabalho que a Apple oferece. Por esses motivos e pela empresa não dar uma resposta satisfatória, eles estão se organizando e dando início ao processo de sindicalização.

Funcionários da Apple Store se sindicalizam

Segundo uma reportagem do The Washington Post, os funcionários - que recebem por hora trabalhada - estão se organizando de forma discreta para formalizar a sindicalização. Pelo menos dois grupos de duas lojas de varejo da Apple já prepararam a documentação e são apoiados pelo National Labor Relations Board (Conselho Nacional de Relações Trabalhistas, em tradução livre) para dar o passo seguinte e ter suas demandas discutidas com o respaldo de um órgão especializado nesse tipo de ação. Há, pelo menos, mais meia dúzia de outros grupos que também estão entrando neste processo, mas em estágios menos avançados.

A sindicalização nos Estados Unidos há muitas décadas estava em baixa. Por ser o maior representante do capitalismo mundial, muitos setores conseguiram articular para que os sindicatos fossem extintos ou tivessem uma participação muito pequena na rotina de seus funcionários. Mas há alguns anos, os sindicatos - Union, em inglês - têm ganhado mais visibilidade e engajamento entre a força trabalhadora estadunidense.

Recentemente, mais de 80 estabelecimentos da Starbucks se inscreveram para a sindicalização. Isso aconteceu após a primeira loja dar o passo inicial, o que acarretou numa votação bem-sucedida em dezembro. Outras grandes empresas que tiveram um movimento parecido por parte dos funcionários foram a  Activision Blizzard - com a formação do sindicato Game Workers Alliance -, a loja de varejo REI e até a Google.

Ainda segundo o The Washington Post, o que acontece nesses casos, é que existe uma repressão dentro da própria empresa, com gerentes espionando os funcionários e colaboradores com cargos mais altos tentando dissuadir os outros a entrarem para os sindicatos.

Com medo de retaliações, os funcionários estão se reunindo em segredo e se comunicado por meio de mensagens criptografadas, utilizando smartphones com o sistema operacional Android, concorrente do iOS da Apple, com isso esperam evitar possíveis espionagens por parte da empresa.

E não é como se a Apple não tivesse  como atender essas demandas - principalmente porque mais de um terço do faturamento da empresa é gerado por essas lojas. Vendas pelo varejo representaram 36% da receita total de US$ 366 bilhões da empresa no ano fiscal de 2021.

Se a empresa mais rica do mundo não pagar a seus trabalhadores o suficiente para viver, quem o fará?” disse Cher Scarlett, engenheira de software que - segundo ela - foi desligada da empresa em retaliação por incentivar funcionários a compartilhar seus salários em uma pesquisa para expor possíveis disparidades salariais prejudicando grupos sub-representados.

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Fonte: The Washington Post
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Eddy Venino

Escreve sobre games, filmes, séries e tecnologia desde 2017. Já teve diversos projetos na área, entre sites especializados e podcast. Ama cultura POP e se der corda vai conversar sobre assunto por horas a fio, indo de Dragon Ball a literatura clássica. Idealizador do coletivo NOIZ; hoje tenta tornar o entretenimento um local mais receptivo para que todos possam curtir seu lado geek/nerd.

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