REMOTE ID nos EUA - Veja o que mudou na legislação para drones
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REMOTE ID nos EUA - Veja o que mudou na legislação para drones

O FAA acaba de publicar as novidades para a regulamentação dos drones no país

Leitura Rápida

  • A FAA publicou as atualizações para a regulamentação de drones
  • Algumas medidas já começam a valer a partir de 2021, enquanto algumas só entram em vigor em 2022
  • O Remote ID será obrigatório apenas em 2022
  • Enquanto as normas para para voos noturnos sobre pessoas já valem 60 dias após a publicação das normas
  • Todas as novidades são válidas apenas para os Estados Unidos, até o momento

Na última segunda-feira, dia 28 de dezembro de 2020, o órgão estadunidense FAA (Federal Aviation Administration), divulgou atualizações para suas regras de regulamentação para drones. Algumas novidades vão começar a valer a partir de 2022, enquanto outras já serão impostas 60 dias após a publicação do novo documento.

Em geral, as maiores modificações terão um período grande para conseguir se adaptar e se enquadrar nas novidades, já que envolvem mudanças dos equipamentos e drones. A maior modificação é a obrigatoriedade do Remote ID. Além disso, voos sobre pessoas à noite também passaram por atualizações. 

Remote ID

Para quem não sabe, o Remote ID é uma tecnologia que consegue transmitir a localização e identificação dos drones em tempo real. Todas essas informações são repassadas às autoridades locais, para que eles tenham o controle imediato de todo e qualquer voo que está sendo realizado. Isso será válido para qualquer equipamento com mais de 0,55 libras (cerca de 249 gramas), o que inclui opções populares, de uso menos profissional, como Mavic Air 2.

O Remote ID será como uma "placa virtual". Assim como os veículos terrestres precisam de documentações específicas para rodar nas estradas, o governo entende que o mesmo deve ser aplicado em drones. O objetivo é aumentar a segurança, evitando possíveis acidentes com colisões com aeronaves tripuladas. 

A FAA já confirmou que os usuários que decidirem não usar o Remote ID vão poder voar, mas os espaços serão restritos. Só será possível levantar drones em áreas designadas pelo órgão. Esses espaços ainda não existem e devem começar a ser catalogados apenas em 2022. 

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22/03/2020 às 17:16
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Essa nova regulamentação vai exigir uma série de adaptações. A principal é de que os drones vão precisar estar conectados o tempo todo. Isso pode fazer com que o custo mensal para manter o equipamento fique mais caro. Essa regulamentação ainda está sendo ajustada, portanto novidades podem surgir até entrar em vigor. 

Para entender detalhes sobre a tecnologia, veja o vídeo abaixo:

Voos noturnos sobre pessoas

Outra novidade é em relação à voos noturnos em lugares com pessoas. O FAA agora está redefinindo as regras. Atualmente, era necessário conceder isenções para voos à noite sobre pessoas, em pedidos únicos. A partir das novas regras, desde que o drone seja leve e com hélices fechadas, já será o suficiente para conseguir realizar os voos.

O órgão categoriza os equipamentos pelos seus tamanhos, estabelecendo regras diferentes para cada setor. Há quatro categorias, até o momento, que dividem os drones por semelhanças. Dependendo de onde o equipamento se encaixa, diferentes exigências são feitas. 

Para realizar os voos noturnos o drone deve ser equipado com luzes anticolisão. Elas precisam ser visíveis em até 3 milhas (4,8km) e ter uma taxa de flash suficiente para evitar uma colisão. Os pilotos também precisam ter feito treinamento online e ter teste inicial atualizado antes de realizar as operações. 

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Os drones com o peso acima dos 249 gramas, precisam garantir uma segurança para evitar impactos severos. Isso pode ser feito com auxílio de paraquedas, por exemplo. Isso reduz o peso total do drone, evitando problemas caso caia em uma pessoa. Também é necessário que os acabamentos não sejam pontiagudos ou que possam causar ferimentos em pessoas.

Isso acontece devido ao perigo de ferir uma pessoa em casos de queda. Apesar de parecer regras complexas, com a nova regulamentação esses voos serão mais simples de serem realizados. Antes, cada caso era levado a análise e tinha uma licença individual para realizar às ações. Quanto mais leve o drone, mais fácil será realizar os voos. Essa novidade deve começar a ser implementada a partir do final de março ou início de abril de 2021. 

Validação do piloto

Assim como os motoristas de veículos terrestres e pilotos de aeronaves tripuladas, a FAA prevê testes regulares para os pilotos de drones. Isso deve acontecer a cada 24 meses corridos e não terá nenhum custo extra. Será necessário incluir áreas de estudo noturnas nos cursos.

Será necessário habilitação para voar

O FAA pretende que os pilotos atualizem os seus conhecimentos, principalmente em segurança. Isso vai garantir que em situações adversas, o responsável pelo drone saiba o que fazer. Essa é outra medida pensada para aumentar a segurança.

Para voar, os pilotos vão precisar ter posse física acessível de seu certificado de piloto remoto. É como se fosse a "carteira de motorista". Essa identificação vai permitir que o responsável consiga levantar os voos. 

Regras para as fabricantes

As fabricantes vão precisar adequar algumas questões, principalmente no design. Será necessário ajustar as proteções de hélice, para impedir que as pás causem laceração na pele humana. Isso é válido principalmente para drones leves, categoria 1, de cerca de 250 gramas. 

A FAA permite que acessórios sejam disponibilizados para se adequar às normas. Isso pode ajudar pilotos que já possuem seus drones, que possuem algumas irregularidades. Assim, proteções extras e adequações podem ser feitos posteriormente, sem precisar substituir o equipamento por completo.

Essas soluções também podem, e devem, ser oferecidas de forma oficial pelas fabricantes. O mesmo pode ser feito com as luzes. É esperado que, até 2022, as empresas que desenvolvem drones já tragam em seu design todas as medidas impostas pela FAA, ou ofereçam as opções de adaptação logo na loja, no ato da compra.

Onde as medidas são válidas

O FAA é um órgão dos Estados Unidos, equivalente a ANAC no Brasil. Cada país possui suas próprias normas e adequa às suas necessidades e realidades. Portanto, todas as normas descritas acima são válidas apenas para os EUA.

Acontece que o mercado estadunidense é um dos principais do mundo no setor de drones. É normal, quase que esperado, que muitas instituições mundiais sigam as recomendações feitas pelo país. Apesar disso, as normas e datas ainda não se aplicam aos voos do Brasil, por exemplo.

Outra questão é que o mercado consumidor dos EUA é um dos principais do mundo. Exigir que os novos modelos de aeronaves sejam adaptados, vai interferir no design implementado em todo o mundo. Por exemplo, as mudanças nas hélices dos drones, deve ser feita por padrão para todos os equipamentos vendidos, mesmo fora do país. 

Por mais que as regras sejam válidas apenas nos EUA, elas devem impactar a produção mundial. Por esse motivo, é importante entender a mudanças e se inteirar sobre as novas exigências. Isso pode evitar fazer um alto investimento em um equipamento que vai precisar ser adaptado no futuro. 

Via: Engadget, DroneDJ
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Ana Luiza Pedroso

Ana Luíza é técnica em informática formada pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e graduanda de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Compõe o quadro de estagiários do Adrenaline e Mundo Conectado desde 2018, publicando notícias. Aprende muito todos os dias sobre o universo de hardware, games e tecnologia.

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