DJI, assim como Huawei, entra na lista negra dos EUA

DJI, assim como Huawei, entra na lista negra dos EUA

Principal acusação envolve "violações dos direitos humanos", segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos

Acusada de ter cometido "violações dos direitos humanos", a maior fabricante de drones do mundo agora está na lista de bloqueios comercial dos EUA e deve sofrer fortes sanções de mercado nos próximos meses. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos não deu ênfase à segurança de dados como vimos acontecer com a Huawei nos últimos anos.

Esta lista é atualizada de tempos em tempos e inclui empresas, instituições de pesquisa, organizações governamentais e privadas, indivíduos e outros tipos de pessoas jurídicas. As consequências da inclusão, assim como vimos acontecer com a Huawei, podem ser realmente pesadas.

Por que a DJI entrou para a lista de bloqueios dos EUA?

Segundo o documento oficial, a DJI entrou na lista não por motivos relacionados à segurança de dados, mas sim por ter desempenhado "um papel de protagonista de opressão e outras violações dos direitos humanos na China". A DJI também teria facilitado a exportação de itens como forma de auxílio a regimes repressivos em todo o mundo, contrariando os interesses da política externa dos EUA.

As explicações são um pouco mais extensas e mencionam que a DJI permitiu abuso e violação de direitos humanos na China por meio de coleta e análise genética abusiva, incluindo vigilância de alta tecnologia. Apesar de ficar claro que a utilização de drones para vigilância é amplamente utilizada nas principais cidades chinesas, não ficou claro como a empresa teria sido responsável por abusos na coleta genética de pessoas que circularam pelo país asiático durante a pandemia. 

Sendo assim, de forma resumida, a DJI é acusada de fornecer seus equipamentos para o cumprimento de leis do Partido Comunista da China, colaborando com um regime considerado autoritário pelos EUA.

Sem grandes surpresas

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O governo Donald Trump fez questão de deixar clara a guerra comercial com empresas da China, que conseguem penetrar muito bem em qualquer mercado mundial por conta da mão de obra barata e desenvolvimento de tecnologias de ponta nos últimos anos. A DJI é líder de 69% do mercado mundial de drones, uma tendência que os EUA ainda não conseguiu ter uma empresa para emplacar. Essa porcentagem se torna ainda mais interessante quando vemos a popularização dos drones pelo mundo - que tem como resultado o aparecimento de outras fabricantes, que se tornam concorrentes e, pela lógica, assumem fatias de mercado que antes "tinham dono". Porém, a DJI se manteve estável nos últimos anos com cerca de 70% do mercado.

Trump acusou a  Huawei e outras chinesas de espionagem e de terem "práticas desleais de concorrência no mercado internacional". Com esse contexto, não é grande surpresa que DJI tenha entrado para a lista entre 77 empresas.

Além da DJI, outro nome de peso que aparece no relatório é a SMIC, maior fabricante de chips da China, que também foi citada e sofrerá proibições comerciais. De acordo com o relatório: "os itens exclusivamente necessários para a produção de semicondutores de tecnologia avançada - 10 nanômetros ou menos - estarão sujeitos a uma presunção de negação para evitar que essa tecnologia fundamental apoie os esforços de fusão civil-militares da China".

Os impactos reais do bloqueio comercial

Pouco antes de se tornar alvo do bloqueio comercial norte-americano, a Huawei crescia e chegou a se tornar a segunda maior fabricante de smartphones do mundo. As empresas nesta lista não podem utilizar certas tecnologias, que são detalhadas no relatório ou posteriormente mediante revisão. Evidente que cada empresa será impactada de forma diferente, de acordo com a importância das empresas dos EUA na fabricação de seus produtos ou auxílio na prestação de serviços.

Isso quer dizer que, muito provavelmente, as pessoas poderão comprar dispositivos da DJI.  Mas será mais difícil para a DJI obter tecnologias de ponta com origem no país norte-americano. Será mais difícil utilizar chips, sensores e outras peças ou propriedades intelectuais que sejam da região.

Não se trata só de drones

 

Além disso, quando falamos de DJI não estamos tratando apenas de drones. A empresa possui um vasto portfólio, passando para câmeras e gimbals, utilizados na estabilização de imagem. Inclusive, a DJi é um grandissíssimo nome no mercado de gimbals, e certamente o blogueio comercial irá impactar nesse e em outros setores para os quais a companhia se dedica.

12/12/2020 às 15:00
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Um grande exemplo é a Hasselblad. Em 2017, a  DJI "discretamente" adquiriu a maior parte das ações da empresa, tornando-se efetivamente a dona da fabricante de câmeras. A Hasselblad é uma gigante no quesito câmeras, lentes e audiovisual no geral - e, por lógica, também sentirá as consequências.

Outro ponto que se torna interessante citar nesse momento é que, apesar da superioridade de mercado incontestável, a DJI já estava começando a sentir impactos. Comparando os números de 2020 consigo mesma, houve uma queda. Em 2018, por exemplo, a empresa tinha 74% do mercado - e essa perda de números está relacionada diretamente ao mercado norte-americano.  Como publicamos recentemente, Segundo o DroneDJ, esta seria a primeira vez que a empresa sofre quedas nesse mercado desde o início dos relatórios da DroneAnalyst, em 2016.

Via: Neowin Fonte: U.S. Department of Commerce
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Neri Neto

O universo geek faz parte do dia a dia, da vida, deste jornalista. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Neri Neto é responsável por conteúdos diversos no Mundo Conectado. Ele adora tecnologia, cinema, games e descobriu ainda na infância que a linguagem dos vídeos seria perfeita para falar de tudo que ama.

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