Trump quer banir TikTok
Créditos: Wired.com

Trump quer banir TikTok

Parlamentares estadunidenses dizem que o aplicativo de vídeos ameaça a segurança nacional

O aplicativo de vídeos TikTok enfrenta uma ameaça à expansão nos EUA.  Baixado 165 milhões de vezes no país, o aplicativo virou uma febre especialmente entre os jovens, tornando-se rapidamente parte da cultura popular e servindo como uma plataforma para sátiras políticas, ativismo e viralização de memes. O sucesso é tanto, que o Facebook tentou copiar o aplicativo. 

Mas ameaça não vem da concorrência e sim do governo dos EUA. Na última terça-feira (7), o presidente Donald Trump disse que seu governo está "analisando" a proibição do aplicativo, de propriedade da empresa chinesa ByteDance, a startup mais valiosa do mundo no momento. 

O motivo seria o "potencial de espionagem" do aplicativo. No ano passado, os senadores Chuck Schumer e Tom Cotton pediram ao serviço de inteligência uma avaliação do risco que o TikTok representa para a segurança nacional.

A TikTok alega que as denúncias são "infundadas." Para ressaltar sua independência da China, a TikTok citou seu CEO americano recentemente contratado e disse que "nunca forneceu dados do usuário ao governo chinês, nem o faríamos se solicitado".

 

Ameaça chinesa

A principal preocupação dos políticos é que a ByteDance possa ser forçada a entregar os dados da TikTok sobre usuários dos EUA ao governo chinês, como determinam as leis de segurança nacional do país. A TikTok disse que armazena dados de usuários americanos em servidores dos EUA que não estão sujeitos à lei chinesa. Embora a TikTok não opera na China e funcione como uma subsidiária independente, alguns céticos argumentam que a controladora da TikTok, ByteDance, é uma empresa chinesa que ainda pertence a Pequim.

Para o especialista em segurança James Lewis, vice-presidente sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, embora os links do TikTok para uma empresa chinesa privada sejam dignos de preocupação, o aplicativo simplesmente não seria tão útil para espionagem. O TikTok, como outros aplicativos de mídia social e empresas de tecnologia, reúne automaticamente informações de localização geográfica dos usuários, endereços de IP, identificadores de dispositivo e conteúdos de mensagens do aplicativo. 

O especialista em legislação chinesa Samm Sacks, membro sênior da Faculdade de Direito de Yale, afirma que, mesmo que o TikTok tenha coletado o tipo certo de dados das pessoas certas para representar uma ameaça, não é garantido que o governo chinês possa acessá-los facilmente. Segundo ele, as leis de segurança nacional da China contêm mais "áreas cinzentas" do que muitos imaginam e, no passado, as empresas chinesas resistiram ou lançaram obstáculos às demandas de dados de Pequim. 

"O governo chinês não tem necessariamente acesso irrestrito em tempo real aos dados de todas as empresas", disse Sacks. "As corporações chinesas não são aliadas do governo chinês ou do Partido Comunista Chinês e têm seus próprios interesses comerciais para proteger", afirma Sacks.

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Alguns analistas dizem que o assunto é complicado pela abordagem agressiva de Trump à China em geral, argumentando que a situação é um reflexo das prioridades políticas do governo. Especialistas levantaram preocupações semelhantes sobre a abordagem de Trump à Huawei, gigante chinesa da tecnologia, dizendo que Trump confunde segurança nacional com negociações comerciais.

07/07/2020 às 14:52
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Falhas na segurança

Um relatório técnico sobre o TikTok publicado este ano aumentou as preocupações relacionadas à segurança. Em janeiro, uma equipe de pesquisadores de segurança anunciou que havia encontrado diversas vulnerabilidades no TikTok. As falhas, se não corrigidas, podem permitir que os invasores obtenham o controle das contas, alterem as configurações de privacidade, carreguem vídeos sem permissão e obtenham dados do usuário, como endereços de email. 

Os especialistas, no entanto, alertam para a diferença entre identificar falhas de segurança individuais e rotular algo como ameaça à segurança nacional.

De acordo com Oded Vanunu, especialista em segurança da Check Point Research que liderou o grupo de pesquisadores, os engenheiros da empresa pareciam estar de boa fé, motivados a consertar as falhas.

Questionado se as vulnerabilidades que encontrou dão credibilidade às alegações de que o TikTok não é confiável, Vanunu disse que as falhas de segurança existem em todas as empresas de software, mesmo as grandes. A diferença, disse ele, é que a TikTok é uma empresa relativamente jovem e inexperiente.

"O TikTok está comprometido em proteger os dados do usuário", afirmou o TikTok em comunicado no momento da divulgação. "Como muitas organizações, incentivamos pesquisadores de segurança responsáveis ??a nos comunicar imediatamente as vulnerabilidades do aplicativo."

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A grande preocupação

Há uma preocupação em comum entre políticos e especialistas em segurança: o TikTok pode ameaçar os interesses dos EUA de forma mais suave, influenciando a "conversa global". E, nesse sentido, alertam alguns especialistas, o perigo já é sentido.

O TikTok enfrentou críticas crescentes, por exemplo, pelo tratamento de conteúdos considerados críticos pelo governo chinês. Em 2019, o The Guardian falou sobre documentos vazados que teriam instruído os moderadores a reprimir conteúdos de crítica ao socialismo e à Praça da Paz Celestial. A ByteDance disse ao The Guardian, na época, que essas diretrizes estavam desatualizadas.

Em novembro, as acusações de censura por motivação política aumentaram quando ex-funcionários do TikTok nos EUA disseram ao Washington Post que se sentiam pressionados a reprimir vídeos considerados subversivos por seus colegas em Pequim, levando Schumer e Cotton a buscarem ajuda da Inteligência.

A TikTok afirmou que suas políticas de conteúdo e moderação são desenvolvidas por uma equipe de funcionários americanos e que não são influenciadas por nenhum governo estrangeiro. Dentre os investidores da TikTok, estão grandes nomes internacionais como Sequoia Capital e Softbank. Em maio, a empresa contratou Kevin Mayer, ex-executivo da Disney, como CEO, em mais uma tentativa de mostrar distanciamento das raízes chinesas.

Fonte: CNN
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Rafaela Moura do Nascimento

Rafaela Moura é bióloga, professora e jornalista. Se interessa por quase tudo, de casas de barro a novas tecnologias. Aprender e escrever são suas paixões.

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