O mundo perdeu mais uma de suas mentes mais brilhantes. Freeman Dyson, matemático e físico teórico de renome na academia mundial, morreu aos 96 anos num hospital perto de Princeton, na última sexta-feira, dia 28 de fevereiro.
Dyson era reconhecido pelos seus colegas na ciência principalmente pelos seus trabalhos em eletrodinâmica, tendo como uma de suas principais obras sua teoria de Eletrodinâmica Quântica (QED) que, para muitos, é um trabalho digno de um prêmio Nobel. A pesquisa, que foi publicada em 1949, nos ajudou a compreender melhor como a luz molda nosso mundo visível, entre outros avanços que servem de base para trabalhos em física e matemática até hoje.
A fama do físico, no entanto, não se resumia à academia. Seus trabalhos mais teóricos e "futuristas" alcançaram o grande público, servido de inspiração para inúmeras obras da ficção científica. Dyson é o criador da famosa "Esfera de Dyson", um modelo teórico que argumenta que seria possível construir uma esfera artificial em torno de uma estrela para aproveitar a energia emitida por ela, basicamente transformando o astro numa bateria colossal. A ideia chegou a aparecer em um episódio da série Jornada nas Estrelas.
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Dyson sempre se posicionou de maneira que a ciência pode resolver os principais problemas da humanidade, inclusive os trazidos por ela mesma. Seu posicionamento é que árvores geneticamente modificadas poderiam ser a solução para o excesso de gás carbônico na atmosfera, por exemplo. Não só isso, em seus trabalhos mais teóricos, ele argumenta que a humanidade poderia chegar num ponto em que criaria árvores modificadas capazes de crescer num cometa, por exemplo, e ajudar na reformulação de meios ambientes no espaço, para auxiliar os humanos em sua exploração espacial.
Algumas das ideias mais futuristas de Dyson podem parecer difíceis de se imaginar ou de um dia se tornarem possibilidade, mas o próprio cientista alertava para não confundirem "abstrações matemáticas" com uma "verdade absoluta". O acadêmico gostava de trabalhar com possibilidades e previsões tanto quanto com modelos mais concretos e artigos práticos, que ele escreveu até o fim de sua vida. Tanto que Dyson estava num café dentro do Instituto para Estudos Avançados em Princeton, quando se sentiu mal e foi hospitalizado pela última vez.
Fonte: The New York Times