Cientistas que criaram bebês geneticamente modificados são condenados na China
Créditos: Getty Images

Cientistas que criaram bebês geneticamente modificados são condenados na China

He Jiankui e dois colegas foram sentenciados a até três anos de prisão após um julgamento sigiloso.

Em 2018 um cientista treinado em Stanford chocou o mundo ao revelar a criação dos primeiros bebês geneticamente modificados usando a ferramenta CRISPR/Cas9. Agora, He Jiankui e dois colegas foram sentenciados após um julgamento sigiloso na China. Os cientistas foram acusados de "exercício ilegal da medicina" por terem modificado os genes de embriões humanos para fins reprodutivos.

23/01/2019 às 09:41
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Jiankui, que pode ser visto na foto abaixo, foi condenado a três anos de prisão, terá que pagar uma multa no valor de 3 milhões de yuans (cerca de US$ 429.000) e nunca mais poderá praticar medicina reprodutiva. Seus dois colegas, Zhang Renli e Qin Jinzhou, foram sentenciados a dois anos e 18 meses de prisão, respectivamente. Eles também pagarão multas e não poderão mais praticar medicina.

O artigo científico divulgado pela equipe de Jiankui foi criado por um total de dez autores, mas não está claro se os outros também serão penalizados. Muitas das informações sobre o experimento agora só podem ser obtidas através de autoridades chinesas.

Cientistas que criaram bebês geneticamente modificados são condenados na China
 

De acordo com o julgamento, Jiankui e seus colegas conspiraram em 2016 para modificar o gene CCR5 e assim tornar os humanos mais resistentes ao vírus HIV. A equipe ajudou na reprodução de "múltiplos casais de pessoas infectadas pelo HIV". Depois de editar os genes dos embriões, eles foram implantados em duas mulheres que eventualmente deram à luz a três bebês geneticamente modificados. O julgamento marcou a primeira vez que as autoridades chinesas reconheceram a presença de um terceiro bebê modificado geneticamente.

O tribunal observou que a técnica de edição de genes não tinha sido "verificada quanto à segurança e eficácia", e que He Jiankui e os outros falsificaram documentos para convencer pacientes e médicos a ajudar. A equipe teria dito aos pacientes que eles faziam parte de um teste de vacina contra a AIDS, não de modificações genéticas.

Pouco depois de Jiankui revelar os testes com a CRISPR, especialistas condenaram a prática como "inconcebível", "imoral” e “antiética". Logo depois, as autoridades chinesas iniciaram uma investigação e, eventualmente, detiveram Jiankui.
 

Fonte: Engadget
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Fabio Rosolen

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