Pesquisadores brasileiros criam minifígados funcionais usando impressão 3D
Créditos: Daniel Antonio/Agência FAPESP

Pesquisadores brasileiros criam minifígados funcionais usando impressão 3D

Eles são capazes de exercer funções básicas como secreção e armazenamento de substâncias, e produção de proteínas

Pesquisadores brasileiros do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), que é financiado pela FAPESP na Universidade de São Paulo (USP), conseguiram criar minifígados a partir de células sanguíneas humanas usando impressão 3D.

20/11/2019 às 14:22
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Os minifígados criados usando este processo são capazes de exercer funções básicas como secreção e armazenamento de substâncias, e produção de proteínas.

O método desenvolvido pelos pesquisadores possibilitou a produção em laboratório de tecido hepático em apenas 90 e no futuro isso pode representar uma alternativa para pacientes que precisam de transplante.

Os pesquisadores combinaram técnicas de bioengenharia com a bioimpressão 3D. Com isso os minifígados produzidos puderam manter suas funções por um período mais longo em comparação com outros métodos.

Os minifígados criados usando este processo são capazes de exercer funções básicas como secreção e armazenamento de substâncias, e produção de proteínas

Embora eles ainda estejam longe de criar um fígado completo, o novo método se mostrou muito promissor. Se tudo correr bem, no futuro será possível criar o órgão para o paciente precisando de transplante usando suas próprias células ao invés de ter que esperar por um doador.

O ponto inovador do novo método é a forma de inclusão das células no componente que será usado na impressora para criar o minifígado. Os pesquisadores desenvolveram uma forma de agrupar as células antes de iniciar o processo de impressão ao invés de imprimi-las de forma individualizada. Estes agrupamentos de células são o que ajudam o minifígado a manter suas funções por mais tempo. Isto permite que os pesquisadores evitem um problema comum das técnicas de bioimpressão de tecido humano – a perda do contato entre as células.

De acordo com os pesquisadores, o processo completo – desde a coleta do sangue do paciente até a obtenção do tecido hepático funcional – demora aproximadamente 90 dias e pode ser dividido em três etapas. Estas etapas são: Diferenciação, Impressão e Maturação.

As células sanguíneas coletadas pelos pesquisadores são reprogramadas para que regridam até um estágio específico característico de uma célula-tronco. Com esta etapa concluída, o processo de diferenciação das células hepáticas é iniciado.

Os agrupamentos de células, ou esferoides, são então misturados a um tipo de hidrogel (ou biotinta) e impressos usando a impressora 3D. O período de maturação ocorre após este processo e demora cerca de 18 dias.

O artigo 3D bioprinting of liver spheroids derived from human induced pluripotent stem cells sustain liver function and viability in vitro (doi: 10.1073/pnas.1904384116), de Ernesto Goulart, Luiz Carlos de Caires-Junior, Kayque Alves Telles-Silva, Bruno Henrique Silva Araujo, Silvana Aparecida Rocco, Mauricio Sforca, Irene Layane de Sousa, Gerson Shigeru Kobayashi, Camila Manso Musso, Amanda Faria Assoni, Danyllo Oliveira, Elia Caldini, Silvano Raia, Peter I Lelkes e Mayana Zatz, pode ser lido em iopscience.iop.org/article/10.1088/1758-5090/ab4a30.

Fonte: Agência FAPESP
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Fabio Rosolen

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