Pacientes humanos são colocados em animação suspensa pela primeira vez
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Pacientes humanos são colocados em animação suspensa pela primeira vez

A técnica é oficialmente chamada de "Preservação e Ressuscitação de Emergência" (EPR) e está sendo testada nos EUA

Cientistas e fãs de ficção científica têm falado sobre animação suspensa há anos. A ideia de que as funções do corpo humano podem de alguma forma ser colocadas em "pausa", enquanto os procedimentos médicos que salvam vidas são realizados (ou enquanto uma pessoa é enviada para o espaço, como nos filmes) há muito tempo parecia insustentável - até agora.

25/10/2019 às 13:40
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De acordo com informações do New Scientist, médicos conseguiram colocar pacientes humanos em animação suspensa com sucesso pela primeira vez. Os testes bem-sucedidos podem ter uma enorme influência sobre o futuro das cirurgias de emergência.

A técnica é oficialmente chamada de "Preservação e Ressuscitação de Emergência" (EPR) e está sendo testada no Centro Médico da Universidade de Maryland em pacientes que chegam com trauma agudo, como uma facada ou ferimentos à bala. Dada a natureza de suas lesões, esses pacientes normalmente teriam uma taxa de sobrevivência de menos de cinco por cento.

"Quero deixar claro que não estamos tentando enviar pessoas para Saturno", disse um dos médicos envolvidos. "Estamos tentando ganhar mais tempo para salvar vidas".

Samuel Tisherman, da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, disse ao New Scientist que sua equipe de médicos conseguiu colocar pelo menos um paciente em animação suspensa, chamando o procedimento de "um pouco surreal" quando o fizeram pela primeira vez. Ele não revelou quantas pessoas sobreviveram.

Pacientes humanos são colocados em animação suspensa pela primeira vez

A EPR envolve o resfriamento rápido de uma pessoa para cerca de 10 a 15 °C, substituindo todo o seu sangue por uma solução especial. A atividade cerebral do paciente para quase completamente. O paciente é então desconectado do sistema de resfriamento e seu corpo - que de outra forma seria classificado como morto - e transferido para a sala de cirurgia.

Em temperaturas normais do corpo, as células precisam uma fonte constante de oxigênio para continuarem vivas, mas a temperatura fria retarda ou interrompe as reações químicas nas células, que acabam precisam de menos oxigênio como consequência disso.

O cérebro humano pode sobreviver por cerca de cinco minutos sem oxigênio antes que o dano permanente ocorra, mas através da EPR uma equipe cirúrgica tem duas horas para trabalhar nas lesões do paciente antes que seja necessário que ele volte a ser aquecido e seu coração reiniciado. Tisherman diz que espera ser capaz de anunciar os resultados completos dos testes até o final de 2020, mas alguns fatores ainda precisam ser trabalhados.

Embora a equipe de Tisherman tenha definido um limite legal de duas horas para um corpo humano, ainda não está totalmente claro quanto tempo uma pessoa poderia permanecer em animação suspensa sem sofrer quaisquer efeitos colaterais físicos. No entanto, ele diz que a equipe está aprendendo muito à medida que avança com os testes. "Quero deixar claro que não estamos tentando enviar pessoas para Saturno", disse ele. "Estamos tentando ganhar mais tempo para salvar vidas".

Fonte: Engadget, New Scientist
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Fabio Rosolen