Com estilo do Chrome OS, Endless é uma porta de entrada simples para o Linux

Com estilo do Chrome OS, Endless é uma porta de entrada simples para o Linux

Quer tentar algo diferente do Windows? Sistema possui instalação prática e funciona como entrada ao mundo do código aberto

O Windows 10 atua de forma soberana quando o assunto é sistema operacional, mas, desde os primórdios dos computadores pessoais, a linha de softwares tem um concorrente sempre presente: o Linux. O kernel que rege o mundo do código aberto pode parecer complicado para quem cresceu na base da Microsoft, mas uma distribuição foi criada para ser simples e ajudar na introdução ao open source, e até mesmo para a computação. Estamos falando do Endless OS.

Feito com Brasil, Índia e outros mercados emergentes em mente, o sistema operacional nasceu para equipar PCs da linha Endless e funcionar como porta de entrada para a área de computadores. O OS traz uma interface similar aos celulares e conta com uma grande quantidade de conteúdos educativos, o que torna a experiência de uso perfeita para crianças ou adultos que estão começando a usar um PC. Mais do que isso, a solução conta com características que podem facilitar a vida de quem está pensando em conhecer melhor o Linux, ou pelo menos parte do kernel.

Linux com limitações


A interface é bonita e amigável, mas o posicionamento do botão desligar pode confundir os usuários na primeira viagem

Diferente das principais distribuições Linux, o Endless OS abre mão de certas liberdades para entregar uma experiência de uso mais pragmática. Para começar, o sistema implementa o padrão Flatpak e não permite a instalação de aplicativos Debian, por exemplo. Graças a isso, o programa acaba ficando mais próximo do Chrome OS em comparação às distros mais populares, como o Linux Mint. Em comparação à solução do Google, porém, existem grandes vantagens. 

O pragmatismo do sistema e os webapps aproximam o Endless do Chrome OS

Assim como o OS dos Chromebooks, o Endless traz uma interface com aplicativos centralizados e permite a criação de Webapps, que são atalhos na área de trabalho para serviços e sites online. As atualizações ficam por conta da equipe por trás do sistema e as configurações também são simples, com uma central de aplicativos bancando a “Play Store” e trazendo fácil acesso aos programas compatíveis.


A central de aplicativos traz programas no padrão Flatpak que funcionam no sistema operacional

Enquanto as limitações afastam o Endless OS de distribuções Linux mais conhecidas, o software não deixa de ser uma solução open source e, graças ao Flatpak, possui suporte para aplicativos famosos de código aberto, incluindo o pacote LibreOffice e editores de imagens como GIMP e Inkscape. O sistema também contém um Terminal Linux, o que permite fazer certas operações na base da programção.

Um Chrome OS com Steam

O destaque, porém, fica por conta da Steam: o Endless permite colocar a plataforma da Valve para trabalhar facilmente por meio da central de Apps. O launcher só consegue rodar nativamente jogos compatíveis com o SteamOS e o suporte para controle é limitado, mas isso já garante a presença de títulos como CS:GO e indies como BattleBlock Theater e Broforce, que funcionam até mesmo em computadores modestos.


A nova home do Steam já funciona no Endless OS, e traz um botão para mostrar apenas jogos do Linux

A loja de aplicativos também contém uma série de emuladores, que são uma prática polêmica na indústria de games, mas não deixam de ser uma opção para quem pretende jogar e está em busca de um sistema mais simples. Além disso, o Endless conta com uma série de jogos educativos, que também adicionam mais camadas de entretenimento ao OS, principalmente para crianças.

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Ainda assim, vale ressaltar que o sistema também possui certos problemas: além das limitações impostas no Linux impedirem o funcionamento de alguns apps no Endless, a demora para a chegada de atualizações pode inutilizar alguns aplicativos, tornando a experiência bem frustrante. Felizmente, a comunidade do SO segue os padrões do mundo do código aberto e muitos usuários experientes costumam prestar auxílio por meio de fóruns na internet.

A melhor parte: a instalação é simples

Mesmo com seus altos e baixos, o Endless acaba se tornando uma ótima forma de começar no mundo Linux pela facilidade na instalação: o sistema não precisa ser colocado em um pendrive e pode ser adicionado no computador como qualquer programa do Windows. Para fazer o download, basta ir até o site da iniciativa e baixar o instalador. Após o processo estar completo, o programa aparece junto ao SO da Microsoft como uma opção de sistema operacional na próxima reinicialização do computador.


O Endless OS pode ser instalado como um programa de Windows comum, mas também possui a opção de pendrive bootável.

A versão completa do Endless OS pesa cerca de 13 GB e conta com diversos apps pré-instalados, trazendo uma experiência de uso cheia de conteúdo, mesmo quando o PC não possui internet. Já a edição mais leve conta com pouco menos de 2 GB e pode ser instalada rapidamente. E, assim como a implementação é simples, o processo de retirar o software do computador também não é difícil: ao fazer o dual boot via Windows 10, o usuário só precisa ir até a página de Aplicativos do sistema operacional e retirar o OS como qualquer outro programa.

Quando o dual boot é feito pelo Windows, o Endless pode ser desinstalado como um programa convencional

Apesar das limitações e eventuais problemas, o Endless entrega uma experiência pragmática e com design que lembra smartphones, sendo uma opção válida para quem trabalha com produtividade. O suporte nativo para softwares como a Steam e editores de imagem também tornam o sistema uma boa opção para ir além das soluções da Microsoft. E, como o download da edição básica é rápido e o processo de implementação é fácil, as barreiras para não experimentar o Linux são poucas. Afinal, se você não gostar, é só desinstalar e seguir no bom e velho Windows 10.

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Mateus Mognon

Mateus Mognon é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Vencedor do prêmio SET Universitário na Categoria Reportagem Digital, atua nos sites do grupo Adrenaline desde 2014. Atualmente, colabora para os veículos com notícias, análises e artigos envolvendo tecnologia e games.

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