Celulares têm cada vez mais câmeras. Isso realmente importa? [+vídeo]

Celulares têm cada vez mais câmeras. Isso realmente importa? [+vídeo]

Será que a indústria achou seu o novo megapixel?

Já é uma tendência consolidada na indústria: os smartphones têm cada vez mais câmeras. Enquanto a geração anterior popularizou os sistemas duplos de lentes, lançamentos mais recentes como o Galaxy S10+ e o Xiaomi Mi 9 trouxeram o formato triplo e, lançamentos como o Huawei P30, aumentaram essa contagem para quatro câmeras ou até mais.

26/03/2019 às 10:49
Notícia

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Ter cada vez mais lentes no aparelho, e transformá-lo praticamente em uma aranha, realmente traz benefício para o consumidor? Para entender o que dá para aproveitar de um smartphone com múltiplas câmeras, primeiro é preciso entender porque esse processo está acontecendo.

Por que ter mais de uma?

A fotografia em celulares sempre sofreu de um grave limitador: espaço. Enquanto câmeras profissionais e até mesmo as quase falecidas point-and-shoot possuem muito mais área disponível para todos os componentes necessários para fazer as fotos. Com isso esses aparelhos conseguem ser muito mais versáteis, com áreas amplas para sensores, lentes com muito mais espaço para entrar a luz e possibilidade de variar o enquadramento com o movimento das lentes.

O grande desafio da fotografia em celulares: ela tem pouco espaço disponível

Algumas tentativas de trazer essa versatilidade para os smartphones já foram tentadas, em modelos como o Galaxy Camera ou o Zenfone Zoom. A inexistência de sucessores para ambos os aparelhos dá um claro indicativo de como a ideia não foi bem-recebida. Um dos motivos é que são poucos que estão dispostos a piorar a portabilidade de seus celulares, nem que seja para ter em troca câmeras mais completas.

Como não dá para implementar o movimento das lentes, a solução que está ganhando força é uma abordagem curiosa: ter esses diferentes enquadramentos em um conjunto de câmeras fixas. É assim que surge uma das combinações que parece ser a principal tendência entre os modelos topo de linha: uma câmera com o enquadramento tradicional, que é o mais versátil e eficiente, uma câmera telephoto com a capacidade de aproximar um objeto da cena e uma lente grande-angular capaz de captar mais objetos da cena. Abaixo dá para ter uma ideia do que cada uma é capaz, em fotos feitas com o Galaxy S10+:

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Múltiplas lentes trazem para os smartphones a versatilidade que as câmeras profissionais têm

A principal vantagem de trazer esse conjunto de câmeras é bem evidente: ela traz a versatilidade que as câmeras com movimentos de lentes possuem, tornando viável alterar o zoom na imagem e com isso trazer possibilidades de enquadramentos muito diferentes nas mesmas cenas. Além da proximidade do objeto com a telephoto, a lente grande-angular muda completamente a composição, mudando mais do que simplesmente a distância do objeto principal da foto, mas dando todo um novo contexto e até significância para a imagem.

No exemplo abaixo dá pra perceber bem essa diferença. Enquanto a foto com telephoto mostra todos os detalhes e dá grande destaque para uma flor, a câmera tradicional mostra todo o conjunto de flores, e a grande-angular nos dá uma noção de onde as flores estão. A posição do celular e o objeto da foto são o mesmo, mas a mensagem muda.

Múltiplos enquadramentos geram fotos muito diferentes, com mensagens completamente diferentes

Em vídeo a diferença fica ainda mais evidente, com cada enquadramento servindo para mostrar de forma diferente essa partida de basquete, em alguns momentos buscando detalhes com o zoom, em outros dando uma visão geral de todos os jogadores ao abrir o ângulo de visão. Novamente usamos o Galaxy S10+ para gerar essa imagem.

 

Quem viu o lançamento do Huawei P30, ou já estava de olho no Nokia 9 ou o Galaxy A9, sabe que as fabricantes não pararam no número três. Mas, nesses casos, as câmeras adicionais não tem a ver com novos enquadramentos somente. Outra dificuldade que os celulares enfrentam é que por seu porte pequeno, não tem como instalar um sistema amplo de lentes com uma entrada para luz de grande porte, novamente por conta da necessidade de muita portabilidade que esses aparelhos possuem. A diferença fica bem clara quando vemos lado a lado um smartphone com uma câmera profissional.

É para tentar driblar essa limitação que as câmeras adicionais também entram em ação, especialmente essas que você "não consegue usar". Elas buscam melhorar a qualidade da imagem combinando informações da câmera principal com dados adicionais capturados pelas auxiliares, e essas informações podem variar de modelo para modelo. Algumas fabricantes colocam uma câmera exclusivamente dedicada a para tentar melhorar a captação de luz e melhorar as fotos em baixa luminescência. Em outros casos ela pode ser usada para perceber a profundidade, como é o caso do Moto Z3 Play e o Zenfone Max Pro M1, e possibilitar efeitos como o desfoque do fundo.

Em câmeras profissionais o desfoque mais agressivo do fundo é possível com uma abertura muito maior para entrada de luz, o que reduz a profundidade de campo. Os celulares compensam isso com a câmera adicional e um outro recurso que eles possuem: muito poder de processamento. Com duas câmeras cedendo informações, software e hardware em celulares pode compensar a falta de uma lente apropriada para criar esse efeito. O resultado varia de acordo com o talento do software no pós-processamento e do hardware disponível:

 

O Mi 8 Pro possui apenas uma câmera frontal, então o efeito de desfoque só pode contar com o software para dar conta de decidir o que é o assunto da foto e o que é fundo. O resultado é essa foto incrivelmente artificial, que deixou duas pessoas em foco mesmo elas estando em distâncias diferentes da câmera.

A segunda foto, feita com o OnePlus 6T, mostra claramente como ter uma câmera adicional torna esse processo muito mais eficiente. Mesmo com essa foto se saindo melhor, graças ao uso de duas câmeras, essa foto também mostra como o software pode falhar mesmo com mais informações disponíveis, algo evidente no pedaço entre o cabelo e o rosto na esquerda que está mais focado do que deveria.

Com limitação de espaço mas com poder computacional sobrando, outro elemento importante para melhorar o resultado das fotos têm sido o pós-processamento, e isso não é diretamente relacionado com a presença de mais câmeras. Apesar de ajudar, isso não impede que efeitos sejam aplicados com sucesso mesmo não contando com câmeras adicionais para trazer informações como profundidade, como dá pra ver no exemplo abaixo

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Mas afinal de contas, devemos nos preocupar com ter mais e mais câmeras em nossos celulares? A resposta é não. A prioridade é ter uma boa câmera principal, que é assim que você garante uma boa experiência na fotografia em smartphones. Um bom exemplo é o ZenFone Max Pro M1, que mesmo possuindo duas câmeras traseiras, tem uma experiência fotográfica ruim, quase pavorosa em alguns momentos, e nem de longe é um destaque do aparelho. A câmera adicional entra em ação quando você quer criar o efeito de desfoque no fundo, mas não faz milagre já que a imagem capturada pelo sensor principal não é das melhores.

 

Ter múltiplas câmeras deve ser visto como um adicional em um aparelho que já conta com uma boa câmera principal

 

As câmeras adicionais devem ser pensadas como complementos. Como ficou evidente nos comparativos, elas trazem novas capacidades ao celular, seja entregando melhores imagens via pós-processamento, seja gerando novos efeitos ou mesmo viabilizando outros enquadramentos. É sim muito legal poder alternar o enquadramento no meio de um vídeo, ou conseguir por mais pessoas na foto, mas assim como número de megapixels, não é quantas câmeras que o celular possui que vai dizer a qualidade das fotos que você vai fazer com ele.

 

Estamos trabalhando em um artigo mostrando como usar melhor as câmeras em smartphones que possuem múltiplas lentes, indicando qual é a mais eficiente para cada situação e cena. Fique de olho no site para saber quando ele foi ao ar!

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Diego Kerber

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

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