Ruptura: a série que nos alerta para o futuro da tecnologia

Com semelhanças à Neuralink de Elon Musk, produção da Apple TV+ mostra possibilidades para implante de chip na cabeça

Ruptura: a série que nos alerta para o futuro da tecnologia

Ruptura é uma série da Apple TV+ que envolve uma empresa que implanta chips na cabeça de pessoas. E aí você pode pensar que isso é coisa de cinema, ficção científica, que isso só pode acontecer em série mesmo. Mas, por mais incrível que pareça, existe uma empresa na vida real que quer implantar chips na cabeça das pessoas. E ela não está longe de conseguir fazer isso. Na verdade, pode ser que esteja fazendo isso agora mesmo.

A Neuralink, de Elon Musk, o homem mais rico do mundo, já está fazendo testes de chips em animais e quer começar seus testes de chips em humanos neste ano. Então reforço que dependendo de quando você está assistindo, isso já pode estar acontecendo.

E a série Ruptura, ou Severance em inglês, é excelente para pensarmos nos desdobramentos desse tipo de tecnologia no dia a dia das pessoas. Faça o exercício, pense em como seria se VOCÊ tivesse um chip na sua cabeça neste momento. Um chip que permitisse controlar seu humor, dividir memórias, ser uma central de entretenimento.

Como isso poderia impactar sua vida? E quais seriam os questionamentos éticos disso?

Ruptura nos faz pensar e dá exemplos do que pode acontecer caso uma empresa tenha sucesso nesse tipo de tecnologia.

E o chip da Lumon (nome da empresa que aparece na série) funciona principalmente para dividir as memórias das pessoas. Divide a memória de quando a alguém está dentro e fora do trabalho.

E a série é como assistir um longo episódio de Black Mirror, tem nove episódios e é excelente para quem curte a temática.

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Agora, quais são os limites desse tipo de tecnologia? Até onde é válido colocar chips em humanos? E quais seriam os benefícios disso? 

Elon Musk diz que será possível curar depressão, por exemplo, em algum nível, principalmente nos casos menos complexos. Então tem muita gente ansiosa por isso.

Esse vídeo/artigo tem spoilers da série, mas nem tão grandes assim, se você não assistiu e não é do tipo que não se importa tanto com spoilers vai conseguir acompanhar de boa.


A Neuralink foi fundada em 2016 por Elon Musk, homem mais rico do mundo agora em 2022. Ele que, você deve ter acompanhado, ofereceu mais de US$40 bilhões para comprar a rede social Twitter. E é alguém considerado a frente do seu tempo, tem várias empresas e todas são pensando no futuro. Tem uma empresa que quer construir túneis no meio das cidades, outra faz carros elétricos (a Tesla), e a Neuralink, essa de colocar chips na cabeça das pessoas.

E é realmente incrível que isso seja simplesmente verdade. Isso Está acontecendo mesmo e os desdobramentos vão aparecer já nessa década, nos próximos anos ou talvez até meses.

Os implantes em humanos da Neuralink, até a última vez que chequei, estavam esperando aprovação da FDA (Food and Drug Administration), órgão lá nos EUA que regula testes de produtos variados em humanos.

E o fato de conseguirem resultados promissores com porcos e macacos já sinaliza que as chances são grandes de serem aprovados para prosseguirem ir adiante. E isso não sou eu quem tá dizendo, um professor de bioengenharia e neurocirurgia da universidade de Stanford dos EUA disse que é isso que o órgão regulador procura; grandes sinais de avanço, que a empresa está preparada para passar para implantes em pessoas.

Porque não é só você criar uma empresa, dizer que tem um chip e sair implantando. Apesar de que existem algumas denúncias de maus-tratos a macacos. A Neuralink estaria maltratando esses animais. Eles implantaram chips nos primatas em testes que com certeza vão muito além dos que são compartilhados e alguns não sobreviveram.

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Nesses testes, no entanto, problemas do tipo já são esperados, no entanto, as denúncias apontam que esses macacos morreram não só em decorrência das experiências científicas, mas de serem mal cuidados mesmo. As investigações estão acontecendo e esperamos saber mais disso no futuro.

E aqui é legal lembrar que em Ruptura nós até vimos alguns animais, a série mostra bodes e cabras bebês, que podem ser frutos de experiências, clonagens, testes biológicos. A série, na primeira temporada, não explica por que esses bichos estão alí, mas sabemos que em muitos casos nós humanos realizamos testes em animais para não pôr nossa espécie em risco.

Além disso, a série também tem um elemento religioso forte. A Lumon aparece cheia de elementos de seita e bodes têm essa longa associação histórica com o mal. É um simbolismo já antigo, os bodes foram utilizados por muitas civilizações em sacrifícios, em que o bode era sacrificado para espantar o mal, a praga, pecados. Então será interessante ver como a série vai trabalhar esse elemento.

E falando em assustador, vale lembrar que a Neuralink já conseguiu fazer com que macacos joguem videogame utilizando o chip, praticamente com o poder da mente. Se isso por sí só não é assustador não sei o que mais é.

E também mostra como isso é promissor, apesar do fato que nós não temos dados de como foi a rejeição desse chip na cabeça do animal. É difícil acreditar que um chip na nossa cabeça será aceito pelo nosso corpo.


Estudos da Neurociência

Mas também não é como se só a Neuralink estudasse implantes de chips. Estudos desse tipo já são feitos há anos mas há uma grande diferença no que está fazendo a empresa de Elon Musk. Segundo Paul Nuyujukian, professor de bioengenharia de Stanford, o chip da Neuralink tem o diferencial de ser sem fio, a grande maioria dos estudos até o momento envolvendo chips na cabeça de pessoas eram feitos utilizando implantes com fio mesmo.

E aqui a gente já vê que a Neuralink está realmente pensando em um produto viável a longo prazo, que precisa ser mais discreto, leve, e para isso precisa ser também sem fio, trazer uma bateria própria e tal.

E é realmente incrível não acontecer rejeição. O contato entre o chip e o cérebro, lendo os impulsos e com um material estranho implantado. De qualquer forma, vale lembrar que a medicina faz alguns implantes artificiais em outras partes do corpo. Nas vértebras, por exemplo, é comum a utilização de materiais metálicos como titânio, cobalto e aço inoxidável. Então ter algo assim não é totalmente novo, essa ligação máquina e homem pode se tornar muito comum no futuro também, com as próteses e tudo mais. Sobre a rejeição, Elon Musk fala que o que é mais complicado são justamente os impulsos gerados na hora da recepção de informações, de leitura do cérebro.

A Neuralink então não é pioneira nesse estudo. Ela certamente tá fazendo avanços, se especializando, vai criar muitas soluções proprietárias, mas tá utilizando uma base de conhecimento gerada há anos na neurociência. A leitura dos impulsos gerados pelos neurônios já vêm sendo estudada há anos por essa área de conhecimento.

Em entrevista ao site de tecnologia Wired, Nuyujukian explica como é a ciência por trás da leitura dos neurônios. Segundo ele, quando você faz um movimento os neurônios são ativados em um certo padrão. Então, escutando esse padrão é possível prever, por exemplo, a direção deste movimento. A mobilidade do corpo humano pode ser prevista, pode ser um passo a frente ou ao lado, como até já foi demonstrado com um porco na apresentação da Neuralink.

E só para se ter uma ideia do avanço dessa tecnologia, o Neurocientista Miguel Nicolelis comenta que essa interface homem/máquina começou a ser desenvolvida já na década de noventa. O bacana é que ele foi um dos pioneiros nesse estudo e é Brasileiro. Então ele foi alguém que estudou como registrar esses impulsos, interpretar e utilizá-los para controlar outras máquinas.

Então a gente olha a série acontecendo, parece distante, mas nós já conseguimos fazer algumas coisas surpreendentes. Já em 2014, por exemplo, um humano conseguiu controlar braços mecânicos com a mente, os braços foram incorporados e reconhecidos pelo cérebro como sendo parte do corpo dele. 

E isso o próprio Nicolelis explica, ele conta que depois de um tempo o seu corpo começa a entender que aquilo que você controla com a mente é entendido como parte do seu corpo, torna-se um membro. Isso nos faz acreditar que as pessoas vão mesmo ter partes robóticas, não só implantadas, mas como sendo parte do corpo misturando carne e lata mesmo.

Em 2017, nós já vimos resultados de uma pessoa digitando com a mente. Nesse caso, o cérebro entende o que você quer selecionar e é possível até confirmar a ação. Então você consegue movimentar e ter algo semelhante com um clique, ou um enter no computador, por exemplo.

Isso pode ser extremamente útil, uma pessoa muda pode encontrar uma forma de se comunicar, alguém com paralisia pode interagir com meios digitais e por aí vai.


Possibilidades de uso

Com a série, assistindo aos vídeos de Stanford, vemos uma mulher digitando com o chip utilizando sua mente. Isso me fez lembrar do trabalho das pessoas dentro da Lumon, em que eles tem que selecionar números que causam sensações neles. Até o momento, a série não revelou qual de fato é o trabalho das pessoas ali dentro, mas parece realmente um refinamento da própria tecnologia utilizada na cabeça deles, assim como os vídeos que a gente vê na vida real das pessoas utilizando o computador com a mente.

No futuro você poderá controlar sua casa inteligente com o chip de sua cabeça

 

Na série, as pessoas vão para casa e o chip é inútil para eles fora do trabalho.

Mas, na vida real, de acordo com os pesquisadores da universidade de Stanford, esse chip poderia ser utilizado para muito mais. Até mesmo para entrar no conceito de casa inteligente. Então você pode ligar a luz, trancar uma porta através de uma fechadura digital, ligar a TV, tudo com o chip na sua cabeça e sem precisar se mexer. Isso é muito melhor que ter uma assistente como a Alexa, por exemplo.

E eu até falei dos planos da Meta de fazer os óculos serem o próximo passo da nossa conexão digital, mas tá parecendo muito mais que um chip na cabeça vai fazer isso.

O que você acha? Eu acho que seria interessante controlar a casa com a mente. Você gostaria disso?

Você poderia ligar a luz quando entrar na sala, ligar a TV, colocar algo para assistir, depois sair da sala e desligar tudo com a mente. Por mais assustador que isso pareça, pode ser útil.

E com certeza videogame é algo que vai entrar nisso também, até porque a própria Neuralink já mostrou macacos jogando. E se conseguimos controlar braços mecânicos, por que não robôs? Lutas de robôs poderia virar um esporte, por exemplo. Olha a viagem!

Tá, mas agora um pouco mais pé no chão: na série nós vemos o momento do implante no segundo episódio e a personagem Helly fala: “Dizem que não dói o implante”. E é uma curiosidade do corpo humano, que depois de o crânio estar aberto, o cérebro em não dói. Você pode encostar sem sentir dor.

Na série, nós vemos que a pessoa senta, eles furam sua cabeça com ela acordada e depois utilizam uma anestesia geral, que parece ter sido uma questão muito mais para manter uma estética cinematográfica.

E isso que aparece na série é bem semelhante ao o que a Neuralink já disse em apresentações. Segundo a empresa, a cirurgia será feita em menos de uma hora, a pessoa deixa o hospital no mesmo dia e o mais surpreendente é que eles estão se planejando para que esse implante seja feito por um robô.

Esse robô até aparece ao lado de Elon Musk no palco. E é simplesmente surpreendente a tecnologia de software, a programação desse robô. Porque ele tem uma câmera que vai se localizando na cabeça da pessoa operada, a máquina consegue identificar e entender certinho o que são vasos sanguíneos e vai inserindo os fios do chip como se fosse uma máquina de costurar.

Ele identifica certinho para não acertar um vaso sanguíneo, para eveitar uma hemorragia, que pode ser fatal.


Formato de chip

Outro aspecto que pode ser comparado é o formato de cada chip. O chip na série tem um formato alongado, como uma pílula larga e é fixado no meio do cérebro com dois ganchinhos que se abrem após o implante. Já o chip da Neuralink é bem diferente, é praticamente uma moeda com vários fiozinhos.

Mas ambos os chips, depois que são colocados na cabeça, podem ser facilmente escondidos, segundo Elon Musk.

Agora, e se você resolver colocar um chip na cabeça e se arrepender? Em Ruptura eles falam que o processo é irreversível. Colocou o chip já era!

Já o chip da Neuralink poderia ser removido depois. Tanto que durante a apresentação da Neuralink eles mostraram uma porca que teve o chip e depois retiraram. E a porca estava ali, se alimentando e realmente parecia bem. Não sabemos se teve alguma sequela ou algo do tipo, mas ficou claro que a ideia da empresa é trabalhar com essa possibilidade. Colocou o chip mas não quer mais o chip? É possível retirar.


Sua mente hackeável

Outra questão bacana de pensar o chip da Neuralink, o N1, utiliza o protocolo Bluetooth, que é amplamento difundido. E isso nos traz aquela ideia de praticidade, já que você pode conectar ele com um celular ou outro dispositivo. Mas também nos faz pensar na insegurança disso. E se esse chip é hackeado? Nós não sabemos (e acho que nem vamos saber) qual é o protocolo utilizado pelo chip da Lumon. Mas vimos que ele funciona a distância! No episódio final vemos que os funcionários bolam um plano e conseguem desativar o chip deles mesmo quando estão longe. 

Sendo assim, como o Bluetooth é para ondas próximas, o mais provável é que o chip da série utilize ondas de rádio convencionais ou satélite para disparar o comando.

Então existe esse risco de ter sua mente hackeada e conceder acesso a várias funções do seu corpo através do cérebro. E com isso os desdobramentos são os mais variados possíveis. Mas há ainda uma outra camada disso tudo.

Vemos, por exemplo, todo um problema envolvendo uso de dados. O Facebook, como empresa (ou seja, a Meta), passa por fortes acusações relacionadas aos dados dos usuários. Afinal, ela utiliza os dados das pessoas, de um jeito ou de outro, para fazer dinheiro. E, há outras questões de privacidade que entram aí no meio.

O chip da Neuralink utiliza Bluetooth para se comunicar, protocolo popular e amplamente utilizado

 

Agora, imagina dar acesso aos dados do seu cérebro a uma empresa. A como você se sente, por exemplo. Na série, tudo indica que a Lumon tem acesso às emoções dos funcionários, tanto que a escolha dos números no computador têm base nisso. 

Será que Neuralink ou outra empresa da vida real vai trilhar um caminho assim sombrio? Você tem medo que isso aconteça? A gente vê que existe até um grupo de pessoas na série que se organiza contra a empresa, que quer acabar com ela.

Isso porque a Lumon manipula os funcionários, chega a torturar eles quando fazem algo de errado, afinal, eles não vão se lembrar fora do trabalho mesmo. O que você acha? É exagero dizer que uma empresa pode fazer isso um dia? Ou você acredita que isso pode mesmo acontecer com uma empresa de verdade?

De qualquer forma, um chip na cabeça pode ser os primeiros passos para uma Matrix, ou a criação de uma realidade diferente. Inclusive, na série eles utilizam muito vermelho e azul, o que seria uma alusão a escolha das pílulas do filme Matrix, um clássico envolvendo toda essa questão de mundos virtuais e tudo mais. Quem não viu, ainda tá em tempo de ver, sem dúvida vale a pena.

No filme, com a pílula azul você escolhe esquecer que a verdade foi revelada e aceita viver na ignorância, num mundo digital. E a vermelha é aquela que te libera para a dura realidade que é a vida. A vida real mesmo.

E a série tem essa dualidade. Afinal, por que você tomaria uma pílula que faz com que você ignore toda uma realidade? Para não precisar sofrer, a ignorância pode ser uma bênção. E vemos que o protagonista resolve passar pelo procedimento para não ter que viver aquelas horas de trabalho. 

O mais intrigante é que você cria duas pessoas com isso, né? Uma pessoa que tem sua vida feita apenas por trabalho e outra que não precisa bater ponto. A trabalhadora é praticamente um escravo, e ainda é você.

Não encontrei informações sobre divisão de memória através de um chip. Mas, nós sabemos que os transtornos de personalidade múltipla acontecem no nosso cérebro.

Então, só por imaginação, pense em como seria ter que escolher acabar com uma das personalidades de uma pessoa com um chip. Numa pessoa que tem duas personalidades, por exemplo, ter que acabar com um personalidade seria um dilema. Afinal, como você faz essa escolha?

De fato, a série é muito boa.


A ideia da série

É algo bacana pensar em como a série surgiu, entender de onde veio a ideia.

Segundo, Dan Erickson, o escritor de Ruptura, a ideia surgiu quando estava em um emprego padrão em um escritório que odiava e um dia, enquanto entrava no escritório pensou: “Se eu pudesse de repente simplesmente não experienciar as próximas horas? Certamente abriria mão desse tempo.”

E foi aí que surgiu o que a gente viu. Erickson enviou seu texto à produtora de Ben Stiller e eles o ofereceram às plataformas de Streaming. O mais interessante é que só a Apple demonstrou interesse em fazer.

Inclusive, o prédio da empresa que aparece na primeira temporada passa um ar muito semelhante a de uma empresa gigante de tecnologia e ele existe, não é feito digitalmente nem nada. É o prédio da Bell Labs, desenhado por Eero Saarinen no final da década de 50.

E todo aquele branco e tudo mais, lembra muito a própria Apple. Quase como uma entidade gigantesca, poderosíssima que você não consegue bater de frente.

A Apple é hoje a empresa mais valiosa do mundo! Segundo a Forbes, o valor de mercado da empresa é de US$2.6 trilhões de dólares, o que é até difícil de conceber. Atrás vem Alphabet, que reúne Google e suas empresas, Microsoft, Samsung, a chinesa Tencent, depois a Meta do Facebook, Intel e por aí vai. 


Ruptura e o mercado de Streaming

Então, meus amigos, a Apple tem muita grana para investir em streaming. Isso vai ao encontro da teoria da agregação, método que todas as Big Techs apostam para conseguir mercado e que eu comento neste outro vídeo.

E é por isso que a brincadeira de Streaming pode ficar interessante. A Netflix pode realmente se dar mal nessa brincadeira de concorrência com essas empresas que estão vindo na sequência (a longo prazo). Porque a fonte de renda da Netflix vem das assinaturas de streaming, enquanto Apple e outras empresas têm público em diversas frentes e muitos dados para se expandir.

Isso também mostra que, no fim, conteúdo de qualidade é o que vai movimentar esse mercado, quem tiver os melhores filmes e melhores séries vai conseguir manter o público.

Ruptura é a prova de que o mercado de streaming depende de conteúdos de qualidade e que grandes empresas têm chance mesmo entrando depois na concorrência

 

O problema é que essas empresas de streaming têm que manter sempre alguns conteúdos sendo exibidos, mesmo que não sejam da melhor qualidade. Porque sem conteúdo novo, aí mesmo é que o o número de assinantes cai.

Por isso é comum tanto conteúdo que sem tanta qualidade, para manter uma base de assinantes menos exigente e tentar manter quem tá ali.

É aí que vemos algumas pessoas reclamando que não tem nada de bom para assistir no serviço.

Mas assim, estamos em uma época em que muito conteúdo é gerado. Então sempre tem alguma coisa boa para assistir, só que daí é a pessoa se perguntar o que quer assistir para descobrir onde assistir. Com tanta informação na internet, é perda de tempo assinar um serviço sem saber o que quer assistir. 

Se você assinar um serviço sem saber por que, as chances são grandes de ficar ficar insatisfeito.

Mas bacana pensar que as gigantes da tecnologia, mesmo entrando depois, podem conseguir público no streaming porque podem fazer coisas de qualidade. Ruptura parece ser a prova disso, ninguém quis fazer a série e a Apple soube reconhecer que a história era boa, foi lá e fez.


Detalhes da série

E cada detalhe, cada escolha dessa série é surpreendente. As cores utilizadas, os símbolos, tudo é muito bem escolhido e é o tipo de série que eu vou reassistir quando chegar a segunda temporada. Principalmente por conta do plot no final.

Um detalhe simples, mas que mostra a criação de conceito é na parte de refinamento de dados pelos computadores velhões utilizados pelos funcionários. Você pensa por que computadores tão velhos? E não é só uma escolha estética, conforme explicado pelo próprio Ben Stiller em entrevista à Variety

A série mostra uma imagem da carteira de motorista de Mark, o personagem principal, e vemos que a série se passa em 2020, então esses monitores antigos podem não fazer sentido num primeiro momento.

Mas, segundo Ben Stiller, esta é só mais uma forma como a Lumon mantém seus funcionários afastados do que tem no mundo fora dali. É uma forma de ela garantir que eles não tenham nenhum meio de conexão digital com o mundo exterior. Até por isso o prédio não tem janelas.

Então é surpreendente a quantidade de detalhes colocados e pensados pra série.

Fazendo essa comparação com a Neuralink, uma empresa que tá apenas começando, fica claro que muita coisa que é mostrada nessa ficção pode mesmo se tornar realidade.


Chip em humanos é questão de tempo

Ficam aí todos esses alertas e reflexões. Eu realmente acredito que chip na cabeça de forma popular vai acontecer. A questão, quando a falamos de tecnologia, não é nem se vai ou não acontecer, é muito mais daqui a quanto tempo isto vai acontecer?

Se voltarmos mil anos, um celular pareceria bruxaria. E nem precisaria voltar tanto assim, se voltássemos 100 anos o celular já seria algo que chocaria as pessoas. Então um chip na cabeça pode acontecer daqui a 50, 100, 1000 anos e por aí vai. Quem é que vai garantir? Só o tempo.

Ter acesso ao nosso cérebro é algo muito poderoso, a quantidade de coisas que poderemos fazer a partir disso é muito grande e eu comentei algumas aqui. Mas diz você, isso vai acontecer? O que você acha?

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Neri Neto

O universo geek faz parte do dia a dia, da vida, deste jornalista. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Neri Neto é responsável por conteúdos diversos no Mundo Conectado. Ele adora tecnologia, cinema, games e descobriu ainda na infância que a linguagem dos vídeos seria perfeita para falar de tudo que ama.

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