Starlink: o que você precisa saber sobre a internet via satélite de Elon Musk

Entenda os planos da empresa e como sua tecnologia permite conexões mais rápidas

Starlink: o que você precisa saber sobre a internet via satélite de Elon Musk

Elon Musk, o homem mais rico do mundo e dono das empresas Tesla e SpaceX, veio ao Brasil recentemente para divulgar seu projeto de levar a Starlink para 19 mil escolas públicas no país. A proposta é promissora, afinal, o acesso à internet e democratização da tecnologia é algo muito discutido, mas que, infelizmente, ainda não possui planejamento concereto ou apoio político necessário para começar a acontecer.

Neste artigo, vamos explicar o que é a Starlink e como a internet via satélite da SpaceX pretende levar uma conexão rápida e de qualidade para regiões remotas ou que não possuem infraestrutura desse tipo. No vídeo abaixo, você confere o unboxing do kit da Starlink, tudo o que vem na caixa e como montar e configurar a antena. Também explicamos como funciona a conexão da antena com os satélites, quanto tempo demora para configurar a internet da empresa no Brasil e, o mais importante, quanto custa esse serviço por aqui no país.

O que é a Starlink?

A Starlink é uma proposta de levar internet para o mundo inteiro, sem restrições geográficas ou necessidade de infraestrutura local. As antenas da empresa proporcionam internet banda larga de alta velocidade e baixa latência em todo o globo. Atualmente, a Starlink já está disponível em 32 países.

Site oficial da Starlink

Como os satélites Starlink estão na órbita baixa, o tempo de ida e volta de dados entre o usuário e o satélite — também conhecido por latência — é muito mais baixo do que em satélites de internet convencionais em órbitas geoestacionárias. Isso possibilita que a Starlink forneça serviços como jogos on-line que são geralmente impossíveis em outros sistemas de bandas largas de satélites.

Basta ter o equipamento necessário, eletricidade e um celular para configurar a conexão que o usuário já está pronto para se conectar aos milhares de satélites da Starlink. O kit da marca inclui uma antena e um roteador, que são ligados à tomada por uma fonte. Além de comprar o hardware, o usuário precisa assinar o plano mensal da internet via satélite da empresa.


Processo de montagem do kit da Starlink. Imagem: Reprodução/Mundo Conectado

Apesar do serviço estar expandindo, vale lembrar que a Starlink tem prejuízo com as vendas dos kits, já que eles ainda "não se pagam". O custo de produção dos equipamentos, antenas, satélites e todo o resto, ainda não proporciona lucros significantes. Obviamente, este é um negócio de longo prazo.

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Quanto custa?

Para ter uma internet da Starlink funcionando em casa, é necessário ter o equipamento e estar em dia com a assinatura do serviço (assim como qualquer outro serviço de internet). O preço do kit — que inclui antena redonda, fonte e roteador — é de, atualmente, US$ 599 ou R$ 3.000 para quem adquirir a antena no Brasil. É importante lembrar que ao importar a Starlink, o consumidor brasileiro está sujeito a pagar a mais pelo frete e impostos de importação. Sendo assim, o total da compra do equipamento pode chegar até R$ 4.500.

A assinatura do serviço padrão da Starlink, com donwload entre 100-200 Mbps e latência de até 20ms, custa hoje US$ 110 (antes US$ 99) ou R$ 530 por mês sem impostos. A empresa também oferece o Starlink Business (ainda não disponível no Brasil), um serviço de internet premium com velocidade de download entre150–500 Mbps. Essa opção custa US$ 500 por mês e requer a compra do equipamento com a antena quadrada que custa US$ 2.500. Desde que a Starlink foi lançada, o preço da mensalidade e do kit sofreram ajustes.


Preço atualizado em 22/05 da Starlink padrão no Brasil — os valores não incluem frete o importos na importação. Imagem: Reprodução/Starlink

Como funciona a internet da Starlink?

Conseguimos entender melhor como a cobertura global da Starlink funciona pelo site Starlink.sx. Este não é um site oficial da Starlink, mas seu desenvolvedor conseguiu mapear a rede de satélites da empresa e mostrar de forma didática como os satélites se movimentam e se conectam às antenas, além de informar sobre a qualidade atual da internet nas regiões que recebem sinal da empresa.

No mapa abaixo, captura do site, podemos visualizar melhor a malha de satélites da Starlink e como acontece a comunicação triagulada entre a antena, satélite e servidor. Na imagem, podemos ver os satélites operantes na órbita da Terra (bolinhas azuis ou losangos verdes), em standby e os inoperantes. Os gateways (bolinhas laranja) são os pontos de comunicação entre duas redes. Eles estão em pontos fixos e cobrem uma região de raio determinado. Já o PoP, Point of Presence, (triângulo roxo) é o local que "abriga" a internet da Starlink, o ponto de presença da empresa dentro de um data center no solo.


Malha de satélites da Starlink e seus pontos de conexão em terra. Imagem: Reprodução/Starlink.sx

Então, basicamente, a antena doméstica de um usuário se conecta a um satélite Starlink à medida que ele passa "por cima" da região, que por sua vez faz a conexão com o gateway mais próximo. Os gateways estão posicionadas em todo o mundo e trocam sinais com os satélites Starlink, conectando-os à infraestrutura de fibra óptica existente.

O satélite tem duas antenas parabólicas na frequência KA (entre 26.5 GHz e 40 GHz) conectando com o backbone de internet (gateway). Para comparação, essas são frequências similares às ondas milimétricas do 5G, que são as frequências mais velozes da Terra, hoje. No Brasil, o 5G usará as ondas milimétricas na faixa de 26GHz.

INTERNET A LASER
Cada satélite Starlink possui 4 antenas de matriz faseada e duas antenas parabólicas. Mas a empresa também está testando lasers ópticos espaciais totalmente operacionais para permitir a transmissão de dados sem precisar de estações locais na Terra.

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Os engenheiros da Starlink já testaram satélites que usam lasers para se comunicar. Em vez de conectar as pessoas a uma estação terrestre próxima, os lasers permitiriam que os satélites se comunicassem diretamente na velocidade da luz, que é mais rápida no vácuo do espaço do que em cabos de fibra ótica. Segundo os engenheiros, essa tecnologia ainda é muito cara e desafiadora para fabricar em volume, mas eles esperam que ela seja lançada em futuras gerações de satélites.

Tem sinal no Brasil?

Desde janeiro de 2022, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já tinha concedido o direito de atuação à SpaceX no Brasil. Em abril, as antenas começaram a chegar em São Paulo e outros estados do país. O processo de expansão da cobertura prevê maior conexão em Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, além de que outras áreas do país deverão receber, pela primeira vez, cobertura até o começo de 2023. No mapa abaixo, você confere as regiões que dispõe (ou irão receber) o sinal da Starlink.


Cobertura atual da internet via satélite da Starlink em território brasileiro. Imagem: Reprodução/Starlink

Por enquanto, o sinal da Starlink no Brasil ainda não contempla todas as áreas do país, muito menos entrega a velocidade e latência ideal em todas as regiões em contato com os satéites. Atualmente, no Brasil, há apenas um PoP e poucos gateways se compararmos com a infraestrutura da Starlink nos Estados Unidos. Obviamente, a tendência é que a conexão aqui no país fique cada vez melhor, já que a quantidade desses pontos terrestres deve aumentar, bem como o número de satélites e rotas sobre o território brasileiro.


Mapa mostra o diâmitro de alcance do PoP (Point of Presence) da Starlink no Brasil. Imagem: Reprodução/Starlink.sx

Onde estão os satélites da Starlink?

Enquanto a maioria dos serviços de satélites hoje provém de satélites individuais geoestacionários que orbitam o planeta a cerca de 35.000 km, a Starlink se considera como uma constelação de muitos satélites que orbitam o planeta muito mais perto da Terra, a cerca de 550 km, e que cobre todo o globo. Até o momento, já foram lançados mais de 2.500 satélites, sendo que mais de 2.200 estão em atividade atualmente.


Comparativo entre os satélites da Starlink na órbita baixa e satélites na órbita geoestacionária da Terra. Imagem: Repdoução/Starlink.

O propósito da SpaceX, fabricante de foguetes do Elon Musk, é lançar mais de 40 mil satélites para conseguir cobrir a maior área possível. Esses satélites se deslocam em rotas pré-estabelecidas a 550km de distância da Terra, cobrindo (até então) algumas áreas do planeta. Quanto mais satélites, maior e melhor a cobertura. Por conta disso, a SpaceX vem lançando satélites todos os meses, e no começo de 2023 já serão mais de 4.000 em órbita.

Como os satélites são lançados no espaço?

Os satélites da Starlink são lançados pelo foguete Falcon 9, da SpaceX. Como os satélites da Starlink são mais compactos que os convencionais (pois possuem um sistema de desdrobramento), o foguete consegue levar para órbita várias unidades. Além disso, o Falcon 9 tem a capacidade de voltar para a Terra e pousar, fazendo com que ele seja reaproveitado para próximos lançamentos.

Em órbita, os satélites da Starlink conseguem manobrar de maneira autônoma para evitar colisões com detritos e outras naves espaciais. Para se orientar, os satélites usam seus sensores de navegação embutidos, que determinam a localização, altitude e orientação de cada unidade.


Foguete Falcon 9 em mais uma missão para levar satélites da Starlink ao espaço. Imagem: Reprodução/Starlink.

Eles também utilizam sistema de propulsão de íons (potencializados por criptônio), que possibilitam que eles manobrem no espaço, seja no nível de órbita ou para voltarem à Terra no final de sua vida útil. Vale mencionar que a Starlink é a primera com propulsão de criptônio já lançada.

Uma nova corrida espacial?

Como a fornecedora líder mundial de serviços de lançamento, a SpaceX é a única operadora de satélites com a capacidade de lançar seus próprios satélites conforme suas necessidades. Com lançamentos frequentes e de baixo custo, os satélites da Starlink são atualizados constantemente com as tecnologias mais recentes.

Ou seja, a SpaceX projeta seus satélites, fabrica seus satélites, fabrica os foguetes para colocar os satélites em órbita e fabrica as antenas pra se conectar aos satélites. Eles têm toda a cadeia de produção e os equipamentos necessários para levar internet do ponto A ao B, dando uma voltinha fora do planeta e com potencial pra se tornar ainda mais rápido que a fibra óptica tão logo a quantidade de satélites e gateways esteja totalmente aplicada.

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Mariela Cancelier

Mariela é jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina e gosta de jogos de luta e MOBAs. Atualmente é redatora e roteirista de tecnologia para o Mundo Conectado.

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