Rússia e Ucrânia: guerra cibernética e as redes sociais em meio ao conflito

Rússia e Ucrânia: guerra cibernética e as redes sociais em meio ao conflito

Um pouco do que acontece no campo digital durante a invasão russa

Definitivamente as guerras não são mais como eram antes, tudo acontece muito mais rápido e o motivo é a velocidade com que a informação circula. Os EUA, por meio de imagens de satélite e seu serviço secreto, conseguiu antecipar o movimento das tropas da Rússia ekm meses.

Estamos em um tempo em que satélites conseguem fazer capturas e transmitir imagens de altíssima qualidade e com muita velocidade. E nesse sentido informação é algo que exército nenhum quer que o país rival tenha acesso.

Alguns vídeos estão circulando e mostram, supostamente, agentes da Ucrânia e soldados queimando papéis importantes. Há diferentes vídeos mostrando pessoas da Ucrânia e até da embaixada russa em Kiev queimando papéis.

E esse é um procedimento comum em embaixadas e alguns órgãos que realmente queimam documentos importantes em momentos como esses.

E eu sei que pode parecer estranho justamente na era moderna ainda existirem documentos de relevância em papel, mas a verdade é que alguns papéis simplesmente continuam relevantes pelas informações contidas neles ou simplesmente pelo seu valor burocrático.

O fato de uma informação não estar online também impede que ela possa ser acessada em ataques cibernéticos, a única forma de obter acesso nesse caso é à força, como acontece neste momento e por isso a precaução.

Continua após a publicidade

Além disso, assim que Putin reconheceu as áreas separatistas na Ucrânia, a embaixada da Rússia na Ucrânia começou a queimar papéis.

Questionado sobre isso, um funcionário da embaixada disse que “Este é um procedimento comum. Em casos como o que temos agora há um conjunto de medidas que devem ser tomadas por questões de segurança”.


Ciberataques

A Rússia fez muitos ataques de DDoS, ataques de negação de serviço. Eles servem para sobrecarregar sites e sistemas de comunicação basicamente com fluxo de dados. 

Pra exemplificar: quando você tenta acessar um site é gerado um pedido de informação para que o conteúdo que você deseja acessar seja apresentado, para que o site abra, que a página carregue.

O que o DDoS faz é bombardear o alvo de pedidos inúmeras vezes, simulando um tráfego imenso. Isso faz com que a demanda seja alta demais e não possa ser atendida. Foi basicamente o que a Rússia fez nas vésperas da invasão.

Foram registrados ataques a sites do governo e outros meios de comunicação da Ucrânia.

Sites do Ministério da Defesa, do Gabinete de Ministros, do serviço de segurança, do Ministério de Relações Exteriores e outros.

O site Netblocks, que registra interrupções no acesso à internet, compartilhou gráficos mostrando as quedas de internet momentos antes das explosões.

Continua após a publicidade

Além disso, foi detectado que um malware está em alta circulação: o Wiper, que é o malware de limpeza de dados e que foi detectado em diversos dispositivos de órgãos ucranianos.

Esse malware, ou vírus, como preferir, foi detectado pelas empresas ESET e Symantec, e segundo elas teria sido criado em 28 de dezembro de 2021. As empresas especializadas acreditam que os ataques virtuais à Ucrânia começaram a ser planejados nessa mesma época.

E vale lembrar que em janeiro a Ucrânia passou por um grande ataque cibernético sem um culpado identificado, o que agora está sendo atribuído à Rússia por algumas pessoas.


Câmeras Online

Enquanto a guerra acontece o mundo todo acompanha os desdobramentos das formas que consegue; por sites e redes sociais principalmente. Mas um meio curioso ficou em alta.

As pessoas começaram a buscar por câmeras online direto da Ucrânia logo no início da guerra. Então termos como ”Ukraine Live” ou "Kiev Ao Vivo" tiveram um pico de buscas no início da invasão.

Essas câmeras então passaram a ser compartilhadas no Youtube e agora a cobertura se organizar principalmente por meio de sites de notícia que estão com transmissões ao vivo com correspondentes.


Redes Sociais

Mas, além disso, há a maior participação parece ser das redes sociais. As informações circulam por meio das principais redes, com destaque para Twitter e Instagram. Imagens estão sendo capturadas por pessoas na Ucrânia, que vivenciam as cenas de terror e compartilham em contas pessoais. A partir disso, outras contas agregadoras compartilham essas publicações.

E aqui entra principalmente o twitter, que é a rede mais instantânea e que centraliza mais notícias de forma direta e com uma organização mais horizontal. Mas, apesar da utilizadade da circulação da informação, o Twitter iniciou bloqueando contas e não permitindo conteúdos relacionados.

A exemplo, duas contas que estavam comparitlhando imagens de relevância sobre o assunto foram banidas pelo Twitter sem mais detalhes do motivo. Foi o caso da @KyleJGlen e @NeuroneIntel.

Note que não há descrição para o motivo do banimento na imagem logo após a frase "Specifically for:".

O Twitter disse que isso fez parte de um teste para banir conteúdos, um teste interno que estava sendo realizado. Alguns apoiadores da Ucrânia acham extremamente negativo a remoção de imagens direto do campo de batalha.

Porque essas imagens mostram o que está acontecendo, é informação. E a Rússia já foi acusada anteriormente de utilizar redes sociais como armas mesmo, criando narrativas falsas sobretudo durante a anexação da Crimea.

Agora imagens estão circulando mais livremente no Twitter.

Já o Instagram tem reunido conteúdos menos factuais e mais de contextualização, além dos memes, é claro.

E os próprios cidadãos russos começam a protestar contra a guerra, algo que também acontece nas redes sociais. Mas as pessoas que estão protestando contra a guerra estão sendo presas. Resta esperar pra ver como o governo russo vai lidar com os protestos nas redes


Empresas Tech

Esse é um conflito que chama atenção porque também não há como saber até onde a Rússia pretende avançar no combate. A Ucrânia é um país de mais de 44 milhões de habitantes e que até então seguia sua rotina. Por lá, há empresas grandes de tecnologia, incluindo empresas de games.

A GSC Game World, responsável pela franquia Stalker, tuitou sobre o assunto pedindo ajuda e compartilhando uma conta para depósito.

O tuíte diz: “O Futuro é desconhecido, mas confiamos nas nossas Forças Armadas e em nosso país. Pedimos a todos: não fiquem de lado e ajudem quem precisa”.

Já a 4A Games, desenvolvedora da série Métro possui equipes na capital ucraniana e disse que está permitindo que seus funcionários trabalhem no exterior caso prefiram.

E essa não é a primeira vez que a empresa tem que lidar com a consequência de conflitos. Em 2014, ela mudou boa parte de sua equipe para Malta após a Rússia invadir a Crimeia.


Escassez de chips

Outro possíveis desdobramentos envolvendo o mundo da tecnologia tem relação com a aliança da Rússia com a China. Em caso de uma guerra mundial, o que está sendo visto como muito pouco provável, China poderia apoiar Rússia e isso levaria a um caos na fabricação de chips que tem a China como principal fornecedor mundial.

Então se nós já sofremos com o fornecimento de chips durante a pandemia, com países trabalhando de forma colaborativa, imagine em um cenário de guerra mudial.


Conteúdos

Por último, deixo aqui duas indicações de produções que podem ser interessantes para entender a figura de Vladimir Putin, presidente da Rússia, que sem dúvida é o grande personagem desta invasão.

O primeiro é “As Testemunhas de Putin”, documentário que mostra a ascensão do ex-agente de espionagem e o segundo é “Entrevistas com Putin”. Este último disponível no YouTube.

User img

Neri Neto

O universo geek faz parte do dia a dia, da vida, deste jornalista. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Neri Neto é responsável por conteúdos diversos no Mundo Conectado. Ele adora tecnologia, cinema, games e descobriu ainda na infância que a linguagem dos vídeos seria perfeita para falar de tudo que ama.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.