Navegadores são gratuitos, mas como eles ganham dinheiro?

Navegadores são gratuitos, mas como eles ganham dinheiro?

24 anos após Netscape virar o primeiro navegador grátis, modelo de negócio virou o padrão dos browsers

Há duas décadas atrás, quando eu tinha três para quatro anos e ainda não tínhamos o PC com Windows 98 lá em casa, o Netscape parou de cobrar pelo seu navegador. Desde então, esse é o padrão na internet: navegadores são gratuitos e ponto final! Antes disso já era normal você comprar um computador com Windows instalado e o Internet Explorer (IE). Até hoje a Microsoft faz essa "venda" casada, mas não mais com o IE, e sim com o Microsoft Edge, seu novo navegador.

10/01/2022 às 16:44
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Você pagaria por um navegador?

 

Mas pare e pense: você estaria disposto a desembolsar, vou dar um valor aleatório, 300 reais para comprar a licença do aplicativo do Google Chrome por um ano? Ou quem sabe pagar 10 reais por mês para assinar o Mozilla Firefox? Com diversos serviços funciona assim. A Adobe tem a assinatura dos seus serviços, o próprio Google oferece assinatura do Drive, por exemplo, do YouTube Premium. Os antivírus, como Kaspersky Norton, tem o modelo de negócio como o do primeiro exemplo sobre o Chrome. Você compra um pacote para ter um ano de uso do produto. Ainda há a opção Freemium desses antivírus... E claro, de diversos outros serviços. Você pode usar sem pagar, mas tem os serviços limitados. Entretanto, antes de explicar como eles sobrevivem, vamos explicar seu surgimento

1990: surge a Web e os navegadores

 


1997: imagens de uma batalha da guerra de browsers entre Microsoft e Netscape. Fonte neste link.

Diz o ditado que o abridor de lata surgiu imediatamente após a criação da lata. Na verdade não foi assim, demorou anos para que as pessoas abrissem latas de maneiras mais prática. E o que isso tem a ver com navegadores? Bem, o primeiro navegador foi criado quase que junto da World Wide Web, a Web que utilizamos hoje e se confunde com a própria Internet (vai dizer que nunca ouviu a oração "nossa, estou sem conseguir entrar na Internet). O criador da WWW, Tim Berners-Lee, criou também o navegador WorldWideWeb (tudo junto) para dar uma interface ao acesso dos documentos e planilhas hospedados na Web. Assim surgiram os navegadores, cujos principais nomes nos primórdios eram o Internet Explorer e Netscape Navigator

A principal maneira do IE ganhar dinheiro foi a parceria entre a Microsoft e as fabricantes de PCs através do método OEM. As fabricantes, como Dell e HP, vendiam seus produtos já com o Windows instalado junto com o navegador. Enquanto isso a Netscape perdia mercado, mantendo um sistema de cobrança para o uso comercial e um "freemium". As aspas são porque o usuário comum pagava quando quisesse, similar ao famoso "pague o WinRar". A Netscape processou a Microsoft por monopólio e venceu. Mas segundo os jornais da época, a vitória veio tarde e a Microsoft estava ganhando a guerra de navegadores. Assim o Navigator virou grátis em janeiro de 1998, com a Netscape tentando se sustentar em outros serviços online, como servidores. Deu errado, mas deu certo...

Pagar por um navegador? Nunca mais

 

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O código-fonte do Netscape Navigator deu origem ao Mozilla Firefox, que pode ser considerado o sucessor do falecido. Mozilla era o nome do mascote da Netscape, aquele que está na primeira foto. Ao ser lançado em 2002 iniciou uma nova era da guerra dos navegadores, só que não com A x B, e mais um E x F x C x O. E ninguém paga para usar nenhum navegador hoje em dia (talvez haja quem queira?). 

Mas se ninguém paga, como eles sobrevivem? É porque o produto é você! 

Vamos explicar por partes, primeiro excluindo quem usa o Microsoft Edge. Se você usa o FirefoxSafari, Opera (salve!) ou Chrome, existe um buscador de pesquisa padrão quando você instala o navegador e o utiliza pela primeira vez: o Google. Tirando o Chrome, o Google paga esses navegadores para que o seu buscador seja o padrão. Inclusive a Apple recebeu 15 bilhões de dólares na renovação de contrato pela exclusividade do buscador. Esse dinheiro dá para pagar a equipe responsável pelo Safari por uns anos. O Opera utiliza o Google como buscador desde 2001 e renovou o contrato por mais vários anos em dezembro de 2021. Os valores não foram vazados.


Opera possui atalhos para utilizar outros buscadores. Por padrão, na primeira imagem, o Google. Ao digitar a letra "y", o usuário utilizará o Yahoo como buscador.

E o Chrome, hein? O Chrome recebe o dinheiro de casa, que por sua vez recebe uma grande parte da sua receita através do Google Ads, aquelas "propagandinhas" que surgem quando você pesquisa algo. Por mais que um clique custe "centavos" para o anunciante, as empresas fazem campanhas com um grande orçamento. De clique em clique, a Googlinha enche o papo. Ou algo assim. E sem falar na integração entre o Chrome e os outros serviços do Google, como DriveYouTube Gmail. Tudo está a um clique de distância de você ao usar o Chrome e logar com a sua conta do Google.


Anúncio da Amazon ao pesquisar sobre armazenamento em nuvem. Clicou no anúncio? O Google desconta do orçamento do anunciante.

E aí entra um clico sem fim, como cantam em Rei Leão. O Google paga 15 bilhões aqui pela exclusividade do Safari, mais um valor X ali pelo Opera e Firefox. O usuário pesquisa algo, clica no anúncio e dá mais dinheiro para o Google e para o Chrome (indiretamente). E qual é o principal sistema de Ads nos banners dos sites? Pergunta retórica. E outra coisa, o Opera também tem parcerias para que alguns sites sejam o padrão na sua funcionalidade do Speed Dial.

Dito como o Chrome se sustenta, ou melhor, o Google ganha dinheiro, fica fácil explicar como a Microsoft faz o Edge ser rentável. A diferença é que eles usam o Bing. O buscador também possui o seus anúncios pagos nas pesquisas e isso "paga" o Edge. Claro que ser propriedade de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, que cobra R$ 1.099,00 pela versão Home do Windows 11, também ajuda. 


Aceitas Bing?

Você assinaria um navegador com recursos extras? Já pensou no Chrome disponibilizando o agrupamento de abas somente na versão "Pro"? Conte nos comentários

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Felipe Freitas

Felipe Freitas é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mas, segundo quase todo mundo, tem cara de quem fez Sistemas. Começou nos jogos com o SNES do seu tio, nunca passou da parte da montanha em Legend of Legaia e adora jogos com histórias bem feitas. Não perde a chance de fazer uma Jojo Pose.

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