Nova politica de privacidade do Whatsapp - O que muda? Preciso me preocupar?
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Nova politica de privacidade do Whatsapp - O que muda? Preciso me preocupar?

O WhatsApp vai alterar a forma como trata os dados dos usuários a partir de 8 de fevereiro de 2021

Leitura Rápida

  • O WhatsApp anunciou que irá integrar o serviço com o Facebook
  • Isso significa que os dados dos usuários serão compartilhados entre as plataformas
  • O app diz que isso será usado para aprimorar a experiência de compras na plataforma e nada mais
  • Os usuários temem que aconteça o mesmo de 2018, com o escândalo de Cambridge Analytica e Facebook
  • Veja aplicativos que tem função semelhante oferecendo algumas opções extras

O WhatsApp começou a enviar avisos aos seus usuários, informando sobre as novas políticas de privacidade da plataforma. O envio iniciou na segunda quinzena de janeiro de 2021, informando que as medidas iniciam no dia 8 de fevereiro, dando alguns dias para seus usuários aceitarem os termos. Isso mudou depois de algumas manifestações contrárias. Agora, a data limite é em maio.

Não existe opção: "NÃO ACEITAR"

 

Não há a opção não aceitar. Você pode pedir para aceitar depois, ou aceitar na hora. A última opção é deletar a plataforma e migrar para outro mensageiro. Mas, a final de contas, o que muda? Quais são as novas políticas? Como isso afeta o usuário final? As mensagens serão abertas pelo Facebook? Quais as medidas de segurança necessárias? 

Novas políticas de privacidade

Para começar, vale entender o que são essas novas políticas. Como já é de conhecimento, o Facebook adquiriu a empresa WhatsApp em 2014. Desde então, o mensageiro faz parte do grupo, que conta ainda com a rede social Instagram. A nova mudança prevê, de forma bastante nítida, a troca dos dados entre a companhia.

O comunicado deixa a entender que, até 2020, as informações dos usuários não era repassada entre as empresas. A nova política reverte essa ordem. A partir de 8 de fevereiro (adiado posteriormente), todas as informações dos usuários serão propriedade do Facebook também.

As novas políticas de privacidade autorizam a troca de dados dos usuários do WhatsApp com o Facebook a partir de maio

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Os dados, segundo o comunicado do próprio WhatsApp, são os que são concedidos no momento da instalação do app. Isso conta com o nome completo, número de telefone e todas as demais permissões necessárias para uso.

Para ficar mais fácil de entender, o mensageiro permite uma série de funções. Vamos explorar a mais básica: o áudio. Para que seja possível mandar uma mensagem de voz para outro usuário, é necessário permitir que o aplicativo use o microfone do seu dispositivo. A primeira vez que o recurso é testado uma permissão é solicitada. 

Para usar o recurso é necessário clicar em "permitir". Caso o usuário clique em "não" o áudio não poderá ser enviado. Uma única permissão é necessária para o envio de áudios durante todo o uso do app. O mesmo ocorre para a câmera, galeria, arquivos armazenados no dispositivo, localização, agenda, e todos os demais. Para ver o que o WhatsApp tem acesso em seu smartphone vá em: configurações, aplicativos, permissões do app.

Para desabilitar alguma permissão basta clicar na chave ao lado. É possível usar o aplicativo sem permissões, mas não será possível fazer uso das funções disponíveis na plataforma.

De certa forma, o aplicativo tem a permissão do usuário para escutar, ver e até ter acesso aos arquivos do dispositivo. Apesar de ser negado, é possível ter acesso aos dados de forma mais completa, mesmo quando o usuário não solicita. Vale destacar que isso não pode e nem deve ser feito. Mas, quem nunca falou sobre algum produto e, de repente, vários anúncios começaram a aparecer nos sites ou redes sociais sobre o mesmo? Mesmo sem ter pesquisado e nem digitado o item? Bem, talvez seja coincidência, não há nenhuma prova de que as empresas fazem escuta dos seus usuários. 

O WhatsApp reforça que os dados de envio de mensagens usam criptografia e não são armazenados em seus servidores. As mudanças, segundo o mensageiro, são para melhorar e oferecer um serviço mais seguro e eficiente para seus clientes. O que faria com que a experiência com compras e atendimento seja melhor.

Efeitos diretos

De forma direta, teoricamente, o Facebook não tem acesso às conversas e chamadas feitas pelo usuário. O WhatsApp informa que os dados compartilhados são apenas os que vão garantir um melhor atendimento, em caso de necessidade. 

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Não há nenhuma mudança do que já ocorre com a plataforma. Essas informações já são trocadas, mas ainda não era explícito. Com essa nova política o WhatsApp pretende deixar mais transparente o que ocorre com as informações repassadas. 

Apesar disso, os usuários verão grandes mudanças na plataforma. Isso vai acontecer, principalmente, no contato com contas comerciais. A partir da atualização, a plataforma vai dar ainda mais atenção a empresas e ao contato com elas. 

Mudanças no WhatsApp

O WhatsApp promete que, com essa atualização de política, haverá três principais mudanças para os seus usuários. Seriam elas: Atendimento ao cliente, Descobrir outras empresas e Experiências de Compras. A atualização iria modificar apenas esses aspectos, segundo o comunicado do mensageiro.

É possível perceber que o WhatsApp está direcionando bastante a atualização para serviços para empresas. As três novidades são voltadas para o aprimoramento da plataforma como um ambiente de oferta e compra de produtos. 

As principais mudanças serão na interação entre o usuário e contas comerciais, além de anúncios de empresas

 

O atendimento ao cliente, por exemplo, é um serviço para aprimorar o contato com contas comerciais e pessoais. A plataforma pretende usar a infraestrutura de compras do Facebook, exportando os dados do WhatsApp. Isso, segundo o mensageiro, torna o contato com os vendedores mais simples e seguros. Além disso, a plataforma promete enviar um aviso ao cliente quando a conta estiver usando o serviço da empresa mãe. 

O segundo serviço é "Descobrir novas empresas". O objetivo é deixar que o usuário faça buscas na plataforma e encontre alguma empresa que atenda a sua necessidade. Isso já ocorre nas redes sociais vizinhas do WhatsApp, como Instagram e Facebook. Essa deve ser uma maneira que a ferramenta usou para lucrar com anúncios de pequenas e médias empresas, que terão destaque na busca. 

Para quem está pensando que o Descobrir novas empresas vai funcionar como os anúncios do Instagram, bem, não está errado. A plataforma confirma que irá usar as preferências do usuário para sugerir novas empresas que podem ser úteis, ou induzir ao consumo. O cliente pode conversar com a empresa diretamente, via um botão que será disponibilizado. 

Por fim, as experiências de compras. Depois que o usuário decide clicar em algum dos anúncios disponíveis, a negociação e a possibilidade de adquirir o produto inicia. "Esse recurso permite que você veja e compre diretamente no WhatsApp os produtos que essa empresa oferece na Loja do Facebook ou do Instagram." Ou seja, o usuário pode fazer a compra diretamente com os botões disponíveis na própria plataforma. 

O WhatsApp fala em seu comunicado que, toda vez que o usuário utilizar os novos recursos, um aviso será enviado. Essa notificação irá lembrar o usuário que os seus dados estão sendo trocados com o Facebook, uma vez que a ferramenta é vinculada com a empresa mãe. 

Segurança do Facebook

O WhatsApp promete que não escuta as suas mensagens e nem as lê. Também diz não armazenar as informações que são trocadas de um smartphone para o outro. Apesar disso, o Facebook possui um péssimo histórico quando de se trata de dados dos seus usuários.

O Facebook possui um péssimo histórico com a segurança dos dados dos usuários. Como no escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, em 2018

Vale lembrar o escândalo de Cambridge Analytica, que aconteceu em março de 2018. O Facebook enviava as informações de seus usuários para a empresa de análise de dados desde 2014. Estima-se que as informações de pelo menos 87 milhões de usuários foram deturpadas durante esse período. 

Portanto, quando a informação de que o WhatsApp trocaria os dados com o Facebook causou muito desconforto para muitos usuários. A verdade é que, se a mesma pessoa possui contas em ambas as plataformas, suas informações já são armazenadas pela empresa. 

Esse é um jeito que o WhatsApp encontrou para manter os seus usuários cientes do que está acontecendo. Também dá a sensação de que as informações trocadas possuem o consentimento do cliente, mesmo que não haja outra opção além de aceitar os termos.

Repercussão das novas políticas

Com as novidades da atualização da política de dados do WhatsApp, alguns órgãos de regulamentação foram acionado. O primeiro a emitir uma resposta no Brasil foi o O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Ele falou que pediria para o WhatsApp remover a obrigatoriedade dos usuários em aceitar os termos. Além do órgão brasileiro, outras instituições internacionais se pronunciaram sobre as novidades.

O Idec notificou o WhatsApp e a Turquia iniciou uma investigação antitruste das empresas

Uma das principais foi a investigação antitruste feita pelo governo da Turquia. Eles começaram a investigação, para identificar se haveria um posicionamento de monopólio feito pelas redes sociais comandadas pelo Facebook. Além da pressão social feita, incentivada por grandes nomes como Elon Musk, CEO da Tesla e atual pessoa mais rica do mundo. 

Em resposta, o WhatsApp prolongou a data limite para adequação as novas regras. O primeiro comunicado falava que tudo seria feito até o dia 8 de fevereiro. No dia 16 de janeiro a plataforma emitiu um comunicado falando que as novas políticas começariam valer apenas em maio de 2021. 

Isso não impede das novas políticas serem colocadas aos usuários. Essa foi uma estratégia do WhatsApp para manter as manifestações contrárias a implementação das novidades. Elas ainda vão acontecer em 2021, mas vão levar mais tempo que o esperado.

Opções ao WhatsApp

Com todas as manifestações contrárias, alguns usuários já mencionaram a possibilidade de abandonar a sua conta no WhatsApp. O próprio Elon Musk recomendou que seus seguidores instalassem o Signal, resultando em downloads recordes da plataforma. Além dele, há diversas outras opções

O Signal é muito conhecido por manter a segurança do usuário em primeiro lugar. Ele é muito usado por grupos de pessoas, ou empresas, que trocam dados sensíveis com o mensageiro. Apesar de ser uma das possibilidades, ela não é a única. Listamos quatro opções populares abaixo, mas há muitas outras disponíveis.

Opções semelhantes ao WhatsApp

O grande problema é a falta de adesão. Não são muitas pessoas que possuem conta nas outras opções de mensagens, o que impede o amplo uso. Algo que pode ser modificado caso várias pessoas decidam abandonar o WhatsApp.

E você? Está preocupado com o que pode acontecer com a sua conta? Vai excluir ou deixar de usar o WhatsApp? Já faz uso de algum outro mensageiro? Deixe nos comentários qual sua opinião sobre o assunto. 

Fonte: WhatsApp, WhatsApp (2)
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Ana Luiza Pedroso

Ana Luíza é técnica em informática formada pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e graduanda de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Compõe o quadro de estagiários do Adrenaline e Mundo Conectado desde 2018, publicando notícias. Aprende muito todos os dias sobre o universo de hardware, games e tecnologia.

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