Entenda o que é o chip UWB presente nos iPhones 11 e 12 e nos Galaxy Note20 e S20
Créditos: Reprodução/ Mundo Conectado via TST Sistemas & Oficina da Net

Entenda o que é o chip UWB presente nos iPhones 11 e 12 e nos Galaxy Note20 e S20

Veja como funciona a nova proposta de transmissão de dados da Samsung e da Apple

Leitura Rápida

  • O UWB é uma tecnologia de transmissão de dados que está chegando aos smartphones
  • A Apple e a Samsung já estão começando a adicionar o recurso em seus dispositivos
  • Ele é usado para enviar e receber arquivos, de forma mais rápida e com uma conexão mais estável
  • Sua grande desvantagem é a curta distância que ele atende
  • Apesar disso, grandes arquivos são enviados de forma muito mais rápida e segura usando essa tecnologia
  • O objetivo é fazer com que esse recurso possa ser amplamente explorado em diferentes ambientes

A Samsung adicionou chips UWB em suas últimas linhas de smartphones, Galaxy S20 e Note20. Apesar da ideia dessa tecnologia ter sido inventada há mais de 100 anos, ainda não é muito comum o uso em smartphones. A Apple também aposta no uso desse chip em seus equipamentos, já estando presente no iPhone 11, a geração de 2019 do aparelho, além da recém apresentada iPhone 12.

UWB é a sigla para Ultra Wideband, em tradução livre é algo com banda ultralarga. Em resumo, sua função é fazer transmissão de dados sem fio com alta precisão. É muito parecido com o que é feito com o Bluetooth, por exemplo. A diferença é que sua banda é mais alta e seu alcance é menor.

Quem acompanha os lançamentos da tecnologia já deve ter visto o termo em algumas notícias. Vamos aprofundar um pouco mais sobre a sua criação, vantagens e desvantagens e como o recurso pode ser utilizado. 

O que é UWB

Como o próprio nome indica, ela é uma banda larga maior, de 500MHz, chamada de ultra. Um chip equipado com essa tecnologia emite ondas eletromagnéticas, capaz de trocar informações de aparelhos. É possível usar a tecnologia para enviar arquivos, fotos, vídeos, entre muitas outras coisas. 

Ok, mas porque não continuar usando o Bluetooth ou Wi-Fi? Essa é uma dúvida que pode surgir, uma vez que o princípio é exatamente o mesmo. Apesar de serem semelhantes, há uma grande vantagem. Por a banda ser maior, é possível enviar e receber informações de forma muito mais rápida, mesmo que o arquivo seja muito grande.

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A grande vantagem do UWB é enviar e receber dados de forma muito mais rápida e precisa

Outro motivo que pode levar os usuários a preferirem a opção, é a sua precisão. A tecnologia é capaz de fazer o reconhecimento do ambiente em tempo real, identificando a localização de outros dispositivos com UWB - não precisa ser apenas smartphones -, estabelecendo uma conexão precisa e direcionada. Isso ajuda a manter a troca de dados estável, o que auxilia no tempo de resposta de envio de arquivos ser menor, comparado ao Bluetooth por exemplo.

Abaixo você verá uma tabela comparativa mostrando as possiblidades e alcances do UWB comparado a tecnologias de transmissão mais usuais. São elas o Wi-Fi, Bluetooth, GPS e RFID (identificação por radiofrequência).

Por que usar o UWB?

Como mencionado acima, essa tecnologia é especialmente importante para reduzir o tempo de envio de arquivos. Isso pode não ser tão significativo para o envio de uma foto, ou um arquivo PDF, por exemplo. Entretanto, quando estamos falando de arquivos com mais de 1GB, o UWB pode economizar um tempo precioso.

O uso da tecnologia UWB pode economizar um tempo de upload precioso

 

Hoje em dia, os smartphones chamados "flgships", ou topo de linha, tem uma capacidade muito grande. Isso é válido tanto para armazenar informações, como na produção delas. É comum encontrar aparelhos, nesta categoria, que conseguem filmar em 4K, por exemplo. Isso torna os arquivos pesados e, consequentemente, com tempos de envios maiores.

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Essa tecnologia é extremamente direcionada, sem interferir em outros arquivos que também emitam radiofrequência. Quando há uma sala cheia de dispositivos, ele também pode ser a melhor opção escolhida. O Wi-Fi, por exemplo, distribui a rede entre todos os aparelhos conectados, algo que não acontece com o UWB. 

como são feitas as transmissões UWB

Mencionamos até agora que as transmissões usam ondas, ou pulsos, eletromagnéticos e ainda que ele é direcionado e funciona em distâncias curtas. A sua área de alcance é de 10 metros de distância. Seu pulso consegue encontrar dispositivos receptores dentro deste perímetro. 

Para entender como esse sistema funciona, vamos compará-lo a um radar. Ele escaneia os dispositivos do ambiente (dentro do seu limite de alcance), até encontrar algum receptor disponível. Ele também precisa estar equipado com UWB. Depois de encontrado, é estabelecido uma comunicação, estável e segura, sem interferências. 

Esse espaço de alcance é válido apenas em ambientes abertos. Conforme barreiras são adicionadas, como paredes, por exemplo, esse nível diminui. Por vezes, mesmo que esteja há 5m, mas há um empecilho entre os dois dispositivos, um não irá reconhecer o outro. 

Por esse motivo, ele não é tão eficiente quanto o Wi-Fi, em algumas situações. Por mais que a frequência diminua, quando são colocadas muitas barreiras, a rede ainda é detectada pelo dispositivo, continuando a transmissão de dados. Mas agora, se o usuário quer enviar vídeos de seu celular para o seu computador, por exemplo, o UWB é a opção mais rápida e segura, caso o smartphone esteja próximo ao PC. 

UWB em smartphones

A Apple foi pioneira no uso da tecnologia UWB em smartphones. A empresa adicionou a tecnologia em sua linha de smartphones lançada em 2019, o iPhone 11. A empresa mostrou que, quando os dispositivos da linha estão próximos, eles começam a medir distância. Assim, é possível definir a localização exata e o tempo de ida e volta do sinal. A mesma tecnologia pode ser encontrada na mais recente geração dos smartphone, o iPhone 12.

Outra novidade apresentada com o iPhone foi a expansão da distância de comunicação. Mencionamos anteriormente que o limite é de 10m, em ambiente aberto. Apesar disso, a Apple conseguiu ampliar para 200m, utilizando a tecnologia como um radar, definindo a posição do dispositivo receptor. 

Logo em seguida, a Samsung também trouxe a tecnologia em seus próprios smartphones Galaxy S20. A linha apresenta vários benefícios para quem compra "em família". Ou seja, quando entes próximos possuem o mesmo dispositivo. Isso porque, além do chip UWB, eles também tem outras vantagens, como o próprio carregamento reverso. Um aparelho pode ser usado como powerbank para outro.

Ainda no mesmo ano, a coreana anunciou a sua linha mais completa, os Galaxy Note20. Eles também tiveram o recurso adicionados. Até o momento, os chips UWB estão restritos a estes modelos. São, em geral, opções mais completas e demandam um pouco mais de investimento. 

Apesar disso, há planos para que a tecnologia esteja presente em mais aparelhos. Recentemente, a Samsung, Xiaomi, Huawei e outras fabricantes formaram um consórcio, com o objetivo de desenvolver dispositivos que vão poder se comunicar por UWB. O objetivo é tornar o UWB disponível nos smartphones e, posteriormente, formular um ecossistema completo usando a plataforma.

Como o UWB pode ser usado

Como seria um ecossistema com UWB, uma vez que acabamos de mencionar que isso é possível. Falamos que ele é usado para comunicação direta, em curtos espaços. Pois bem, há uma série de recursos que poderiam ser explorados com a tecnologia.

Quais seriam eles?

Imagine sair de seu trabalho, com o seu smartphone no bolso. Você para ao lado do seu carro, ele abre sozinho. Você senta, ele dá a partida sem a necessidade de chaves. Quando você está chegando em casa, o seu portão abre exatamente quando se aproxima da garagem e fecha quando o carro para. Você entra em casa, as luzes acendem, a porta tranca em seguida. Nenhuma chave foi usada, nenhum comando foi dado. Tudo isso foi feito apenas pela proximidade dos seus objetos com o seu celular.

Parece cenas de filmes futuristas? Mas ainda dá para sonhar um pouco mais:

Você precisa comprar um presente de natal para alguém. Há a indicação da loja e em qual shopping é. Você se aproxima de um dispositivo dentro do shopping e ele te indica o melhor caminho para chegar à loja e acompanha o seu trajeto.

Ainda parece pouco, ou dispensável? 

Pense então que você tem uma filha e ela vai fazer a sua primeira viagem de avião sozinha. Imagine poder acompanhar o trajeto que ela está fazendo, apenas pelo sistema do aeroporto conectado ao seu smartphone. Você vai conseguir saber se ela está na plataforma correta e se conseguiu entrar no avião. 

E ainda há mais possibilidades

Os chips UWB podem estar presentes em pontos de ônibus, trens, metrôs, etc. Além de estar dentro das conduções. Assim é possível saber exatamente qual linha irá passar no seu destino e onde é o melhor local para descer.

Todas as cenas descritas acima podem ser feitas a partir do uso de UWB..

Pequenos dispositivos podem ser inseridos em shoppings, aeroportos, museus, supermercados, grandes centros e em muitos outros lugares. Eles também podem ser usados em controles domésticos, identificando o smartphone do usuário e seus itens pessoais. 

Claro, para que isso seja possível há um longo caminho a ser traçado. Novamente, sabemos que para criar uma atmosfera inteligente, como nos exemplos mencionados acima, é necessário investimento. O que o consórcio de fabricantes propõe é que, em algum momento, a tecnologia esteja disponível, podendo ser popularizada e cada vez mais usada e comum em tarefas simples.

Como a tecnologia foi criada

Mencionamos logo no início que o UWB está presente há mais de 100 anos. Eles eram usados para transmissões curtas de rádio e, posteriormente, por militares. Sempre foi explorado o recurso de conexão estável, em curtas distâncias.

As pesquisas científicas, para explorar os usos, começaram a acontecer apenas em 1992. Apenas depois desta data a tecnologia passou a integrar radares, redes pessoais e até localização de aparelhos médicos. 

As pesquisas usando UWB só voltaram a ser exploradas em 1992

 

O UWB só recebeu sua primeira certificação em 2002, nos EUA.  Foi com essa regulamentação que o limite de frequência foi definido, sendo estabelecido no que conhecemos hoje. Isso fez dele ainda mais preciso, demandando uma baixa energia elétrica, o que faz dele mais econômico.

Até 2019 não havia smartphones no mercado que usassem o recurso. A Apple percebeu a possibilidade de explorar a tecnologia, algo que foi seguido pela Samsung. Hoje já é esperado que cada vez mais fabricantes adicionem o chip em seus dispositivos. 

Via: SamMobile, Computerworld, 9to5mac, TST Sistemas, tirichlabs Fonte: Insights Samsung
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Ana Luiza Pedroso

Ana Luíza é técnica em informática formada pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e graduanda de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Compõe o quadro de estagiários do Adrenaline e Mundo Conectado desde 2018, publicando notícias. Aprende muito todos os dias sobre o universo de hardware, games e tecnologia.

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