Dolby Vision: tudo sobre o HDR mais avançado do mercado

Dolby Vision: tudo sobre o HDR mais avançado do mercado

Tecnologia traz mais cores e níveis de contraste e áreas de brilho mais intenso, resultando em imagens mais vibrantes

Imersão semelhante à dos cinemas na sua casa. É isso que os fabricantes de TVs e a indústria de entretenimento vêm tentando desenvolver nos últimos 10 anos. Surgiram as Smart TVs, a resolução saltou de FullHD para UltraHD e já está chegando a 8K, sempre em telas enormes, com tecnologias e termos técnicos que trazem melhorias, mas não explicam muita coisa: quantum dots ou Micro LED? Se seu bolso permitir, painéis OLED. Claro, com capacidade de processamento de IA (inteligência artificial) e assistentes de voz. São tantas tecnologias e inovações, mas quando o assunto é qualidade da imagem, talvez o maior salto tenha surgido com a implementação do HDR... E o Dolby Vision é o formato HDR que tem mais emplacado recentemente.  

Recapitulando, HDR (sigla em inglês para Grande Alcance Dinâmico) é uma tecnologia que permite criadores de conteúdo e profissionais de cinema criar vídeos com maior brilho, contraste e precisão de cores do que no SDR - o alcance dinâmico padrão. A maior parte das pessoas já está bem familiarizada com as possibilidades do HDR nas câmeras dos celulares, trazendo imagens mais vibrantes e que mostram mais detalhes nas áreas de sombra através da combinação de múltiplas fotos tiradas simultaneamente com exposições diferentes, combinando-as no pós-processamento ou na própria câmera, dependendo do aparelho.

Quando exibindo conteúdo compatível, uma TV com HDR é capaz de exibir uma maior gama de contraste entre o branco e o preto, trazendo mais detalhes em áreas muito escuras e brilhantes da imagem. Também amplia os highlights, os momentos de brilho em objetos iluminados, como reflexos, por exemplo. Sem HDR, esses highlights não teriam ênfase em relação a outros objetos da cena. Telas HDR em geral também possuem mais brilho, permitindo ao HDR exibir picos de luminosidade em determinadas áreas da tela, quando necessário.


SDR x Dolby Vision. Foto: Dolby

É aí que entra o Dolby Vision. Esse é o formato HDR proprietário da Dolby, com versões para cinema e televisão / home theaters. Existem 5 formatos de HDR mais difundidos para uso em casa, alguns gratuitos, outros pagos, cada um com suas especificações e possibilidades. Dois desses formatos são estáticos, três são dinâmicos.

Os formatos estáticos são o famoso HDR10, presente em toda e qualquer TV com suporte a HDR; e o HLG, um formato desenvolvido em parceria pelos canais BBC (inglesa) e NHK (japonesa), com intuito de criar um HDR mais amigável e compatível para uso em transmissões, evitando a necessidade de fazer o broadcast de dois formatos (SDR e HDR). Esse provavelmente será o padrão que futuramente será adotado para transmissão de conteúdo pelas emissoras de TV. Nos formatos estáticos, a definição dos ajustes do conteúdo HDR é feita apenas uma vez e, tão logo comece a exibição, nada mais é alterado. Uma única definição para todo o conteúdo, independente das variações de iluminação das imagens, com o HDR de todo o conteúdo sendo baseado no mesmo ajuste pré-determinado.

Os formatos dinâmicos têm um ator menos conhecido, o "Advanced HDR by Technicolor"; e os dois formatos que brigam pela preferência dos consumidores, seja pelo formato em si, ou por estar presente em suas marcas de TVs preferidas: O HDR10+ de licença gratuita e desenvolvido pela parceria entre Samsung, Panasonic e 20th Century Fox; e o Dolby Vision, desenvolvido pela.... Dolby Labs! A grande vantagem dos formatos dinâmicos é que eles carregam metadados com informações que permitem um ajuste quadro-a-quadro do conteúdo, modificando a intensidade dos elementos de HDR, Um filme que usa um formato dinâmico acaba transferindo muito mais dados, porém a intensidade do contraste, brilho e as cores são ajustadas de acordo com a cena, trazendo um resultado muito superior.


Dolby Vision na sua casa

Conforme já mencionado, Dolby Vision é o formato HDR dinâmico proprietário da Dolby Labs, o que permite ajustar os efeitos quadro-a-quadro, como se fossem fotografias, otimizando a imagem e entregando mais detalhes e melhor precisão de cor.

Criadores de conteúdo têm à sua disposição ajustes mais detalhados se comparado ao HDR10 e uma tecnologia mais preparada para o futuro se comparado ao HDR10+. Em termos de brilho, por exemplo, o Dolby Vision suporta picos de até 10.000 nits, valor muito acima do brilho emitido pelas TVs mais modernas do mercado, que atualmente ficam na casa dos 1.000 nits, podendo chegar a 2.000 nits de pico. Essa margem mostra que o Dolby Vision foi desenvolvido pensando nas tecnologias atuais e futuras, uma grande vantagem em relação ao HDR10 que suporta no máximo 1.000 nits e ao HDR10+, seu principal concorrente, e que chega ao máximo de 4.000 nits em picos.

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Ano após ano as TVs vêm ficando mais claras. Essa corrida da indústria tem bastante relação com a chegada da tecnologia HDR, já que pra conseguir jogar uma cena muito clara na sua TV, principalmente se a mesma estiver em uma sala bem iluminada, quanto mais brilho, melhor. Lembro de uma apresentação da Sony, na CES 2018, em que eles demonstraram um protótipo de TV que eles alegavam ter 10.000 nits de brilho, provavelmente cerca de 10 a 15 vezes mais brilho que a sua TV atual. Não à toa Las Vegas teve um apagão durante a feira. Alguns acusam a TV da Sony de ter sugado toda a energia da cidade...

Dentre os diversos padrões de HDR, Dolby Atmos é hoje o padrão preferido dos cineastas e o mais preparado para as próximas evoluções do HDR

Quando o assunto é precisão de cores, o Dolby Vision também sai na frente, trazendo suporte a 12-bits de profundidade de cor. Dentro do espectro de cores, os formatos de HDR dinâmicos são associados ao WCG (Wide Colour Gamut) e Dolby Vision traz suporte ao padrão REC. 2020 que ainda é uma utopia, já que nenhuma TV está perto de atingir essa gama de cores, mas é uma tendência para os próximos anos, trazendo para as telas cores mais próximas da gama total de cores que o olho humano é capaz de enxergar. Como referência, o padrão REC 709, utilizado anteriormente nas telas SDR, possuía apenas 8-bits de profundidade e capacidade de exibir 16.8 milhões de cores.

Mas e os formatos HDR10 e HDR10+? O número 10 no nome de ambos os formatos HDR vem do fato de ambos suportarem 10-bits de dados de cores, com muitos fabricantes de TVs adotando o padrão DCI-P3, justamente por essa ser uma faixa de cores muito adotada por Hollywood para filmes a serem exibidos em salas de cinema digital. Dessa forma, o HDR e HDR10+ estão alinhados com as tecnologias empregadas nas salas de cinema e nas TVs mais modernas, mas pode gerar um gargalo a médio prazo. E qual a diferença prática entre 10 e 12 bits de dados? Apesar de parecer pouco, esses 2 bits fazem uma diferença enorme! Com 10 bits de dados, os HDR10 e HDR10+ conseguem entregar 1.024 tons de cada cor primária, passando de 1 bilhão de cores possíveis. Apesar de você não conseguir distinguir cor por cor, seus olhos notarão a diferença quando for possível colocar lado a lado uma TV com HDR10+ e uma TV com Dolby Vision e seus 12 bits de dados, entregando 4.096 tons por cor primária e mais de 68 bilhões de cores. Mas isso é futurologia, afinal estamos a alguns anos dessa realidade. 

As cores visíveis no gráfico abaixo correspondem a gama total de de cores que o olho humano consegue enxergar e notem que  existem 03 triângulos que representam as gamas de cores que eu citei nos parágrafos anteriores. A gama de 8-bits de cores é super pequena nesse universo; já a gama de 10-bits compreende todas as cores visíveis em 8-bits e muito mais; por fim a gama de 12-bits cobre todas as cores da gama de 10-bits e vai muito além. Dessa forma, REC.709 está englobado no DCI-P3, da mesma forma que esse está dentro do REC.2020. Tendo isto em vista fica claro como Dolby Vision está mais preparado para o próximo passo da evolução das TVs em termos de abrangência de cores. Não que o HDR10+ não possa passar por uma revisão futura.


Dolby Atmos traz perfil de cores de 12-bits (BT.2020)

A diferença entre os dois padrões de HDR também está no custo. Enquanto o HDR10+ é um padrão aberto e praticamente gratuito (é cobrada apenas uma pequena taxa) a Dolby desenvolve o Dolby Vision e cobra uma licença dos fabricantes (royalties) pela implementação da tecnologia. Em teoria, TVs com Dolby Vision poderiam custar mais caro devido a esse custo para o fabricante.

 

Dolby Vision IQ é a novidade em 2020

A Dolby aproveitou a CES 2020, o único evento de tecnologia do ano (obrigado, Coronavirus #sqn) para apresentar uma atualização no seu HDR: o Dolby Vision IQ. Quem aqui não lembra da última temporada de Game of Thrones, com seus episódios sombrios, que teve o ápice na Batalha de Winterfell e que, em muitos momentos, careciam de detalhes e nos faziam imaginar o que estava acontecendo? Isso tem a ver com a forma que os diretores de filmes e séries estão explorando o contraste expandido que a tecnologia HDR oferece, trazendo mais profundidade de detalhes nas áreas escuras, de acordo com a experiência que eles querem passar em cada cena. Isso cria um desafio para quem está assistindo TV em um ambiente iluminado, com cenas escuras difíceis de serem enxergadas. Aumentar o brilho pode parecer a resposta nesse caso, mas você certamente perderá detalhes nas áreas escuras.

Pensando nisso a Dolby lançou o Dolby Vision IQ, que a empresa alega ir além do HDR. Essa tecnologia otimiza o conteúdo Dolby Vision exibido em sua TV de acordo com a iluminação da sua sala. Isso é feito usando o sensor de iluminação da TV em conjunto com os metadados dinâmicos do Dolby Vision, ajustando a imagem ao seu ambiente. Dessa forma a promessa do Dolby Vision IQ é "entregar uma imagem perfeita em sua sala em todos os momentos". Vale ressaltar que usar sensor de iluminação das TVs para ajustar a imagem, de acordo com a iluminação do ambiente, não é nenhuma novidade. Vários fabricantes já usam essa artimanha para "melhorar" a imagem, com resultados questionáveis. A novidade está em combinar essa técnica com o HDR dinâmico, sem deixar de lado os metadados que dizem pra TV de que forma os diretores gostariam que seus filmes fossem exibidos. Ou melhor, a forma com que eles pensaram e conceberam seus filmes para que os espectadores tivessem uma melhor experiência.  

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Infelizmente o Dolby Vision IQ não é uma tecnologia retro-compatível e a única forma de testar é comprando uma TV 2020 compatível. Eu tive a oportunidade de assistir uma demonstração no estande da Panasonic, na CES 2020, e a tecnologia me pareceu promissora rodando alguns vídeos no modelo HZ2000, quando comparada ao modelo anterior e sem suporte ao Dolby Vision IQ.

Até o momento, LG e Panasonic anunciaram suporte a tecnologia em suas novas linhas de TVs. A LG anunciou que suas linhas de TV OLED e Nanocell (concorrentes da linha QLED, da Samsung) trarão suporte a tecnologia. A Panasonic deve trazer apenas nos modelos topo de linha.

 

Quais TVs e dispositivos suportam Dolby Vision?

A LG e a Sony são as empresas que vendem os modelos mais avançados de TVs com suporte a Dolby Vision aqui no Brasil. Já a Philips possui uma Ambilight da série 6700 com suporte à tecnologia custando na casa dos R$ 3.300,00, sendo esse provavelmente o modelo mais barato por aqui. A TCL até possui modelos com Dolby Vision fora do Brasil, mas ainda não os trouxe pra cá. Lá fora outras marcas grandes como Panasonic, Hisense e Vizio também adotam a tecnologia da Dolby.

Enquanto a LG vai de Dolby Vision e a Samsung co-desenvolve o HDR10+, alguns fabricantes planejam embarcar ambas as tecnologias de HDR dinâmico em suas TVs

Mas é preciso garimpar pra encontrar os modelos com suporte de cada fabricante. Na LG, as linhas OLED de 2017 ou mais recentes e a linha NanoCell, lançada em 2019, suportam a tecnologia. Já a Sony traz a tecnologia em suas telas OLED e também nas Full Array LED. Via de regra, uma TV com suporte a Dolby Vision sempre trará suporte também ao HDR 10. Já há no mercado TVs da Sony, Philips e Panasonic com suporte a Dolby Vision e HDR10+.

A Samsung, por sua vez, vai no caminho oposto. A gigante coreana optou por abraçar o padrão aberto presente no HDR 10+ e tem uma vasta linha de aparelhos com suporte a tecnologia, ignorando o padrão adotado nas melhores salas de cinema atualmente. A opção da Samsung é compreensível, já que a empresa ajudou a desenvolver o HDR+. A LG por sua vez ignora o HDR10+ e foca 100% no Dolby Vision. Yin e Yang, sem dúvida.


O que assistir com Dolby Vision?

Em termos de conteúdo, assim como a adoção de Dolby Atmos - o codec de áudio tridimensional que trouxe a maior inovação em termos de som dos últimos 70 anos, a adoção do Dolby Vision vem crescendo rapidamente e os principais serviços de streaming já possuem conteúdo com suporte ao HDR da Dolby.

Na Netflix, para ter acesso ao conteúdo em Dolby Vision é necessário o plano Premium (Ultra HD), com mensalidade em R$ 45,90. Nele, séries como Altered Carbon, The Witcher, Black Mirror, entre várias outras, além da grande maioria dos blockbuster lançados por Hollywood nos últimos dois ou três anos estão disponíveis no catálogo e com suporte ao HDR da Dolby. É muito fácil identificar esses conteúdos, basta fazer uma pesquisa por Dolby Vision dentro do app e ele irá listar todos os conteúdos compatíveis. Entrando em algum desses conteúdos, a logo da Dolby e a palavra Vision ficarão visíveis. Assistir a esses conteúdos com e sem o recurso é a forma ideal de notar a diferença que ele faz. Em casa eu uso uma TV Samsung QLED da série 7500 e estou acostumado a ver filmes em HDR10. Testei o Dolby Vision com uma TV OLED 65B9 da LG. A diferença na imagem é imensa. Claro que a tela OLED da TV da LG faz toda a diferença ao exibir pretos mais puros, mas a diferença nos tons das cores ao exibir a superfície de marte no filme Perdido em Marte, ou o sol aparecendo por traz do planeta, com um pico de brilho crescente na tela, isso eu não consegui reproduzir na TV da Samsung. Crédito para o Dolby Vision, sem dúvida.


Netflix rodando na TV LG OLED 65B9. Foto: Jacson Boeing

Outros serviços de streaming também trazem suporte à tecnologia. O Amazon Prime alega ter suporte ao Dolby Vision, porém a biblioteca é quase nula e o conteúdo fica escondido dentro do catálogo. Mesmo a série Jack Ryan, com suporte a Dolby Vision, fica listada como HDR, isso quando você entra em algum episódio. Na descrição da série, a Amazon sequer lista o suporte a Dolby Vision. O mesmo acontece com a segunda temporada da série Bosch, que possui suporte ao recurso, mas não há nenhuma menção dentro do conteúdo. Vale ressaltar que o suporte da Amazon é maior em torno do HDR 10+, tecnologia largamente suportada por TVs da Samsung.

A Apple, por sua vez, embarcou na parceria com a Dolby e traz todas as suas 9 séries exclusivas no Apple TV+ com suporte a Dolby Vision. The Morning Show, See, Dickinson, todas ganham imagens mais vibrantes com o HDR da Dolby, que também está presente no recém lançado filme The Banker, umas das poucas produções do gênero disponível até então no catálogo da maçã. Dentro do catálogo de filmes possíveis de serem alugados ou comprados na lohja de filmes da Apple, aí sim, o suporte a Dolby Vision é maciço.

Já o Disney+ traz um grande catálogo de filmes e séries com suporte a Dolby Vision, incluindo a famosa série The Mandalorian. Mas apesar de já possuir mais de 50 milhões de assinantes, esse número ainda não conta com brasileiros, já que o serviço de streaming do Mickey ainda não estreou por aqui. Menos mal que recentemente a Disney confirmou que o serviço chegará ao Brasil em Novembro.


Dolby Vision em todos os filmes da franquia Star Wars, incluindo a trilogia original + Marvel e Pixxar. Crédito: Reddit

O Globoplay é o maior serviço de streaming nacional e, além do farto conteúdo da própria emissora, a empresa usa e abusa da popularidade da série “The Good Doctor” para atrair novos assinantes. Infelizmente eles não têm nem previsão de suporte ao Dolby Vision.

E para quem não abre mão das cópias físicas, os grandes estúdios de Hollywood têm lançado seus principais filmes em Blu-ray Ultra HD com suporte a Dolby Vision. Mas nesse caso, além da TV, você vai precisar de um aparelho que rode seus discos e seja compatível com a tecnologia da Dolby. Nesse caso você consegue o melhor não apenas em termos de imagem, mas também de áudio, já que usando um Blu-ray você pode conseguir reproduzir o o áudio em Dolby Atmos + TrueHD, sem compressão. A melhor qualidade de áudio disponível, sem perdas. Olha aí nosso artigo sobre Dolby Atmos mais uma vez. 

Em resumo, quando o assunto é HDR dinâmico, hoje Dolby Vision está na frente do HDR10+ em termos de conteúdo, sobretudo nos Estados Unidos, onde o catálogo de todas as empresas de streaming está totalmente disponível: Netflix, Apple TV+ e Disney+ estão apostando em Dolby Vision, enquanto Amazon Prime Video tem suporte, mas está mais para o lado do HDR10+. Por outro lado, 2020 trouxe esperança para os proprietários de TVs Samsung com suporte a HDR10+, já que o "Google Play Filmes e TV" anunciou que ainda este ano deve passar a oferecer suporte a HDR10+ em sua loja, o que será uma ótima adição em termos de conteúdo. Já em termos de especificações da tecnologia para o futuro, o Dolby Vision está mais preparado para os próximos anos.

 

E nos jogos?

Enquanto nos filmes o Dolby Vision é super popular devido a mentalidade dos diretores de Hollywood, que sempre criam suas obras pensando primeiro nas telonas, onde está a maior fonte de receita, nos games o foco é a casa dos consumidores, ou melhor, o sofá dos gamers. Nos filmes, Dolby Vision é hoje o formato de HDR dinâmico mais adotado, nos games não. Um dos pontos para isso tem a ver com a necessidade de pagar royalties para o uso do HDR da Dolby, enquanto o HDR10 é gratuito. O HDR10+ por sua vez também traz HDR com metadados dinâmicos, como o Dolby Vision, só que sem a necessidade de royalties.

O suporte a Dolby Atmos já existe em algumas plataformas. O Xbox One X já suporta Dolby Vision e a próxima geração de consoles da Microsoft, o Xbox Série X, também irá suportar. O PS4 por sua vez traz suporte apenas a HDR10 e até o momento a empresa não anunciou se o PS5 trará suporte a HDR10+ ou Dolby Vision. O que se sabe é que a Sony já anunciou que não trará suporte a Dolby Atmos e focará seus esforços em seu próprio codec de som 3D, o Tempest. Especulá-se que a empresa possa lançar sua nova geração de consoles com duas versões: algo como Playstation 5 e Playstation 5 Pro, com a versão mais avançada trazendo specs maiores e, talvez, suporte a algum tipo de HDR dinâmico. Só o termpo dirá.


Nova geração de consoles: Microsoft já anunciou suporte a Dolby Vision. Sony ainda não

A Microsoft também traz suporte para os gamers que jogam no PC, com o Windows 10 trazendo suporte ao Dolby Vision. Porém, jogar o quê?

Até o momento apenas dois títulos com suporte ao HDR da Dolby foram lançados: Mass Effect Andromeda e Battlefield 1. Notem que não são jogos novos. Os desenvolvedores tem optado por HDR10, mais simples, barato e com maior suporte. A tendência é começar a haver uma migração para modos de HDR dinâmico, com maior inclinação para o HDR10+ (gratuito), já que a adoção do HDMI 2.1 deve começar a acontecer em massa esse ano, trazendo inúmeras novas tecnologias para os gamers, como menor input lag, refresh rate variável e, claro, o que mais importa nesse caso, suporte oficial ao HDR dinâmico, que até já funciona com HDMI 2.0, porém não de forma oficial, o que vai garantir maior suporte e confiabilidade com a nova conexão. Se você ficou curioso, vale mencionar que o HDMI 2.0b suportava resoluções até 4K 60Hz e o HDMI 2.1 irá suportar 4K 120Hz ou 8K 60Hz, o que está ligado diretamente ao aumento de banda de transmissão que pulou de 18 Gbps para 40 Gbps entre essas versões. Falaremos em mais de talhe sobre isso em outro artigo - em breve.

 

Dolby Vision no seu celular

Desde que a LG lançou o G6, primeiro smartphone com suporte ao Dolby Vision, alguns fabricantes tem implementado a tecnologia permitindo que você consuma conteúdo com suporte a Dolby Vision nas telinhas. Notem que a empresa pioneira em Dolby Vision nos smartphones é também a empresa que mais adota as tecnologias da Dolby em televisões. A empresa tem outro modelos como V30, G7 e G8 ThinQ, todos compatíveis com a tecnologia.  

Enquanto nas TVs a decodificação do sinal HDR é feita pela processador da TV, nos smartphones a Dolby entrega o Dolby Vision via software, dessa forma, em teoria, todos os fabricantes tem a possibilidade de implementação desde que possuam boas telas em seus aparelhos. O resultado, no entanto, não é tão bom quanto o alcançado nas TVs. 

Desde o iPhone 8 a Apple vem adotando Dolby Vision em todos os seus aparelhos, incluindo aí o iPhone XR, as linhas iPhone X e 11 e também no iPad Pro. A empresa é o principal parceiro da Dolby em dispositivos móveis, disponibilizando conteúdo no iTunes com suporte a Dolby Vision, o que também ajuda a impulsionar e faz parte da estratégia do seu serviço de streaming, o Apple TV+.


App do Netflix no iPhone 11 + Logo do Dolby Vision Foto: Jacson Boeing

Por fim, além dos apps para TVs e media players como o Apple TV 4K, o Netflix também disponibiliza conteúdos com suporte a Dolby Vision em seus apps para dispositivos móveis.

 

Dolby Vision nos cinemas!

Mas eu não poderia terminar este artigo sem falar de onde tudo começou. Essa tecnologia surgiu primeiro nos cinemas, sua implementação faz parte do Dolby Cinema, com áudio tridimensional através do Dolby Atmos (nosso artigo detalhado aqui), cores mais vibrantes com o Dolby Vision, além de um sistema duplo de projeção em 4K a laser para atingir até 500X mais contraste que sistemas de projeção convencional, atingindo o preto puro, similar as telas OLEDs. Expandindo ainda a capacidade de gama de cores e ampliando o brilho da projeção em até duas vezes.

Atualmente há mais de 200 salas de cinema equipadas com a tecnologia Dolby Cinema ao redor do mundo, sendo 126 salas AMC só nos Estados Unidos. A China é outro mercado que tem adotado em peso a tecnologia, com mais de 50 salas espalhadas no país. E na América Latina? Infelizmente nada por aqui ainda.


Dolby Vision faz parte do Dolby Cinema, que também traz Dolby Atmos e dupla projeção laser 4K. Foto: Divulgação

Fonte: Dolby, Digital Trends, What Hi-Fi
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Jacson Boeing

Apaixonado por tecnologia, gadgets e pelo universo geek em geral, Jacson Boeing é sócio-fundador e Editor do Adrenaline, onde desenvolve um trabalho de bastidores, desenvolvendo parcerias e formas criativas de dominar o universo! Fora os sonhos ambiciosos, também ajuda no desenvolvimento de pautas e escreve esporadicamente sobre tecnologia, além de viajar para cobrir in-loco alguns eventos internacionais considerados importantes dentro da estratégia de expansão do Adrenaline.

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