Vale a pena comprar um SSD? SIM!!! Mas qual eu compro? Testamos vários modelos

Vale a pena comprar um SSD? SIM!!! Mas qual eu compro? Testamos vários modelos

NVMe, SATA, PCIe 4.0, PCIe 3.0, AHCI, HD, SSHD, comparamos todos eles em vários cenários

ATUALIZADO 26/08/2019 - 18:20 - O Artigo foi atualizado e agora traz informações sobre a capacidade ideal para um SSD, válido tanto para notebooks como desktops.

Uma dúvida muito grande de quem tem um computador e quer melhorar seu desempenho está relacionada ao SSDVale a pena gastar nesse componente ou não? A resposta curta e direta é SIM! Não apenas vale, mas talvez o SSD seja o componente que atualmente faz a maior diferença na usabilidade de um computador. E isso vale para desktop e notebook. A maior questão é saber se o seu sistema suporta um SSD e qual modelo comprar?

Vale a pena comprar um SSD? Sem pensar: SIM!!!

Nesse artigo irei esclarecer quais são os pontos que devem ser levados em consideração na hora de comprar um SSD - entre eles se o seu sistema tem compatibilidade, qual o melhor modelo e por que existe diferença de preço entre modelos de marcas diferentes, mas com a mesma capacidade, e uma série de outros pontos importantes. Também entrarei em algumas questões mais técnicas, além de mostrar vários testes e comentar o porquê dos desempenhos diferentes.

Começarei esclarecendo alguns pontos técnicos sobre drives de armazenamento. Abaixo, você confere uma foto dos modelos que iremos utilizar para os comparativos, desde HDs até o SSD mais rápido do mercado atualmente, um AORUS PCIe 4.0 que alcança 5.000 MB/s de leitura e 4.400 MB/s de escrita.


Meu sistema é compatível?

Temos algumas situações importantes quando se trata de compatibilidade. Vou tentar ser o mais claro possível, mas não irei entrar em detalhes sobre algumas especificações técnicas para não confundir e acabar gerando dúvidas nos leitores com pouco conhecimento no assunto.

Começo com o que destaquei na introdução: a primeira coisa que você tem que ter clara na cabeça é que, apesar da diferença de velocidade entre os vários modelos com preços e capacidades diferentes, o mais importante de tudo é: você precisa ter um SSD. Mas qual deles? Agora vem a questão de compatibilidade do seu sistema: é um desktop (computador de mesa com gabinete) ou um notebook?

Tenho um Desktop
Quando falamos em desktop, temos uma margem maior de compatibilidade, muito por esse tipo de sistema ser maior e ter mais espaço interno. Atualmente, qualquer desktop tem suporte para SSDs no padrão SATA e também placas dedicadas PCI-Express (apenas modelos de 15 anos atrás não tinham conexão PCI-Express). Sendo assim, é possível instalar qualquer tipo de SSD em um desktop. 

Logicamente, antes você deve conferir se o seu sistema tem a conexão disponível. As placas-mãe de computadores trazem várias conexões SATA possibilitando conectar vários drives de SSD ou HD, em sua grande maioria também suportando modelos PCI-Express.

Um gabinete tradicional com uma placa em formato Micro-ATX ou maior oferecem espaço e conexões de sobra.

Porém, o padrão atual virou a conexão M.2. A grande maioria dos SSDs NVMe são baseados no formato M.2 "2280" (2280 = 22mm de largura e 80mm de comprimento), apesar de ter drives de mesma velocidade em formato de placa dedicada PCI-Express. Para ter suporte a conexão M.2, você precisa ter no mínimo um sistema baseado em processadores Intel Core de 5ª geração, leia-se placas-mãe com chipset Z97 ou H97 ou mais recentes por parte de Intel. Quando falamos em AMD, você precisa ter um sistema baseado em processadores Ryzen, ai vale desde os primeiros Ryzen 1000 até os mais recentes Ryzen 3000, esses últimos sendo os únicos com suporte a PCIe 4.0 atualmente, tecnologia que possibilitou SSDs com mais velocidade.

Tenho um Notebook
Falando de notebooks, temos o problema de espaço interno. É possível instalar 3 tipos de SSDs: O tradicional SATA em formato 2.5 inch (2.5 polegadas), aquele mesmo formato dos HDs menores; O mSATA, uma versão reduzida que acabou não se popularizando e tendo muitas opções para escolher por isso. É uma solução que pode ser interessante já que permite continuar com o HD que vem no notebook além do SSD, porém você precisa ver se o seu note possui essa conexão - ela não está sendo implementada em modelos atuais; E, por último, o M.2. Essa conexão está presente nos notebooks mais recentes. Começou a aparecer em modelos com processadores Intel Core de 7ª geração em diante e virou padrão nos modelos mais recentes da 9ª geração. Os SSDs M.2 dos notebooks mais novos, inclusos os processadores Ryzen que começam a chegar ao mercado, são as melhores soluções se tratando de desempenho e permitem continuar com o HD ainda tradicional de notebooks.

Abaixo, temos algumas fotos de um notebook da Avell que, diga-se de passagem, são ótimos no quesito upgrade em boa parte dos modelos, porque permitem fazer o processo de forma simples e rápida, ao contrário de muitos notebooks que chegam a forçar a remoção da placa-mãe para instalar um SSD M.2.

Recomendo manter o HD se for possível, pois o cenário ideal é instalar o sistema operacional e principais aplicativos utilizados no SSD, deixando o HD como drive de armazenamento de arquivos diversos, como filmes, jogos, documentos etc. Agora, lembre-se: se comprou um modelo SATA de 2.5 polegadas, muito provavelmente terá que remover o HD para instalar, porque são raríssimos os modelos de notebook que suportam 2 HD's - justamente porque ocupam bastante espaço.

Os Formatos
Hoje, o mercado tem alguns formatos diferentes de drives de armazenamento, mas os mais populares são 3.5 polegadas (HDs SATA para computadores desktop), 2.5 polegadas (HDs e SSDs SATA para notebooks), mSATA (notebooks e algumas poucas placas-mãe desktop), placas dedicadas PCI-Express (apenas desktop) e os mais atuais M.2 (desktop e notebooks). Esse último tende a ganhar cada vez mais espaço, primeiro pelo tamanho compacto, e segundo pelas tecnologias novas e de maior velocidade estarem sendo implementadas majoritariamente nele.

Para saber qual escolher, você precisará saber o que seu sistema suporta. De forma simples e considerando apenas tamanho, notebooks suportam os modelos de drives em formato 2.5 polegadas, mSATA e M.2. Já desktops, além desses três, também suportam 3.5 polegadas, PCI-Express e outros formatos alternativos -  algumas máquinas suportam, por exemplo, conexão U.2 que tem tamanho de 2.5 polegadas, mas são mais altos e não cabem dentro de um notebook, que fica limitado a modelos com altura de 7mm e 9mm no máximo.

Modelos com conexão IDE já ficaram obsoletos há muito tempo, sendo substituídos pelo SATA. Modelos mais recentes como U.2 não conseguiram se popularizar e também sumiram antes mesmo de aparecer. 


Capacidade de armazenamento

Outra característica muito importante está relacionada a capacidade de armazenamento. Um dos grandes pontos negativos dos SSDs sempre foi o preço por bytes. Porém felizmente eles nunca se aproximaram tanto dos HDs como atualmente, e isso se deve as memórias NAND do tipo QLC, mais baratas e por esse motivo tornaram mais populares SSDs com capacidades maiores com preços mais competitivos, ainda bem mais caros do que HDs, mas a diferença caiu bastante desde a época dos modelos com memórias do tipo TLC.

Sobre a capacidade, a alguns anos atrás um modelo de 120GB já era suficiente para o sistema operacional e alguns plicativos, mas hoje o recomendado é partir para um modelo de ao menos 240GB+, ou poderá sofrer com necessidade contante de gerenciamento do espaço, mesmo instalando apenas o sistema operacional e principais aplicativos utilizados. Para quem não quer se incomodar a longo prazo e ainda instalar até alguns games, um modelo de 500GB+ é a melhor opção, se pretende armazenar muitos dados recomendamos partir para os modelos com 1TB, que hoje custam na casa de R$600+.

A capacidade mínima recomendada hoje para um SSD é de 240GB

Outro detalhe bem importante relacionado a capacidade de armazenamento, quando maior a capacidade, mais alto o TBW, ou seja, a durabilidade do SSD aumenta junto, em vários casos na mesma proporção que o espaço, ou seja, algumas linhas tem SSD de 500GB com TBW de 150, já na mesma linha o modelo com 1TB tem 300TBW, resumindo, suporta o dobro de dados que podem ser gravados.


Diferenças de memórias SLC, MLC, TLC e QLC

As memórias instaladas no SSD são importantes, pois elas afetam a velocidade e o tempo de vida dos dados armazenados.

Atualmente, temos quatro tipos comuns de memórias NAND utilizadas em SSDs, sendo as memórias TLC e QLC as mais recentes e, especialmente essa última, que tem possibilitado a popularização dos SSDs por permitir a indústria colocar modelos com alta capacidade no mercado, a preços mais competitivos.

SLC (Single-Level Cell): as primeiras memórias armazenando um único bit de dados por célula, sendo uma memória muito rápida e de alta duração. Porém, por não ser muito densa em quantidade de dados, é uma solução mais cara.

MLC (Multi-Layer Cell): surgiram em seguida como uma alternativa mais densa visando um preço mais atrativo, porém são mais lentas. Como alternativa para os SSDs continuarem com desempenho, algumas empresas adicionam pequenos cache em memórias SLC atuando como buffers de gravação. As memórias MLC estão caindo em desuso com a chegada das TLC, por questão de preço.

Mesmo as memórias QLC oferecem garantia de 5 anos.

TLC (Triple-Level Cell): estão presentes em uma série de SSDs. Conseguem ser ainda mais densas e com preços mais atrativos, mas pecam novamente na velocidade. Para se tornarem opções que justifiquem seu uso, precisam de buffers a fim de trazer ganhos práticos sobre os HDs. Esse tipo de memória para quem usa o computador em situações rotineiras como aplicações de trabalho e navegar na internet é suficiente. Não é uma solução recomendada apenas se o uso for para aplicações profissionais com grande trafego de dados (as soluções MLC são as mais recomendadas para esse perfil de usuário).

QLC (Quad-Level Cell): são as memórias mais recentes lançadas na indústria. O conceito sempre segue a mesma lógica: maior densidade para armazenar mais dados em menor espaço físico a fim de tornar o preço por MB menor, sempre tentando entregar um desempenho satisfatório através de alguma solução que contorne a perda de desempenho, quase sempre com cache dinâmico via SLC. Os modelos com alta capacidade mais baratos do mercado tem usado esse tipo de memória atualmente e tendem a ganhar cada vez mais espaço, porque entregam o benefício de um SSD com preço mais atrativo dos que as demais soluções.

Empresas como WD e Toshiba já trabalham em uma nova geração de memórias NAND, seguindo o mesmo conceito das memórias acima, mais densas e consequentemente mais lentas, provavelmente novamente usando memórias cache dinâmico SLC para acelerar, e no final ficando mais baratas que as QLC.


Tecnologias NVMe, SATA, PCIe 3.0 e 4.0

NVMe
Os SSDs mais recentes usam muito o termo NVMe no nome, materiais de marketing, caixas etc., porque esse é o protocolo que todos os modelos mais atuais estão usando. Esse protocolo, combinado com outras características técnicas, possibilita que os SSDs alcancem velocidades de leitura e escrita bem mais rápidas que protocolos anteriores, como o SATA. Resumidamente, se você quer um produto com tecnologia mais recente e naturalmente mais rápido, ele deve ser baseado em NVMe. Mas, tem um porém: computadores mais antigos (e não estou falando de modelos de 5 ou 6 anos atrás, mas até mesmo de 1 ou 2 anos) podem não suportar essa tecnologia, então é importante verificar antes se a sua placa-mãe ou notebook tem o suporte. Lembro ainda que SSDs NVMe podem ser baseados em dois tipos de formatos: M.2 (esses bem pequenos) ou através de uma placa dedicada PCI-Express (modelo Corsair NX500 de nossos testes).

SATA
Os modelos SATA foram os primeiros a aparecer no mercado anos atrás. Com o avanço desse tipo de drive, eles alcançaram o limite de velocidade e leitura, que era de 600MB/s. Para nível de comparação, existe SSDs NVMe PCIe 3.0 alcançando 3.500 MB/s, quase 6 vezes mais desempenho. O lado positivo de drives SATA é que eles possuem compatibilidade com computadores desde bem antigos até os mais atuais. Modelos NVMe são bem mais restritos quando se trata de compatibilidade.

PCIe 3.0 e 4.0
Outra especificação importante de SSDs mais recentes é a velocidade do barramento PCI-Express, a grosso modo a "estrada" por onde os dados trafegam. Até o primeiro semestre de 2019, os modelos mais rápidos eram baseados em PCIe 3.0, mas esse ano, com o lançamento dos processadores Ryzen 3000 e placas-mãe com chipset X570 da AMD, também tivemos a chegada do PCIe 4.0, que já em seus primeiros modelos alcançam 5.000MB/s. 

Para resumir, quando mais rápido for o barramento PCI-Express, maior será a velocidade de trafego disponível.


O que é a medida de durabilidade TBW?

TBW, leia-se "terabytes gravados", é a medida utilizada para gerar uma estimativa de tempo de vida do SSD. Quanto maior o TBW, mais quantidade de dados gravados ele vai suportar. Em estimativas médias e genéricas, um SSD com 150TBW pode durar cerca de 10 anos quando se trata de leitura/gravação.

Dados médios: 100TBW = gravação de 50GB+ por dia durante 5 anos

Esse dado depende e varia bastante entre modelos e marcas de SSDs, além de ser diretamente relacionado ao tipo de memória utilizada (ex.: TLC ou QLC), então é importante ficar de olho para ver se ele atende o que você busca. Um SSD com 100TBW permitirá gravar, em média, pouco mais de 50GB por dia durante 5 anos, o que é mais do que suficiente para usuários comuns. Outro detalhe é que é comum drives de capacidade maior possuírem TBW mais alto, já que a tendência de quem busca maior capacidade é trabalhar com maior número de dados.

Os aplicativos fornecidos pelo fabricante normalmente informam como está o estado atual do TBW do SSD, mas existem outros software que fazem isso independente da marca, dando vários detalhes dos drives do sistema. Um desse softwares é o CrystalDiskMark, que pode ser baixado clicando aqui.


O que é IOPS?

IOPS se refere ao número de operações por segundo que um drive consegue realizar. Trata-se de um medidor de desempenho bem comum quando falamos de discos rígidos (HDD), drivers de estado sólido (SSD) ou até armazenamento em rede (NAS). Quanto maior o IOPS, mais rápido se realiza leitura e gravações.

A quantidade de IOPS de uma tecnologia é muito importante para o sistema. Por mais que muitos digam que o número de operações por segundo só interfere no desempenho de aplicações, um IOPS baixo pode impactar diretamente no funcionamento de um aplicativo, podendo até inviabilizar a sua implementação.

Desde os SSDs baseados em SATA, houve uma grande evolução na velocidade para os atuais drives NVMe, pulando de números como 100.000 para 750.000 em modelos atuais.


O que é NVMe?

O protocolo de armazenamento NVMe chegou ao mercado em 2011 e foi projetado para trabalhar com memória não volátil, incluindo as memórias NAND flash mais recentes. Ele também suporta uma quantidade de filas de comandos muito superior - 65.536 por fila e até 65.535 filas. Como base de comparação, o AHCI suporta apenas 32 em uma fila única, já drives padrão SAS suportam 256 filas. Essas velocidades eram boas para discos rígidos, mas limitadoras para as tecnologias mais recentes como SSDs.

Essa tecnologia de controle de filas trabalha em conjunto com o processamento paralelo dos processadores com muitos núcleos, com os aplicativos gerenciando de forma mais efetiva sua fila independente, sem travar a I/O. Outro detalhe é que a tecnologia MSI-X também ajuda a evitar gargalos de CPU possibilitando maior escalabilidade para expansão do sistema.

Os drives de armazenamento NVMe mais recentes são baseados na versão 1.3 e utilizam conexão PCIe 3.0. Como exemplo, citamos os novos Samsung 970, WD Black SN750 NVMe e Gigabyte AORUS PCIe 4.0. Novos modelos baseados em PCIe 4.0 devem chegar ao mercado nos próximos meses suportando NVMe 1.4. Para ver a lista completa de mudança entre as versões NVM Express, clique aqui.


Sistema utilizado

Antes dos testes, vamos à configuração do sistema utilizado: com um placa-mãe Gigabyte X570 AORUS Master e processador Ryzen 9 3900X. O chipset topo de linha da AMD para processadores soquete AM4, X570, por enquanto é o único que traz suporte a PCIe 4.0 - consequentemente aos SSDs mais velozes do mercado quando falamos de modelos M.2 NVMe, como o modelo Gigabyte AORUS PCIe 4.0.

Máquina utilizada nos testes
- Mainboard Gigabyte X570 AORUS Master [análise]
- Processador AMD Ryzen 9 3900X [análise]
- Placa de vídeo NVIDIA GeForce RTX 2080[análise]
- Memórias G.Skill TridentZ RGB 16GB (2x8GB) [site oficial]
- SSD Gigabyte AORUS PCIe 4.0 1TB [site oficial]
- Fonte Thermaltake Toughpower 850W Gold [site oficial]

O SISTEMA NÃO RODA NENHUM ANTI VÍRUS OU
APLICATIVO QUE POSSA INTERFERIR NOS TESTES

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 10 Pro 64 Bits

Aplicativos/Games:
- AS SSD Benchmark 2.x
- ATTO Benchmark 4.x
- Battlefield V (DX12)
- BootRacer 7.x
- CrystalDiskMark 6.x
- DiskBench


Firmware

Praticamente todas as empresas possuem um software para gerenciar o SSD. Esse software, além de ferramentas para otimização do SSD, também informa como está o status dele - desde temperatura até tempo de vida das memórias, importante especialmente para quem trabalha com muito tráfego de dados entre os drives do sistema. Esse tipo de software também é responsável por atualizar o firmware do SSD, normalmente feito de forma bem simples e sem gerar qualquer problema para o usuário. Abaixo telas de alguns aplicativos de marcas tradicionais de SSDs.


Temperatura

Os modelos SATA de 2.5 polegadas esquentavam muito pouco, sendo que o fator principal do aquecimento estava relacionado ao local onde o drive era instalado. Já os modelos NVMe esquentam consideravelmente mais (alguns chegam a ultrapassar 80º graus). Para comparação, modelos SATA de 2.5 polegadas em sua grande maioria ficam com temperaturas abaixo de 40º graus.

Um dos principais motivos dos SSDs M.2 esquentarem é que eles ficam praticamente "colados" na placa-mãe. Ou seja, além de esquentarem mais, acabam absorvendo o calor da placa-mãe. Por isso vemos alguns modelos de SSDs vindo com dissipadores, ou mesmo os fabricantes de placas-mãe trazendo esses dissipadores sobre os conectores, bem comum em modelos de placas de alto desempenho.

Trocar a conexão M.2 do drive na placa-mãe
pode resultar em mudança superior a 10º.

É importante destacar que em nossos testes não utilizamos nenhum dissipador ou solução que possa interferir a favor do SSD no quesito temperatura, visando ter um cenário mais próximo do real sobre quanto o SSD "esquenta", sem interferência de outro componente. Porém, deixamos o dissipador nos modelos que o trazem, até para ter uma noção de como eles se comportam, já que são vendidos assim.

Todos os testes consideram a instalação em uma bancada no slot M.2 atrás da placa-mãe, que é o local mais comum mesmo em modelos de formato pequeno como Micro-ATX ou Mini-ITX.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

Temperatura         Sistema em modo ocioso         Menor é melhor

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

Temperatura         Rodando ATTO v4         Menor é melhor


Testes sintéticos

AS SSD Benchmark
Começamos nossos testes de desempenho com o AS SSD Benchmark, software específico para testes de drives SSD, HD etc.

O aplicativo faz uma série de testes em diversas situações de leitura e escrita e, no final, gera uma pontuação com a média entre todos os testes.

Vale destacar aqui que a velocidade de escrita e leitura conta muito, além das memórias instaladas no caso de SSDs. Reparem a diferença entre um modelo SATA para um HD, e depois de um modelo NVMe topo de linha como o WD SN750 ou mesmo o mais recente AORUS PCIe 4.0, que possuem velocidades de leitura e escrita altíssimas.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

AS SSD Benchmark         v2.x - Media Final (1GB)         Maior é melhor

ATTO Disk Benchmark
Outro famoso aplicativo para teste de desempenho de unidades de armazenamento é o ATTO. Vejam abaixo o comportamento dos modelos comparados, semelhante aos resultados do AS SSD.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

ATTO Disk Benchmark         v4.0 - Modo Read - Resultado 48 MB         Maior é melhor

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

ATTO Disk Benchmark         v4.0 - Modo Write - Resultado 48 MB         Maior é melhor

CrystalDiskMark
Com o aplicativo CrystalDiskMark versão 6, outro muito famoso para testes de drives, optamos por utilizar dois resultados indicados pelos próprios desenvolvedores, o teste "SeqQ32T1" e o "4KiB Q32T1". Abaixo, os resultados em modo leitura e escrita. Chega a ser uma piada comparar HDs com um SSD SATA, o mais lento entre os modelos que testamos, perdendo o sentido comparar com modelos NVMe.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

CrystalDiskMark         v6.x - Modo Read - Seq Q32T1 (1GiB)         Maior é melhor

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

CrystalDiskMark         v6.x - Modo Write - Seq Q32T1 (1GiB)         Maior é melhor

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

CrystalDiskMark         v6.x - Modo Read - 4KiB Q32T1 (1GiB)         Maior é melhor

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

CrystalDiskMark         v6.x - Modo Write - 4KiB Q32T1 (1GiB)         Maior é melhor


Testes práticos

Nada melhor que testes reais, não é? Especialmente porque testes sintéticos as vezes "enganam", e na prática pouco se nota na usabilidade. Isso ficará bem evidente em grande parte dos testes a seguir, comprovando que o principal de tudo é você ter um SSD, mesmo que ele seja um modelo SATA.

Carregando um game (Battlefield V)
Começamos por um teste muito interessante: o carregamento de um game. Para isso, utilizamos o Battlefield V com o teste em cima do mesmo mapa que utilizamos em boa parte de nossas reviews de placas de vídeo lá no Adrenaline. O conceito do teste é simples: medir o tempo que leva da hora que clicamos até o momento em que o gameplay começa. Mas, dessa vez, fomos além para mostrar como as coisas funcionam. Fizemos exatamente o mesmo processo logo em seguida com um segundo carregamento após o primeiro, tudo igual, para ver como é o comportamento após o sistema já ter o mapa "pré-carregado" na memória.

A segunda vez que se carrega um mesmo mapa
demora o mesmo tempo em um SSD ou em um HD.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

Battlefield V         DX12, Ultra, Loading timing #1 - 4K em resolução de 1920x1080         Menor é melhor

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

Battlefield V         DX12, Ultra, Loading timing #2 - 4K em resolução de 1920x1080         Menor é melhor

Tempo de BOOT (Windows 10 Pro 64 bits)
Com o software BootRacer, medimos o tempo necessário para inicializar o sistema operacional, um dos principais atrativos de drives SSD. No caso de drives SSHD, que trazem um pequeno cache, esse teste vai melhorando com o tempo. Com um HD tradicional, como o Velociraptor que não possui memória cache interna, mesmo sendo um modelo muito rápido com 10.000 RPM, o boot demora consideravelmente mais.

O teste consiste no melhor resultado após três boots seguidos do sistema ou, no caso dos SSHDs, até o tempo estabilizar. Em SSDs, isso acontece de imediato e não precisaria de três boots, mas fazemos por padrão. É considerado pelo aplicativo o tempo total até finalizar na área de trabalho com o score informado pelo software, por isso é um pouco mais lento do que o boot normal que vemos. Ele considera o tempo total até carregar tudo que está na memória e estar pronto na área de trabalho.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

BootRacer         Windows 10 Pro 64 Bits         Menor é melhor


Cópia de arquivo - SSD NVMe
Abaixo, os testes de desempenho em cópia utilizando um SSD padrão NVMe de alto desempenho para enviar e também receber, sendo assim tiramos o fator limitador de velocidade de um drive mais lento como aconteceria com um HD padrão Sata3, já que o SSD utilizado, um Gigabyte AORUS PCIe 4.0, tem velocidade de leitura de até 5.000 MB/s e escrita de 4.400MB/s.

O teste utiliza o aplicativo DiskBench para o processo.

Para o cenário ideal de cópia ambos os drives precisam ser rápidos, se não o mais lento será o limitador da velocidade.

Esse teste é muito legal e mostra que às vezes mesmo um drive NVMe pode apresentar algum problema de velocidade prática, ficando atrás de um modelo SATA. Outro detalhe é que pelo HD Velociraptor ter seus discos "girando" bem mais rápido que os outros dois HDs, apesar dele perder no tempo de boot já que não tem memória cache, ganha em cópia porque nessa situação trabalha mais rápido.

Drive analisado para SSD Gigabyte AORUS PCIe 4.0 NVMe M.2 1TB (leitura)
Neste teste copiamos os arquivos do drive analisado para um SSD NVMe de alto desempenho. Este seria o teste de leitura, já que ele não escreve nada no drive analisado.

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

DiskBench         LEITURA - 69.6 GB - Cópia "para" outro drive         Menor é melhor

Gigabyte AORUS PCIe 4.0 NVMe M.2 1TB para drive analisado (escrita)
Invertendo o processo, agora copiamos os arquivos do 960EVO para o drive analisado, consistindo em um teste prático de escrita, já que os dados estão sendo gravados no drive. 

Benchmarks

Comparativo de SSDs e HDs

DiskBench         ESCRITA - 69.6 GB - Cópia "de" outro drive         Menor é melhor


Conclusão

A conclusão de tudo, como já coloquei lá no inicio do artigo, é bem simples: acima de qualquer coisa você precisa de um SSD se ainda não tem. Dito isso, precisará ver o que é compatível com seu sistema, primeiro pelo formato e tipo de conexão (SATA, PCI-Express ou M.2 por exemplo), e ai sim definir como vai procurar o modelo para comprar.

Como dicas, sugiro não ficar muito preocupado com o que dizem sobre as atuais memórias QLC, isso considerando boas marcas. Existe muita besteira na internet onde falam que elas "morrem" rápido, mas se o produto for de qualidade isso acaba não sendo verdade. Temos dezenas de modelos com garantia de 5 anos, e isso é muita coisa. Basta se questionar sobre o que você ainda tem no seu sistema de 5 anos atrás. 

Porém, outro detalhe é que a garantia considera um TBW para 50GB de escrita por dia por ano em média. Isso é coisa pra caramba e fora da realidade para a gigante maioria dos usuários normais, mesmo para produtores de conteúdo. Mas sim, se você é uma dessas pessoas que realmente vai ter muito tráfego de dados entre os drives do seu sistema, é melhor optar por modelos com memórias TLC ou mesmo MLC. A melhor dica é ficar de olho no TBW do drive - quanto maior, melhor, além do tempo de garantia é claro.

Link com modelos de SSDs à venda na Pichau

Em se tratando do formato, a melhor forma de decidir é saber o que seu sistema suporta, como falei antes. Se for um notebook você terá apenas três opções - SATA, mSATA ou M.2 - sendo que se for comprar um SSD SATA de 2.5 polegadas, provavelmente terá que remover seu HD para instalar o SSD. Caso ele tenha suporte para SSDs mSATA ou é um modelo mais recente com suporte a M.2, recomendo fortemente optar por esses modelos, já que permite manter o HD instalado e isso quer dizer mais espaço disponível.

Entenda: De nada adianta copiar algo de um SSD muito rápido para um HD, quem vai limitar a velocidade é o drive mais lento que não conseguirá acompanhar a velocidade do mais rápido, tanto em escrita como na leitura.

Já em um computador desktop, primeiro você deve verificar qual a sua plataforma. Se ela suportar os novos SSDs M.2 NVMe, optar por eles é uma das opções mais interessante por questão de ter o que existe de melhor atualmente. Mas, não espere tirar muito proveito prático. Em testes como boot do sistema, carregar um jogo, ou mesmo em cópia de arquivos, dependendo a situação de cópia, pouco vai mudar. Uma coisa  tem que ficar muito clara: de nada adianta você ter um SSD muito rápido e copiar dados para um HD, já que o limitador na copia será o HD e a velocidade máxima será a do HD, e não do SSD super rápido, capiche?

Vou preparar um artigo mostrando o processo para migrar o sistema operacional de um HD ou drive antigo do sistema para o SSD adquirido.

Espero que esse artigo ajude a esclarecer alguns pontos sobre SSD e, novamente, se você ainda não tem um, leia bem o artigo para escolher qual irá comprar. Me arrisco a dizer que hoje um SSD é o componente que mais transforma a usabilidade de um sistema, ao menos para a grande maioria dos usuários. Mesmo um sistema antigo acaba se transformando quando funcionando em um SSD (em comparação a um HD), então troque e seja feliz.

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