Análise do Samsung Galaxy A71: 6 meses depois, vale a pena?

Análise do Samsung Galaxy A71: 6 meses depois, vale a pena?

Tela grande, bom desempenho, bateria para um dia inteiro e boas câmeras são os destaques

Desde que a Samsung anunciou o fim da série J, a série Galaxy A começou a ganhar mais relevância dentro do portfólio da empresa. Hoje, dentro de uma mesma série, a empresa possui telefones desde o basicão Galaxy A10s; produtos ainda de entrada como os Galaxy A20s e A30s; telefones intermediários como o A51 e o intermediário premium A71, justamente o telefone que eu irei analisar hoje.

Não fosse 2020 um ano atípico, provavelmente a empresa teria lançado o A81, já que rumores surgiram no início do ano, porém a pandemia chegou e nada de A81 até agora. Dessa forma, o A71 é o telefone mais avançado da série Galaxy A disponível no Brasil, posicionado justamente como um dos últimos passos no lineup da empresa antes dos seus flagships, importando dos topos de linha algumas características e funcionalidades interessantes como a tela grande e de boa qualidade, bateria suficiente para um dia inteiro de uso, com carregamento rápido, bom desempenho e conjunto de 04 câmeras na traseira com boa câmera selfie na frente.


Galaxy A71: Um intermediário com personalidade de flagship! Crédito: Jacson Boeing

Nessa análise eu trago uma análise mais detalhada dos prós e contras do Galaxy A71 e respondo a pergunta: há 06 meses no mercado, ainda vale a pena investir no A71?

Design

Começando pelo começo. A primeira coisa que chama a atenção em um celular é o Design e logo de cara sai um veredito: Bonito, ou não. O acabamento, materiais usados, posicionamento das câmeras, se tem notch, furo na tela, câmera giratória, enfim, damos muita atenção para a parte estética.

O A71 traz um design mais, digamos assim, espartano. Saem os materiais nobres como o frame metálico na lateral e a traseira de vidro, típicos da linha flagship da empresa e, tirando a tela, 100% do aparelho é feito de um plástico reflexivo com uma aparência de vidro. 

Pessoalmente, me agrada a solução adotada pela Samsung no A71. A traseira é de um plástico com linhas verticais que imitam textura, com linhas diagonais criando áreas com pequenas variações no tom de cinza. O modelo que eu testei era preto (mais pra cinza mesmo), mas a empresa também traz opções em azul e prata (quase branco). Conforme a luz incide no aparelho, o mesmo irá mostrar cores vermelha, azul e verde e a combinação das mesmas, em um efeito bem bacana.


Plástico reflexivo faz um efeito bonito. Crédito: Jacson Boeing
 

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Na parte traseira (superior a esquerda) está o cooktop, ou dominó de câmeras. São 04 câmeras na traseira distribuídas em forma de L. Na parte inferior, uma porta USB-C, entrada de 3.5mm para fone de ouvido (aleluia, Samsung), microfone e saída de som. Na lateral direita, temos o botão power (usado para ativar a Bixby, assistente de voz da Samsung - agora em português) e botões de volume. E na lateral esquerda está a gaveta para dois cartões Nano SIM, com espaço dedicado para o cartão MicroSD.



Porta P2 (3.5mm) para fone de ouvido? Presente! Crédito: Jacson Boeing

Na parte frontal o Galaxy A71 traz uma tela de 6,7" na proporção 20:9, com bordas pequenas em todos os lados e sem nenhuma interrupção, exceto o furo centralizado na parte superior para a câmera selfie. Como referência, no Galaxy A70, antecessor do A71, a Samsung utilizava uma câmera em forma de gota, porém 2020 chegou e a empresa abandonou esse padrão e tem usado câmera com furo na tela em quase todos os seus modelos.

Isso tudo dito, a pegada é boa, apesar de ser incontestavelmente grande. Não consigo imaginar alguém usando ele de forma fácil com apenas uma mão, exceto talvez o Marjanovic. :)

Tela

Difícil não gostar da tela do Galaxy A71. Uma bela tela Super AMOLED de 6.7" que traz resolução FullHD+ (2400x1080px), com 393 pixels por polegada de densidade.


Tela de 6.7" do A71 se destaca. Foto: Jacson Boeing

A tela possui uma ótima definição, bom brilho, mesmo usando o celular contra o sol, com boa fidelidade de cores e uma saturação característica desse tipo de tela, com cores mais vivas. O contraste é ótimo, com preto perfeito, afinal, uma tela AMOLED não deixa de ser uma tela OLED. Infelizmente a Samsung não trouxe suporte a HDR10 ou HDR10+ limitando um pouco a experiência em séries e filmes que suportam grande alcance dinâmico.

Na parte inferior, traz um leitor de digitais óptico sob a tela que funciona razoavelmente bem e serve tanto para desbloqueio da tela quanto para confirmação de compras com  o Samsung Pay.


Leitor biométrico óptico sob a tela. Foto: Jacson Boeing 

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Desempenho

O Galaxy A71 entrega um bom desempenho dentro da sua categoria. Sai o Snapdragon 670 presente no Galaxy A70, o seu antecessor, e entra o Snapdragon 730, melhorando a performance, além de trazer economia de bateria e mais autonomia, já que o Snapdragon 730 possui litografia de 8 nanômetros, contra os 10nn do 670.

O SoC do A71 possui 08 núcleos, sendo 02 rodando rodando a até 2,2GHz e 06 econômicos rodando a 1,8GHz. Os gráficos ficam por conta do Adreno 618, conjunto que garante uma boa fluidez ao sistema e bom desempenho nas tarefas rotineiras como WhatsApp, Instagram e navegação na internet, mesmo com muitas abas abertas. Também se sai bem nos apps mais pesados, incluindo aí jogos. Testei Asphalt 9, Call of Duty Mobile e o Fortnite, um dos jogos mobile mais pesados, senão o mais pesado disponível para celulares. O celular só chiou um pouco no Fortnite, onde com as opções gráficas no médio, ficou na casa dos 25 a 35 frames.


Asphalt 9 +Galaxy A71. Foto: Jacson Boeing

Complementa o conjunto 6GB de memória RAM, quantidade suficiente para rodar o Android 10 sem engasgar e manter bom desempenho. Claro que mais memória é sempre bem vinda, já que por si só, o Android parece sempre usar cerca da metade da memória disponível no sistema, porém os 6GB dão conta bem do recado.

O armazenamento é de 128GB, o suficiente para ter paz de espírito instalando uma infinidade de apps, tirar fotos a vontade e manter suas músicas preferidas localmente, sem se preocupar com falta de espaço. Mas, caso você use todo o espaço, tem a opção de expandir o armazenamento através de um cartão de expansão MicroSD de até 1TB.

Câmeras

Começando pela traseira, a câmera principal possui 64MP (wide) e abertura f/1.8, acompanhado de um sensor ultrawide de 12MP com abertura f/2.2, um sensor de 5MP e abertura f/2.4 para fotos macro e, por fim, o sensor de profundidade de 5MP com abertura f/2.2. Na frontal, são 32MP com abertura f/2.2, similar ao modelo do A70, mas com pequenas diferenças nos resultados.


Dominó de lentes do Galaxy A71. Créditos: Jacson Boeing

A câmera principal traz cores bem saturadas, um bom HDR automático, sem perder nitidez e com baixo ruído. A Samsung fez um ótimo trabalho nessa câmera. Apesar de ser uma câmera de 64MP, você geralmente irá tirar fotos de 16MP devido ao agrupamento de pixels, que une 04 pixels em 01 pixel maior, com maior capacidade de captação de luz. Você até pode apelar para o modo de Super Resolução e tirar fotos de 64MP, mas nesse caso perde as vantagens do HDR automático e do pós processamento, o que resultará em uma foto maior, mas não necessariamente melhor.


Vila Germânica, em Blumenau, pela câmera principal do Galaxy A71. Foto: Jacson Boeing

A câmera ultrawide agora tem 12MP, são 4MP a mais se comparada ao Galaxy A70. Mantém boa saturação de cores, perdendo um pouco de definição nas extremidades, além de, claro, dar aquela distorcida nessas áreas, algo esperado para as fotos que captam ângulos muito abertos.


Câmera Ultrawide em comparação com a foto anterior. Crédito: Jacson Boeing

A câmera macro por sua vez permite fotografar bem de pertinho e captar muito detalhes. As fotos nesse modo possuem baixo alcance dinâmico, deixando elemento principal em destaque e desfocando o resto. Funciona bem se você ficar por volta de 3 a 5 cm do objeto a ser fotografado, mas é fácil tirar uma foto que não consegue focar o elemento como um todo. Pessoalmente acho mais útil uma câmera telefoto, com zoom óptico, mas o sensor macro é mais barato e entendo sua escolha pra produtos nessa faixa de preço.


Orquídea pela lente macro do A71. Crédito: Jacson Boeing

Já na parte frontal do aparelho, a câmera selfie mantém uma boa nitidez e também deixa as cores mais quentes, bem saturadas. Mantém o bom HDR em termos gerais, mas notei que ela perde alguns detalhes em áreas de sombra. No modo retrato a câmera selfie consegue fazer um bom recorte do seu dono, desfocando o fundo, algo que pode ser ajustado posteriormente via software.


Selfies sem modo retrato e com modo retrato. Crédito: Jacson Boeing

Já em termos de vídeo, câmeras principal, ultrawide e frontal, todas filmam em até 4K, porém sem estabilização. A câmera principal é a única que conta com modo de filmagem estabilizado, limitado até a resolução FullHD. Em geral os vídeos ficam com boa qualidade e não devem nada pra concorrência. 

O A71 traz ainda modos panorama, timelapse, super câmera lenta, noturno e modo profissional, onde você poderá ajustar ISO, balanço de branco e exposição manualmente, dando mais liberdade criativa. A noite, principalmente em ambientes muito escuros, no modo noturno você certamente conseguirá fotos com melhor qualidade que se comparado ao modo normal, resgatando detalhes perdidos em áreas muito escuras, porém a resolução da foto cairá para 12MP. 

Software: Android 10 + OneUI 2.0

Longe de ter um Android puro, o Galaxy A71 traz o OneUI 2.0 em conjunto com o Android 10. A interface está bem fluída, sem problemas de travamentos, com os elementos bem distribuídos, trazendo uma grande lista de apps pré instalados de fábrica.

Entre eles está o pacote completo de apps da Google, praticamente uma suíte de apps completa da empresa, incluindo Gmail, Google Photos, Chrome e vários outros, incluindo a App Store, que rivaliza dentro dos celulares da marca com a Galaxy Stoire, a loja própria de aplicativos da Samsung. 

Faz tempo que a Samsung vem tentando montar um ecossistema à la Apple. A empresa entendeu que, além de ter produtos em cada faixa de preço, entregar uma solução mais completa ajuda a marca a se diferenciar dos demais players que usam Android e, ao mesmo tempo, consegue pescar usuários insatisfeitos com as restrições que a Apple impõem em seu ecossistema super fechado.

Nos últimos anos a empresa vem montando seu ecossistema com gadgets que conversam entre si, como relógios inteligentes e fones wireless, além de uma extensa lista de apps como Samsung Health, que agrupa dados relacionados a saúde do usuário e o Game Launcher, que centraliza todos os games em um único local, com configurações específicas jogo a jogo e integração com Discord. Também traz diferenciais como a Tela Edge, que permite configurar atalhos rápidos deslizando o dedo da lateral direita para o centro da tela, além de serviços, como o Samsung Pay - serviço de pagamento da empresa.


Game Launcher reúne todos os jogos em um só lugar. Foto: Jacson Boeing

Uma das novidades bem bacanas implementadas na OneUI 2.0 é a opção "Vincular com Windows", que já vem integrada ao menu do Android e permite espelhar o telefone na tela do seu computador (via Wi-Fi, sem cabos) e navegar por ele, permitindo ainda enviar fotos de forma rápida e até atender ligações por ali caso o PC tenha conexão Bluetooth. Isso é fruto da parceria com a Microsoft, que ainda traz apps como OneDrive, Linkledin, Office e Outlook pré instalados no celular.

Fora isso, o fato de vir com Android 10 de fábrica garante que o telefone terá atualização para o Android 11 no futuro. O OneUI 2.1 também já está confirmado para o aparelho e pode aparecer em breve, trazendo para o A71 ainda mais funcionalidades antes presentes apenas na linha Galaxy S20.

O que eu senti falta?

A tela do Galaxy A71, conforme já mencionei, não traz suporte a HDR10 ou HDR10+, algo que fará falta se você usar o celular pra assistir serviços de streaming compatíveis como Netflix ou Prime Vídeo. Também me pergunto como você vai ver o resultado do HDR das fotos que você tirou com HDR, se sua  tela não suporta HDR?

Uma tela de boa qualidade como a do A71 ficaria ainda melhor com suporte a HDR

A tela do Galaxy A70 parece ser a mesma do Galaxy S10 Lite, porém neste a tela possui suporte ao HDR10. O que parece é que pra diferenciar seus produtos em specs e preço, a Samsung propositalmente deixou o HDR10 fora do A71.


Tela de 6.7": ótima para ver filmes e jogos. Melhor seria com HDR. Foto: Jacson Boeing

O áudio do A71 é mono, com apenas uma saída de som na parte inferior do aparelho. O som não é ruim, tem até bom volume, porém também não é bom. Em termos gerais, está abaixo da média se comparado com os demais atributos do aparelho. Um som estéreo é sempre bem vindo, principalmente em jogos, onde você consegue ter mais definição do que acontece ao seu redor. No mais, hoje em dia quase todo mundo está aderindo os fones de ouvido mesmo, então não é um grande problema.

A falta de algum tipo de proteção contra respingos e poeira também é sentida. Claro, nesta categoria quase nenhum aparelho traz esse tipo de proteção. Seria lindo se tivesse IP68, mas nem o Zenfone 7 traz. O ponto é que não da para querer comparar com os flagships de 2020, que trazem tela de pelo menos 90Hz, resolução QuadHD e mais um monte de funcionalidades e tecnologias atuais. Esse é outro segmento de mercado, com valores beeeeeem diferentes.

Conectividade

Comprando um Galaxy A71 você leva um celular 4G, o que é uma ótima notícia, já que a autonomia da sua bateria agradece. Tem Wi-Fi 802.11ac, ou Wi-Fi 5, como a indústria convencionou, garantindo boas velocidades de transmissão e estabilidade em redes domésticas. Claro, tem NFC. O celular tem o sistema de pagamento da Sammy, o Samsung Pay que funciona via NFC, logo não ter NFC significa não ganhar dinheiro nos pagamentos dos seus clientes.

Traz ainda Bluetooth 5, melhorando o desempenho e alcance da conexão com fones true wireless, como o recém lançado Galaxy Buds Live, ao mesmo tempo que ajuda a economizar bateria.


Vídeo review


Conclusão: Vale a pena!

Lançado em fevereiro, o Galaxy A71 já está no mercado há pouco mais de 6 meses. Chegou custando R$ 2.799,00, totalmente fora da realidade de preços na sua categoria. Fato que 2020 é o ano em que os fabricantes estão tendo que fazer malabarismo para conseguir continuar vendendo, já que o Covid-19 fez as pessoas pensarem duas vezes antes de comprar qualquer coisa, ainda mais com a alta do dólar.

Na faixa dos R$ 2.000,00 é uma boa opção, mas com pândemia ou não, deve chegar na Black Friday abaixo dos R$ 1.800,00

Hoje você já encontra o A71 na faixa dos R$ 2.000,00 em alguns varejos online e volta e meia chega a custar até R$ 1.800,00 em algumas promoções relâmpago. Por esses preços, vale a pena? Sim, 06 meses após seu lançamento o A71 continua sendo uma ótima opção no segmento intermediário. Por R$ 2.000,00, difícil encontrar qualquer celular que traga um conjunto de "tela + bateria + câmera + desempenho" superior.

Até me esforcei pra achar uns contras no aparelho, mas o A71 traz um equilíbrio muito bom e os trade-offs, aquelas concessões, as escolhas de funcionalidades que a empresa abre mão para entregar um celular quase premium, por preço de intermediário, foram bem acertadas. Não à toa o A71 é um verdadeiro intermediário premium!


Nota

9,2

Prós

  • Tela grande e de boa qualidade
  • Bateria para dia inteiro e carregamento rápido
  • Bom desempenho
  • OneUI está cada vez melhor
  • Bom conjunto de câmeras

Contras

  • Não tem HDR10 ou HDR10+
  • Não tem proteção contra respingos
  • O Som é meio "meh"!
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Jacson Boeing

Apaixonado por tecnologia, gadgets e pelo universo geek em geral, Jacson Boeing é sócio-fundador e Editor do Adrenaline, onde desenvolve um trabalho de bastidores, desenvolvendo parcerias e formas criativas de dominar o universo! Fora os sonhos ambiciosos, também ajuda no desenvolvimento de pautas e escreve esporadicamente sobre tecnologia, além de viajar para cobrir in-loco alguns eventos internacionais considerados importantes dentro da estratégia de expansão do Adrenaline.

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